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As diferentes faces da profissão mais antiga do mundo
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17 jun 2018 | Por Jornalismo Júnior

Com os mais variados estilos de vida, prostitutas falam sobre seu trabalho e o que enfrentam no dia a dia

Por Fernanda Pinotti (fsilvapinotti@usp.br)

Em plena luz do dia ou nas madrugadas frias, é possível ver garotas com roupas curtas e provocantes que se sustentam em cima de seus saltos aguardando seus clientes, ou mulheres que esperam nas “casas de show” o próximo homem aparecer na escada para irem cumprimentá-lo. Todos os tipos de mulheres. Trans, cis, brancas, negras, jovens, velhas. Em qual face você pensa quando pensa em prostituição?

Descer a rua Augusta é algo recorrente, e no caminho, sempre os mesmos prostíbulos, todos no mesmo quarteirão, todos enfileirados do mesmo lado da rua. Dentro deles o ambiente é mal iluminado, com luz fraca e música alta, as garotas tentam persuadir o cliente a comprar alguma das bebidas mais caras, já que a casa paga comissão pelo consumo que elas incentivam no bar.

Marina (nome fictício), de 22 anos, é do interior de São Paulo, e fazia seu segundo ano de faculdade em pedagogia quando a faculdade foi fechada. Ela veio para São Paulo para tentar melhorar de vida e começou na prostituição, diz que pretende ficar apenas alguns anos no ramo e depois voltar para a faculdade e se formar. Ela canta junto ao rock antigo que toca no local e em seguida me pergunta se eu uso drogas e diz que gosta de cocaína “pra relaxar e curtir mais”.

As mulheres circulam antes de escolher de qual cliente se aproximar, uma delas conta que havia prestado um concurso público e passado, porém nunca foi chamada, então continuou na prostituição. Conversando com um grupo delas no fumódromo, dizem que ninguém é obrigada a pegar cliente caso não queira, e que quando o cliente é muito velho ou está muito sujo, as garotas acabam nem conversando. Cinco minutos de conversa depois, um dos homens que trabalha no local escancara a porta gritando “tá cheio de cliente de verdade, para de perder tempo aí” e todas saem sem pressa em direção ao bar.

Longe das casas abafadas e escuras da rua Augusta, há uma avenida conhecida como o ponto da prostituição na zona oeste de São Paulo, ao lado da Cidade Universitária. Em uma rua mais escura ainda, gelada com o frio da noite, as garotas de programa ficam em grupos em cada esquina, aparentemente divididas entre transsexuais de um lado da rua e cis do outro. De roupas curtas e salto alto, comentam que o movimento está muito fraco no dia, “a crise afetou muito a gente aqui, todo mundo tá pensando em comprar as coisas necessárias e não sobra dinheiro pro sexo, que é secundário”. Uma das mulheres se maquiava na calçada enquanto contava: “Hoje tive que sair mais cedo de casa, eu moro com uma pessoa que bebe muito e ele tava tendo um surto e tive que sair, não ia dar pra me arrumar lá.”

“Só porque você trabalha aqui você não é obrigada a fazer tudo que querem, você faz o que você foi paga pra ser feita” (Imagem: Fernanda Pinotti)

Wanessa, de 25 anos, conta que se envolveu com a prostituição após uma briga com a mãe, “ela trabalhava aqui e não tinha me contado, eu fiquei tão brava que de pirraça vim parar aqui também”. Depois disso, outra garota de programa que ouvia a conversa completou “eu me arrependo todos os dias da minha vida de ter posto o pé aqui, se pudesse voltar eu não vinha pra cá nunca”. Wanessa diz que gostaria de terminar os estudos, já que largou a escola na quarta série e aprendeu a ler e escrever na rua. Ela pretende virar cozinheira quando sair da prostituição: “Eu gosto dessas coisas de comida, o brasileiro deixa de fazer qualquer coisa menos de comer.”

