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Amor na terceira idade
CINÉFILOS
12 jan 2015 | Por Jornalismo Júnior

Por Giovanna Lukesic,

Numa sociedade em que se valoriza exageradamente o jovem e, principalmente, a aparência jovem, é incomum vermos protagonistas com mais de sessenta anos: os atores idosos quase nunca são a parte central da história, apenas complementam-na com papeis pontuais. Isso pode estar mudando. Recentemente, vários filmes estrelados por veteranos do cinema foram lançados, abordando temas como o processo de envelhecimento, que afeta tanto física como psicologicamente. São exemplos: O Quarteto (Quartet, 2012), O Exótico Hotel Marigold (The Best Exotic Marigold Hotel, 2011) – ambos estrelados por Maggie Smith –, Glória (Gloria, 2013), Ninho Vazio (El Nido Vacío, 2008), entre outros.

Uma das razões para isso pode ser o fato de que a população idosa está aumentando, bem como sua expectativa de vida, ou seja: há mais idosos vivendo mais tempo. A ONU prevê que, até 2050, a população idosa vai triplicar, passando de 21 para 64 milhões – isso só no Brasil. No mundo, o número de pessoas com mais de 60 anos chegará a 200 milhões.

Um dos temas abordados pelos recentes filmes sobre terceira idade é amor, afinal, esse sentimento também faz parte da vida dos idosos. Abaixo, uma lista dos filmes que você não pode perder!

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Amor (Amour, 2012)

Vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro em 2013 e, no ano anterior, da Palma de Ouro, prêmio do famoso Festival de Cannes, o filme mostra a vida de dois octogenários, George e Anne, interpretados pelos talentosíssimos veteranos do cinema francês Jean-Louis Trintignant e Emmanuelle Riva. Eles são ex-professores de música erudita que vivem uma rotina agradável, posta em cheque após Anne sofrer um derrame, levando-a a uma cirurgia que compromete um lado de seu corpo.

A partir de então, o filme passa a mostrar a rotina de George cuidando de Anne, a qual fica cada vez mais incapacitada fisicamente. O diretor do filme mostra também o distanciamento da filha do casal, Eva (Isabelle Huppert). Apesar de fazer algumas visitas aos pais, é fácil ver que não há uma forte ligação entre eles, sendo difícil para ela aceitar a decisão do pai de tomar conta da esposa em casa.

https://www.youtube.com/watch?v=bOAvhM7HAnk

Um grande tapa na cara, o filme de Michael Haneke choca por tratar a ideia exatamente contrária do que se espera ao ler o título. Vemos a crueldade de uma velhice avançada e comprometida, mas também nos é dada a chance de saborear o amor na sua forma mais real e as implicações que vêm com ele, ou seja, o sentimento como um todo, exposto de uma forma sem disfarces. Dono de uma produção fantástica, o filme atinge quem está assistindo, independente da faixa etária.

Elsa e Fred (Elsa y Fred, 2005)

O filme argentino conta a história de Fred (Manuel Alexandre), um recém-viúvo tranquilo de cerca de 80 anos que sofre de hipocondria – e também de uma vida muito regrada, e de Elsa (China Zorrilla), como ele mesmo a define, uma criança no corpo de uma idosa. Divertida, péssima motorista e ótima na improvisação, ela é responsável por uma clichê, mas incrível, mudança na vida de Fred e, consequentemente, na sua também.

Eles já se conhecem com Elsa aprontando. Após bater no carro da filha de Fred, ameaçar o neto dele para que não diga que foi ela e ainda negar quando o menino contou a verdade para sua mãe, Elsa engana o novo vizinho e fica com o dinheiro que seria destinado ao conserto do carro. A partir daí, os dois passam a se encontrar com frequência – no começo, por insistência de Elsa.

Os dias vão passando e Fred se apaixona pelo jeito maluco de Elsa, o que faz com que ele aceite, na maioria das vezes e de bom grado, as maluquices da vizinha. É amável ver como ele cede às loucuras dela, rompendo com seu jeito correto de levar a vida. Apesar de simples, é uma divertida história de amor cuja maior lição é que a vida deve ser vivida de fato a todo momento.


