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As Aventuras do Garoto Comida: uma produção que não desce
CINÉFILOS
25 mar 2018 | Por Jornalismo Júnior

Foi bem tosco, né?” – essa é a frase que Erza (Lucas Grabeel) usa para definir um dos acontecimentos do filme. Na verdade, a sentença serve para resumir a produção inteira.

Vamos à premissa: Erza é um garoto comum, mas ambicioso. Ele está no último ano de colegial e acredita que, apesar das boas notas, do golfe e do trabalho voluntário, ainda falta um “grande feito” para garantir a sua entrada numa faculdade renomada. Erza decide, então, que esse enorme feito será tornar-se presidente de classe. Seus amigos o auxiliam na campanha para que ele tenha chance de receber algum voto, e, em meio a isso, o adolescente descobre ter um superpoder: produzir comida (aleatoriamente) com suas próprias mãos. Cria-se, então, um conflito de interesses em Erza: ele deve usar o seu poder em benefício próprio e conseguir popularidade através dele? Ou deve procurar uma maneira de utilizá-lo “para o bem”?

É claro que, com uma sinopse dessas, não é de se esperar uma história que vá mudar sua vida ou algo parecido, mas o começo do filme até engana. Tem um clima de produção da Disney comum, desses que sempre passam na Sessão da Tarde, só que não são queridinhos do público porque não contam com a presença da Selena Gomez ou da Demi Lovato. Porém, antes mesmo de Erza começar a soltar comida pelas mãos, a ficha de que o filme é ruim já cai, só pela futilidade do personagem principal. O “Garoto Comida” tem “problemas” extremamente rasos: um deles é não ser popular. É muito White People Problem.

Antes de descobrir seu poder, para ganhar popularidade, Erza e seus amigos decidem que uma boa ideia é bater alguns alimentos aleatórios no liquidificador e ele beber a mistura resultante em meio ao refeitório do colégio. Lembra muito esses vídeos atuais em que alguns youtubers fazem misturas estranhas e bebem, só pra ter views. Seria As Aventuras do Garoto Comida (The Adventures of Food Boy, 2008) um precursor disso? De qualquer forma, é ruim. É muito ruim.

Os efeitos visuais também não ajudam

Depois que Erza descobre seus poderes, aí que o filme derrapa de vez. Honestamente, chega a ser nojento o rapaz aparecer com mostarda ou manteiga de amendoim nas mãos, do nada. Não é nada demais, mas é nojento. E a gente até tenta compreender o conflito do protagonista, que fica na dúvida sobre como usar o seu dom, mas não tem por que existir conflito. O poder de Erza não serve pra acabar com a fome no mundo porque ele nem pode produzir muita comida. Resumindo: ele não é um super herói, é só um menino com comida voando saindo das próprias mãos, literalmente.

Mas, se você achou ruim até aqui, saiba que tem como ficar pior. No final do filme, Erza está para decidir se vai seguir com o seu poder para o resto da sua vida ou se deseja ficar sem ele. Para que o seu dom desapareça, ele precisa apenas ficar sem utilizá-lo naquele dia em específico. Como o adolescente não aguenta mais todas as confusões em que se meteu desde que passou a ter essa característica peculiar, ele está determinado em não produzir alimento algum aquele dia.

Mas, para combinar com o clima do filme, inicia-se uma guerra de comida. Nessa cena, os personagens agem como se estivessem em meio às trincheiras. O adversário de Erza nas eleições para presidência de sala acaba escorregando e caindo, se machucando. Então, para salvá-lo de um terrível fim, nosso herói volta atrás e usa seu poder: produz uma salada de legumes congelada para colocar em cima do olho machucado. É isso. Foi assim que Erza usou o seu poder para o bem. Não tem outra palavra: tosco. Muito tosco.

Não dá para dizer que o filme ser ruim é surpreendente. Na verdade, é de se esperar. Mas ainda assim, em algumas cenas é de se imaginar que estão duvidando da inteligência de quem assiste. As Aventuras do Garoto Comida impressiona, mas obviamente, não positivamente. Se você quiser perder 90 minutos da sua vida, esta é uma boa pedida.

Por Ane Cristina
anecristina34@gmail.com

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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