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500 milhas de Indianápolis: O efeito Alonso e o que aprendemos dele
ARQUIBANCADA
22 jul 2017 | Por Jornalismo Júnior

Por Bruna Arimathea

Domingo, 28 de maio. Às 13h da tarde eu estava desesperada procurando por um link para assistir às 500 milhas de Indianápolis. E tudo bem em relação a isso, quantas outras pessoas também não estavam buscando a melhor forma para acompanhar a corrida icônica? Não seria em nada anormal, a não ser pelo fato de que eu não assisto Fórmula Indy. Não vi nenhuma corrida deste ano, e pouquíssimas dos anos anteriores. Mas essa? Eu realmente não queria perder! E tinha um fator muito, mas muito ponderante para essa decisão: Fernando Alonso.

Sendo bem sincera (e até honesta comigo mesma), eu nunca fui fã do Alonso. Nunca mesmo. Cara marrento, dava trabalho na pista. Lembro de uma corrida, até bem recente, Interlagos 2012, disputando o título, ponto por ponto, na última corrida da temporada, com Sebastian Vettel (esse sim, meu favorito!!!). Não bate mesmo. Mas a reviravolta que esse cara causou indo correr em outra categoria me deixou, além de intrigada, curiosa para saber o que tanto ele iria fazer para conseguir a Tríplice Coroa – título dado para quem conquista o GP de Mônaco, 500 Milhas de Indianápolis e as 24h de Le Mans.

Apesar de tudo, confesso que com o passar dos anos aprendi a vê-lo com outros olhos. Talvez sem a birra de torcedora, talvez pela empatia com o momento da McLaren, que eu não sei se o parou ou se reforçou ainda mais o talento que ele tem, o qual hoje sou obrigada a admitir com todas as letras. O fato é que a má fase pela qual o espanhol tem passado vai dando espaço para várias especulações e escapadas. Quando a oportunidade surgiu de correr por outra categoria, Alonso sabia que, para sua carreira e para o seu status, era a melhor coisa que ele poderia fazer no momento.

A possibilidade de correr as 500 Milhas veio de uma parceria da McLaren com a Andretti, uma equipe da Indy, ambas atendidas pela Honda. Uma corrida, valendo prêmio, carro laranja e tudo. Para isso seria necessário perder o GP de Mônaco, mas teria a chance de correr em um carro que pudesse vencer alguma coisa. É só colocar na balança a cabeça de um bicampeão mundial que não ganha nada há muito tempo.

E foi aí que a comunidade do automobilismo veio abaixo. Alonso perdendo Mônaco? Mas o GP é magistral, clássico, um símbolo na F1! Mais velho que o próprio esporte. A argumentação foi muita, mas ainda assim, ele preferiu as curvas ovais ao invés do cassino e simplesmente foi.

As semanas que se passaram de atividades, desde treinos até o dia da corrida, foram de um holofote gigante e bem aceso em cima de Fernando Alonso. Nas mídias, o piloto sorria nos Estados Unidos, comentava e rasgava seda para o novo ambiente que estava começando a frequentar. Aproveitava os microfones para elogiar, em tudo, a Fórmula Indy, e alfinetar a Fórmula 1. Ele estava sendo ouvido. Ouvido, assistido, acompanhado. A impressão que eu tenho é que ele não deu um só passo sem que nós, aqui do outro lado, não soubéssemos.

Até um pouco assustada com a repercussão, fui pesquisar sobre os efeitos midiáticos que o espanhol tinha trazido para a Indy, e fiquei surpresa tamanho resultado. Em termos de internet, a interação nas redes sociais da categoria aumentou em mais de 180%. O tráfego da web subiu 94% em comparação ao ano anterior. As transmissões online dos treinos das 500 Milhas aumentaram em – pasmem – 1528%!! Nem a própria organização poderia imaginar números tão altos.

O efeito Alonso soava alto e claro, sem contar que dava, não só pra Indy, ou para Fórmula 1, mas para o automobilismo em geral, ares de grandes tempos de popularidade e entusiasmo. Foi, por meio dessa prova, interessantíssimo para todos nós acompanhar a saga do espanhol pela categoria.

Será que ganha? Não ganha? Se adapta ao carro? Será que sai da Fórmula 1? Será que ele vai conseguir passar pela experiência? Nos perguntávamos o tempo todo, comentávamos o tempo todo e enchíamos as nossas redes sociais com um conteúdo e uma empolgação que há muito tempo não se via em um mundo tido, muitas vezes, como velho e desatualizado. E como isso fazia bem! Mostrou humanidade no mundo das máquinas, fez pessoas que não faziam ideia pararem para ver quem é que era esse tal de Fernando Alonso e o que era essa tal de 500 Milhas de Indianápolis. E eu ainda acrescentaria: se para quem não tinha muita intimidade foi intrigante, para quem estava no meio foi o ápice do aprendizado em como construir relações que, de fato, unam um público do esporte. E era muito bom ver como tudo estava funcionando.

No fim das contas eu achei um link, mas não vi o Alonso terminar a corrida. Faltando 21 voltas para o fim, seu motor Honda – SIM! – explodiu, encerrando sua participação, quando mantinha um simbólico sétimo lugar. A ironia toda, que tirou o espanhol da pista, foi mais significativa para mim, que estava assistindo, do que o próprio abandono de corrida para o piloto. Se enquanto para ele, valeu a experiência da Indy, para mim pouco importava qual categoria era.

Fosse qualquer outra modalidade, o espetáculo de ver alguém do nível de Fernando Alonso balançando o automobilismo da maneira como fez, com todas as façanhas daquelas semanas de maio, valeu completamente os dias em que fomos abarrotados com informações, das mais banais às mais interessantes, além de exprimir muito do que sentimos falta e do que queremos ver daqui para frente.

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