Longe Dela (Away From Her, 2006)

O filme, que é uma produção canadense da atriz e pela primeira vez diretora Sarah Polley, foi indicado ao Oscar em 2006 na categoria de Melhor Roteiro Adaptado (do conto de Alice Munro, “The Bear Came Over The Mountain”) e conta com excelentes atores – a protagonista Julie Christie chegou a ser indicada ao Oscar de melhor atriz daquele ano. O longa trata a doença de Alzheimer de maneira sensível, mas não dramática.

Grant (Gordon Pinsent) e Fiona (Julie Christie) levam uma vida agradável na casa de campo que moram há 20 anos, um tanto afastados da cidade. O que passa a abalar a vida do casal são as falhas de memória que ela apresenta, cada vez mais frequentes. Após uma visita ao médico, vem a confirmação: Fiona sofre de Alzheimer, uma doença neurodegenerativa e incurável.  Ao tomar consciência das consequências inevitáveis da doença, a personagem sente que está desaparecendo aos poucos e se dá conta de que não será a única atingida: seu marido também sofrerá com a progressão do mal de Alzheimer.

Ela, então, opta por se internar numa clínica para idosos cuja política impede que os internos recebam qualquer visita no primeiro mês para que se acostumem com o local. Apesar de Grant não gostar desse plano, cede à vontade da esposa. Quando finalmente o período de adaptação acaba, ele é surpreendido por uma Fiona que não parece se lembrar de sua vida ao lado dele e ainda pior, está afeiçoada a outro paciente da clínica, Aubrey (Michael Murphy).

Apesar de algumas sequências confusas, o filme é interessante e mostra como o personagem lida com essa situação inusitada e os sentimentos desconfortáveis provenientes dela.

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Belos Dias (Les Beaux Jours, 2013)

Baseado no romance de Fanny Chesnel, o filme adaptado e dirigido pela diretora Marion Vernoux conta a história de Caroline (Fanny Ardant), uma dentista de sessenta anos que resolve se aposentar após discutir com um paciente. Ela se vê, então, diante de um excesso de tempo livre com o qual não sabe lidar. Seu tédio e desconcerto nessa situação são tão perceptíveis que recebe das filhas e do marido um mês grátis no clube de terceira idade Belos Dias, o qual dá nome ao filme. É lá que Caroline conhece Julien (Laurent Lafitte), um homem mais jovem com quem começa a ter um caso.

É com ele que a protagonista começa a reviver prazeres simples, antes esquecidos em meio à rotina dela e do marido. Apesar do relacionamento com um homem da idade de suas filhas ser o chamariz do filme, não é o ponto central: Julien é apenas o empurrão que Caroline necessitava para dar o primeiro passo de liberdade, sem que seus familiares a monitorassem, preocupados com cada uma de suas reações. O que é explorado é a protagonista e a sua redescoberta de si mesma, contando com uma louvável atuação de Fanny Ardant.

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Canção Para Marion (Song For Marion, 2013)

Um filme leve cuja intenção é mostrar que nunca é tarde.  Do diretor Paul Andrew, Vanessa Redgrave e Terence Stamp são os protagonistas Marion e Arthur, responsáveis por fantásticas atuações. Ela está num estágio terminal de câncer, mas nem por isso deixa de frequentar o coral de velhinhos da cidade – todos alegres e dispostos. Ele é um senhor rabugento, que não vê diversão em nada e tem problemas em se relacionar com o filho James (Christopher Eccleston).

O resto da história não foge ao clichê esperado de filmes que envolvem um casal e doenças terminais: consciente de que irá partir em breve e da necessidade de consertar a relação de pai e filho, Marion tenta convencer o marido a se aproximar tanto do coral como de James, mas sem resultados.

Apesar do roteiro previsível, o filme não deixa de ser sensível e ainda é balanceado pelas ótimas interpretações dos protagonistas, valendo a pena assistir.

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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