A garota já trabalhou em prostíbulo, mas como não conhecia ninguém acabou voltando pra rua onde já tinha colegas, mesmo o lugar sendo perigoso. Trabalhando sozinha, já foi largada no meio da avenida, já enfrentou clientes que se recusaram a pagar o programa e frequentemente lida com pessoas que passam só para agredir as mulheres, “já jogaram latinha, já jogaram extintor, já acusaram a gente de roubo”. Ela diz que trabalhar por conta própria sem pagar nada para ninguém é bom por um lado mas não por outro, “quando você trabalha pra alguém, alguém tá te protegendo, e se você não trabalha pra ninguém, não tem proteção nenhuma. Só porque trabalha aqui você não é obrigada a fazer tudo que querem, você faz o que você foi paga pra ser feita.”

Wanessa diz que não gosta do trabalho, mas prefere isso a não ter dinheiro nenhum. Ela chegou a trabalhar na reciclagem de material, mas o dinheiro não era o suficiente, então voltou para a prostituição, e pretende sair assim que conseguir um emprego com carteira assinada. “Eu tenho um monte de filho, eu tenho sete filhos, você vê seu filho pedindo as coisas e você não tem como dar, isso é pior que se prostituir.”

“As pessoas acham que só o que tem é aquela prostituta que sai com gente famosa, no mínimo as que estão ali descendo a Augusta” (Imagem: Leonardo Pezzolato)

Ainda de tarde, enquanto havia luz do sol, perto da estação da Sé e ao lado de um hotel, um grupo de garotas de programa espera na rua. Elas cumprimentam os funcionários da lanchonete que fica ao lado calorosamente, como vizinhos que dia após dia convivem com tranquilidade.

Uma delas é Bruna, de 23 anos. Chegou em São Paulo um ano antes buscando emprego e começou a se prostituir para guardar dinheiro e poder voltar para a Bahia, sua terra natal e onde deixou seu filho. Lá ela era cabeleireira e pretende retornar para voltar a exercer a profissão. Para a garota, trabalhar na rua a deixa muito vulnerável e, por segurança, elas só atendem no hotel. Ainda assim, casos de clientes que tentam levá-las a força pra outro lugar são comuns. Mesmo trabalhando na rua, Bruna tem que pagar para o homem que se diz “dono do ponto”. Ele recebe metade de tudo que elas ganham e em troca oferece a proteção do hotel, mas ela garante que a maior proteção vem das próprias garotas. “Aqui todas são unidas. Mexeu com uma mexeu com todas.”

O que mais a incomoda é o preconceito de quem acredita que todas as prostitutas estão infectadas com alguma doença sexualmente transmissível (DST). “Quando alguma garota chega aqui, a primeira coisa explicada é que não pode ter relações sem camisinha, não pode fazer sexo oral sem camisinha. O homem não pode tocar na gente sem antes passar um álcool em gel na mão, é tudo bem limpo.” Mesmo assim elas sofrem com aqueles que se atém ao senso comum, “esses dias passei por uma situação que uma mulher passou gritando falando que aqui todo mundo tinha AIDS”. Ela diz que não importa a quantia oferecida, sempre recusa o sexo sem proteção e que quando o cliente insiste muito em fazer o programa sem camisinha é porque tem altas chances de estar infectado.

Bruna geralmente é a primeira a chegar. Ela começa às 8h da manhã no ponto e fica até às 22h, sempre pensando em juntar dinheiro para voltar para a Bahia ainda esse ano. Seus clientes geralmente são idosos, muitos deles estrangeiros que querem conhecer brasileiras, e quase todos são casados. As garotas acabam agindo muitas vezes como psicólogas além de prostitutas, já que os clientes acabam desabafando sobre os problemas que têm no casamento e com a família. Bruna, inclusive, já chegou a se envolver emocionalmente com um cliente, mas conta que é melhor evitar essa situação e manter as duas vidas separadas. “Quase diariamente ele vinha aqui e confiei de falar meu nome verdadeiro, aí ele me achou no Facebook. Fiz um post como se estivesse trabalhando numa loja, porque minha família não sabe que eu trabalho aqui. Ele comentou ‘que bom que você conseguiu sair daquela vida’, ainda bem que eu vi rápido e apaguei na hora, acho que ninguém viu.”

