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Sypha Belnades e a representação feminina na série Castlevania

A forma de contar a história de personagens mulheres está mudando e Sypha é um perfeito exemplo de protagonismo feminino na indústria dos filmes e séries

Sypha Belnades teve sua primeira aparição no video game Castlevania III: Dracula ‘s Curse (Konami, 1989). A protagonista é uma das personagens femininas mais famosas dos jogos e ganhou um papel de destaque na série animada da Netflix, Castlevania (2017-2021). Inspirada na popular franquia de videogames dos anos 80, a produção foi um sucesso com o público que já conhecia os jogos, e conquistou novos fãs com sua maneira moderna de retratar a história e os protagonistas muito queridos pelos fãs. A adaptação inovou em diversos aspectos, especialmente na forma de representar as personagens femininas, com destaque para Sypha. 

Origens

Na série, ambientada em um cenário fantasioso durante a idade média, Sypha pertence ao clã dos “oradores”, um povo nômade e erudito que viaja propagando suas histórias e vivências. A personagem se mostra uma intelectual, com vasto domínio de línguas e de histórias dos lugares por onde viajou, além de ser estudante de magia, o que lhe confere poderes mágicos.  A personagem entra em cena quando Trevor Belmont, protagonista dos jogos e da série, a encontra petrificada por um ciclope, mas ela é salva e se junta ao caçador de vampiros em sua jornada. 

Desde sua aparição na série, Sypha revela ser uma mulher a frente do seu tempo, seja no seu modo de pensar ou seja no de se portar, a protagonista nunca deixou seu gênero, ou a perseguição sofrida pela Igreja Católica, ser um empecilho para que ela falasse abertamente sobre suas fortes opiniões. 

Sypha Belnades em Castlevania III: Dracula’s Curse x Sypha na adaptação da Netflix [Imagem: Reprodução/ Twitter/ @Justsayapples/ @maazesel]

A produção surpreendeu o público com as mudanças feitas no arco da protagonista, visto que, no jogo, Sypha só revela traços marcantes de personalidade em Castlevania Judgement (Konami, 2008), tratando-se, até então, de uma personagem pouco aprofundada. Nos games, diferentemente da série, somente parte do rosto da garota fica visível embaixo do capuz que cobre a personagem e Sypha só tem seu gênero revelado no final da trama 

A série

Na trama das duas primeiras temporadas, a feiticeira se vê envolvida em uma caça pelo Drácula para salvar a humanidade de sua dizimação iminente, acompanhada de dois outros personagens, ambos homens. Durante sua trajetória, seja no campo de batalha, seja nos desafios lógicos, Sypha nunca exerce papel secundário, demonstrando ser, sempre, uma presença essencial nas lutas. Mais uma vez, transparece um viés de igualdade de gênero e de empoderamento feminino, que orientou a construção da personagem ao longo da série.

Sypha, Trevor e Alucard em uma batalha 
          [Imagem: Reprodução/ Twitter/ @CastlevaniaOTD]

Após a segunda temporada, a protagonista  viaja pelo país para ajudar pessoas e vilarejos atingidos pelas criaturas da noite enviadas pelo Drácula. Aqui, notamos uma mudança de postura da personagem; inicialmente, receosa de viajar sem sua caravana, mas, agora, apresentando uma sede por aventuras e novos desafios. 

Na quarta e última temporada, após encontrar seu reino em um cenário cruel e atroz, Sypha parece ter perdido um pouco de sua empolgação e desejo por aventuras, mas, apesar disso, nunca se deixou abalar, mantendo seu altruísmo e vontade de ajudar o próximo. Mesmo em seu momento de crise, ao enfrentar o luto de seu parceiro, ela opta por dedicar seus esforços para fundar um novo vilarejo para os sobreviventes da guerra contra o Drácula, com o desejo de levar auxílio e  conhecimento à população. 

