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CINÉFILOS
26 jan 2014 | Por Jornalismo Júnior

por Gabriel Lellis
g.lellis.ac@gmail.com

“Meu nome é Jordan Belfort. No ano do meu 26º aniversário eu ganhei 49 milhões de dólares. Fiquei furioso, porque era menos de um milhão por semana”. Com essa quantia milionária de dinheiro foi possível comprar iates, promover orgias, fazer amizade com poderosos traficantes internacionais e destruir o legado da corretora Stratton Oakmont. Pode parecer história criada para o cinema, mas, por trás dos vidros espelhados de Wall Street, se escondem homens e mulheres cuja quantidade de dinheiro é diretamente proporcional ao excesso de prazeres loucos.

Dirigido por Martin Scorsese e indicado a cinco Oscars, O Lobo de Wall Street (The Wolf of Wall Street, 2014) é baseado na autobiografia homônima de Jordan Belfort, ex-milionário polêmico da bolsa de valores americana, preso por fraudar investidores e conhecido por suas extravagâncias financeiras.

Narrado de forma metalinguística pelo protagonista (interpretado por Leonardo DiCaprio), o filme ao longo de suas três horas de duração conta as sucessivas ascensões e quedas na vida de Jordan, capaz de ganhar 4 milhões de dólares por minuto e de gastar 600 milhões em uma noitada de hotel.

É inegável que, após sucessivas atuações de excelência, DiCaprio se firmou como um dos atores mais talentosos de Hollywood. No papel de Jordan, alcançou um nível máximo de maturidade em cena, transmitindo da forma mais intensa possível a complexa mistura de ironia e fúria de sua personagem. Surpreende o seu até então pouco conhecido talento cômico, principalmente nas cenas de humor físico envolvendo o vício de Jordan por drogas. Não surpreende o seu favoritismo na disputa ao Oscar de melhor ator.

O elenco de apoio não falha ao representar todo o ambiente de luxuria e perversidade envolvendo Jordan. No papel de Donnie Azoff, vice presidente da Stratton Oakmont, o ator Jonah Hill rouba a cena com suas frases de efeito. Matthew McConaughey – ainda visivelmente mais magro em decorrência de sua participação em Clube de Compras Dallas (Dallas Buyers Club, 2014) também se destaca nos curtos minutos em que aparece e ensina para Jordan as estratégias necessárias para sobreviver em Wall Street.

Por trás da insanidade produzida por tamanha quantia de dinheiro, o filme traz consigo uma grande crítica à selvageria do capitalismo que alimenta Wall Street. Aparentemente, as verdejantes notas de dólar podem tudo comprar e tudo modificar, como um Deus onisciente. O ambiente de trabalho da Stratton Oakmont é reflexo desse poder. Nele, os funcionários se deixam contaminar pelo espírito empresarial, sendo capazes até mesmo de permitirem humilhações físicas por dinheiro. De uma forma incrível, as loucuras de Jordan são responsáveis por criar um sentimento de cumplicidade com seus funcionários, levando-o a um status incontestável de líder. Seu talento retórico é algo quase instintivo.

O filme tem a marca de Scorsese, com trilha sonora impecável, boa direção do grupo de atores, câmera sempre bem posicionada e sem medo de usar recursos panorâmicos e slowdowns.

O Lobo de Wall Street pode ser considerado uma obra prima moderna. São 180 minutos que desvendam a vida privada do mundo do dinheiro. Para alguns espectadores, a longa duração e o excesso de sexo, substâncias alucinóginas e acontecimentos insanos sucessivos podem parecer cansativos ou irritantes. Entretanto, Scorsese e DiCaprio deixam uma marca de estilo no cinema Hollywoodiano e vêm como favoritos na disputa ao Oscar.

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