“Aqui todas são unidas, mexeu com uma mexeu com todas” (Imagem: Fernanda Pinotti)

Linda Rocha, de 45 anos, também trabalha lá, e diz que considera Bruna como uma filha. Ela também vem da Bahia e, com seu jeito enérgico, conta que na juventude trabalhava como balconista em São Paulo, até que foi convidada por uma amiga para ser acompanhante em um karaokê. “Da primeira vez, fiquei morrendo de medo e de vergonha e fiquei só fazendo companhia, mas só de fazer companhia já ganhei uma bolada. Eles pagavam em dólar, aí eu continuei fazendo isso né, e ganhava o triplo do que como balconista”. Linda sempre teve o sonho de dar uma vida melhor para sua mãe, ter uma casa própria, um carro e foi com a prostituição que conseguiu tudo isso. Após se casar, ela parou de se prostituir por um bom tempo, até que se divorciou e voltou a trabalhar nas ruas há poucos meses para pagar os cursos de cabeleireira que está fazendo.

A família toda de Linda sabe sobre sua profissão e aceita. Ela não quer esconder nem mesmo de seus filhos: “Meu filho não sabe ainda porque é pequeno, mas assim que fizer 15 anos eu já explico pra ele: ‘Tu vê a vida boa que mamãe dá pra tu, é desse jeito’”. A mulher é muito animada com a vida, faz amizade com todos que passam por lá e acredita que desse jeito ninguém nunca vai tratá-la mal. Quando eu já estava de saída, pediu para que sempre que estivesse de passagem a convidasse para tomar um lanche.

Em um flat muito bem localizado em Moema e bem longe das ruas, se encontra Carolina (nome fictício), de 21 anos e aparência impecável. Ela trabalha por conta própria como acompanhante e garota de programa e atende na própria casa. Carol começou aos 18 anos. Morava no interior e queria sair de casa a qualquer custo, sua mãe tinha problemas com drogas e seu pai foi morto quando ela ainda era criança. Assim que atingiu a maioridade, veio para São Paulo sem saber muito bem o que queria.

Hoje ela diz que isso mudou. Tem planos de juntar dinheiro e pretende parar no futuro para formar uma família. Ela quer começar a cursar odontologia e já começou psicologia, mas largou o curso por não gostar.

No começo de sua carreira, ela trabalhava para outras pessoas, e tinha que pagar metade do que ganhava. Hoje ela atende por conta própria e prefere assim. A garota anuncia seu trabalho em sites de acompanhantes, porém seus gastos são altos, o que torna difícil conseguir guardar muito dinheiro. “O meu custo de vida é muito alto, o flat é caro, o anúncio no site é caro, é tudo muito caro aqui em São Paulo”. Seu público habitual são homens na faixa dos 30 anos e ela não atende mais velhos que 50. Os clientes são, na maioria, casados, e ela fica disponível o dia todo, todos os dias da semana, para atender no flat ou sair como acompanhante.

Carolina explica que se cadastrou ano passado como Microempreendedor Individual (MEI), como dona de uma empresa de eventos, e por conta disso consegue investir seu dinheiro e fazer com que seus lucros rendam mais. A garota diz nunca ter tido problema com nenhum cliente. Já atendeu  homens excêntricos que a deixaram apreensiva, porém nunca esteve em perigo.

“Quando alguma garota chega aqui, a primeira coisa explicada é que não pode ter relações sem camisinha” (Imagem: Fernanda Pinotti)

Muito longe da parte nobre da cidade de São Paulo, no Parque da Luz e nas proximidades da estação de trem, as mulheres que ficam sentadas nos bancos ou encostadas na passarela já aparentam a velhice que têm. Ainda usam roupas curtas e a maquiagem forte, porém sua realidade é bem diferente da de garotas de programa mais novas.