Não só sua força e inteligência encantam o espectador, como também sua personalidade e carisma. Ao longo de sua jornada a protagonista não hesita antes de cometer sacrifícios para salvar vidas inocentes, demonstrando ser uma personagem extremamente humana e empática, sem medir esforços para lutar pelo povo e pelo o que acredita. Além disso, Sypha é uma líder e uma pessoa ponderada e sensível que sabe analisar tanto as suas emoções, quanto as de seus companheiros, mais um traço de personalidade que demonstra sua empatia. 

As mulheres de Clastlevania

Outra personagem marcante na série é Carmilla, uma das antagonistas. Carmilla é uma vampira que conquistou sua fortuna e poder a partir da dominação de seus inimigos — que são, especificamente, homens. Apesar de ser uma das vilãs, a personagem ficou extremamente popular por sua personalidade forte e passado marcante. Calculista, ardilosa, manipuladora e ambiciosa, esses adjetivos podem soar negativos mas são o que tornam a vampira tão hipnotizante, podendo ser considerada uma das antagonistas mais interessantes e bem desenvolvidas da série. Em outra análise, Carmilla pode ser compreendida como uma figura feminina que, após ser subjulgada como mulher,  decide se sobrepor à estrutura patriarcal da sociedade, impondo seu poder acima do poder dos homens que dominam e coordenam o território. A vilã não governa sozinha, ela possui o auxílio de suas três irmãs, todas representando figuras femininas independentes e determinadas, retratadas ao centro da narrativa e não como apoio para outros personagens masculinos. 

Da esquerda para a direita: Lenore, Morana, Striga e Carmilla, irmãs vampiras.
[Imagem: Reprodução/Twitter/@iHateBooski]

Outra personagem que roubou os holofotes foi Greta, apesar de ser uma figura introduzida somente na última temporada. A personagem é a líder de uma aldeia e uma exímia guerreira, mesmo sem possuir habilidades mágicas, além de apresentar uma incrível habilidade de liderança, que a permitiu proteger seu povo durante um período de enorme crise. 

 Assim, a série animada surpreendeu a audiência pela profundidade com a qual os roteiristas trabalharam os personagens, especialmente as personagens femininas que, em contraste com os jogos da franquia, tornaram-se muito mais complexas e  desenvolvidas. Além disso, as mulheres passaram a ocupar posições de destaque no roteiro, tanto como protagonistas, quanto como antagonistas, e não foram colocadas como segundo plano da história de personagens homens. A representação gráfica das mulheres da série também representa essas mudanças: em nenhum momento foi apelativo ou hiperssexualizou as personagens, visto que o foco não era a fetichização de seus corpos, mas sim suas histórias e personalidades.

Sypha e as outras personagens citadas são exemplos do processo de transformação da forma de retratar figuras femininas. Pouco a pouco, observamos mulheres sendo retratadas no plano central da narrativa, com um visível desenvolvimento de suas complexidades e subjetividades. Ainda há um longo caminho para vermos personagens realmente bem escritas, mas Sypha marcou a indústria dos animes, ao romper com a tradição de retratar mulheres de forma superficial, sexualizada e extremamente estereotipada. 
O fim da série deixou saudades dessas personagens, mas, felizmente, a Powerhouse Animation Studios, em parceria com a Netflix, já anunciou o lançamento do spin-off da série, Castlevania: Nocturne. A produção trará como protagonista Simon Belmont, descendente de Sypha Belnades e de Trevor Belmont e, com sorte, apresentará novas personagens mulheres marcantes, em um enredo emocionante. 

Imagem de capa: Reprodução/ Twitter/ @CastlevaniaDaily

4 comentários em “Sypha Belnades e a representação feminina na série Castlevania”

  1. Só para acrescentar. Castlevania Nocturne não é um spin-off, e sim sua continuação direta. Para quem não tem conhecimento da história de Castlevania, ela se passar em épocas diferentes e narra fatos de alguns clans e famílias, dentre elas a família Belmont.

  2. Só para acrescentar. Castlevania Nocturne não é um spin-off, e sim sua continuação direta. Para quem não tem conhecimento da história de Castlevania, ela se passar em épocas diferentes e narra fatos de alguns clans e famílias, dentre elas a família Belmont.

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