Cleone, já idosa e ex-prostituta, hoje é ativista e idealizadora da organização não governamental (ONG) Mulheres da Luz, que visa ajudar essas mulheres mais velhas que se prostituem.  “A prostituição é muito parecida com a profissão de jogador de futebol, tem uma idade limite, até os 35 anos. Depois, as grandes casas de prostituição já não absorvem mais. Primeiro elas passam pela Augusta, pelas casas, depois vão descendo até vir parar aqui na Luz”. Ela conta que após os 50 anos fica muito difícil a mulher se sustentar apenas com a prostituição, pois elas passam a não receber dinheiro suficiente nem para alimentação. A ONG tenta ajudar as mulheres através de doações de cesta básica e parcerias com postos de saúde e faculdades de medicina, como a Uninove.

Para Cleone, como essas mulheres viveram da prostituição a vida toda, é muito difícil conseguir outro emprego, “elas não vão extrair aqui nada mais da prostituição e também não conseguem ir pro mercado de trabalho, porque não tem perfil, não tem escolaridade, a idade não permite”. No espaço onde funciona a organização, elas procuram ocupar o tempo ocioso dessas mulheres que já não conseguem mais tantos programas, “a gente tenta mostrar pra elas que existem outras alternativas, mas não falamos ‘saia da prostituição’ ou coisa assim. Essa não é nossa proposta, mas sim politizar e até mesmo alfabetizar as mulheres, para que elas comecem a ver que existem outras opções de vida.”

A ativista também sofre ao tentar convencer as mulheres de que elas têm o direito e o dever de usar os benefícios do Governo. Muitas delas morrem ou ficam debilitadas por conta de doenças que poderiam ser tratadas se tivessem consciência que também têm direito a saúde pública.

Cleone fala que, como mulher negra, também enfrentava dificuldades na época em que se prostituía: “Nós, mulheres negras, não temos tanto espaço nas grandes casas, porque eles querem o perfil que a sociedade define. Branca, magra, de cabelo liso. Como em todos os setores da sociedade, na prostituição é igual.”

A ex-garota de programa fica feliz de falar sobre o trabalho que realiza com a ajuda de voluntários, pois ela considera que as prostitutas da Luz são invisíveis aos olhos da sociedade. “As pessoas acham que só o que tem é aquela prostituta que sai com gente famosa, no mínimo as que estão ali descendo a Augusta, porque chegando aqui eles acham que a mulher velha, idosa, não se prostitui.”

No pequeno espaço que fica no porão da administração do Parque da Luz, sempre tem café saindo. Num canto, um cesto cheio de preservativos masculinos e femininos, e em volta da pequena mesa redonda há sempre mulheres debatendo. Cleone diz que esse é um dos pontos principais da organização, “eu quero um espaço onde as mulheres cheguem, entrem, tomem um café, falem o que elas quiserem”, é a partir da conversa e das demandas das mulheres que a ONG pauta as discussões. “Não tem um dia que em volta dessa mesa aí a gente não faz uma discussão, e é sempre com elas trazendo um tema.”

“Primeiro elas passam pela Augusta, pelas casas, depois vão descendo até vir parar aqui na Luz” (Imagem: Fernanda Pinotti)

A regulamentação

A proposta de lei (PL) Gabriela Leite – nomeada em homenagem a prostituta e ativista que articulou o movimento pela luta de direitos das profissionais do sexo – é feita pelo Deputado Jean Wyllys do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL). Ele contou com ajuda da própria Gabriela Leite, antes de seu falecimento em 2013.

A PL tem como objetivo a regulamentação da prostituição, que já não é considerada crime, porém não conta com nenhum controle ou benefício promovido pelo Estado. Na proposta, é considerada como profissional do sexo “toda pessoa maior de dezoito anos e absolutamente capaz, que voluntariamente presta serviços sexuais mediante remuneração”. Preconiza que esses profissionais tenham o direito de aposentadoria, direitos trabalhista e de segurança pública. Também consta na proposta a legalização das casas de prostituição, desde que não se exerça quaisquer tipos de exploração sexual, classificados como: I – apropriação total ou maior que 50% do rendimento de prestação de serviço sexual por terceiro; II – o não pagamento pelo serviço sexual contratado; III – forçar alguém a praticar prostituição mediante grave ameaça ou violência.

Foto postada nas redes sociais do vereador Jean Wyllys no dia da morte de Gabriela Leite (imagem: Reprodução)

A realidade é que a proposta que tramita no Câmara não possui voz alguma nas ruas. Quando questionadas se eram a favor da proposta de regulamentação, todas as mulheres responderam não saber bem do que se trata, nem como a proposta iria afetá-las. A maioria falou que a prostituição tinha se tornado algo tão comum para elas que é difícil pensar que a situação poderia mudar com a regulamentação.

Bruna afirmou que seria bom se o valor que o cafetão ganha em cima delas diminuísse. “A gente acaba tendo todo o trabalho e ele ganha metade ficando em casa, só por chegar e falar ‘eu sou o dono do ponto’”. Porém, até mesmo a proposta de lei continua permitindo que os exploradores fiquem com o máximo de 50% do valor que as garotas recebem.

Carolina, como trabalha por conta própria e atende em sua casa, acha que a regulamentação seria pior para seus lucros. Mesmo não conhecendo a proposta, ela acredita que provavelmente teria que pagar mais impostos e teria gastos maiores.

Apenas Cleone, por ser ativista, mostrou conhecer bem a PL e se afirma contrária: “Eu não sou abolicionista [pessoa que considera a prostituição apenas uma forma de exploração capitalista do corpo mulher e que defende sua abolição], mas a proposta do abolicionismo é mais próxima da nossa posição contra a regulamentação”. Para ela, nos moldes que a lei está sendo feita, não contribui em nada para elevar a estima das mulheres, e sim para o cafetão ter tranquilidade, “poder explorar com o aval do governo”. Ela acredita que perder 50% do que ganha é uma semi escravidão. Ainda afirma que as mulheres que ajuda não mostram interesse algum na proposta já existente, porém se mostrassem, estaria do lado delas.

A vereadora pelo PSOL do Rio de Janeiro, Indianara Siqueira é mulher trans e prostituta. Afirma, em entrevista à escritora e doutora pela Universidade de Campinas (Unicamp), Amara Moira para seu site, que a proposta favorece apenas as garotas de programa, ao contrário do que defende Cleone. “Por exemplo, se hoje eu me prostituo nesse bar e a polícia chega aqui e resolve fechar o bar porque ele incentiva a cafetinagem, amanhã eu vou trabalhar aonde? Vou voltar para as ruas, onde é mais perigoso e não tem proteção.” De acordo com ela, a não aprovação da PL só beneficia os policiais e milicianos que recebem suborno para manter as casas funcionando.

A vereadora deixa claro que os acordos entre as prostitutas e os donos das casas de prostituição são como qualquer acordo comercial, porém apenas na área da prostituição eles são proibidos, “as pessoas que trabalham nos salões de cabeleireiro fazem acordo também com os salões, e só na questão da prostituição é que os prestadores de serviço têm que ser criminalizados. É isso o que nós não queremos.

A regulamentação parece a melhor alternativa para tirar essas mulheres da margem da sociedade e fornecer a elas a segurança de um trabalho reconhecido pelo Estado como legítimo. A proposta, porém, deveria ocorrer de forma a diminuir a exploração que elas sofrem de terceiros. A PL atual permite que os cafetões continuem se apropriando de metade do lucro das prostitutas, e não oferece opção melhor que a rua para as garotas que querem trabalhar de forma independente.

Em meio a muitas falas, como “é só mais um trabalho como qualquer outro,” e também “pretendo parar assim que conseguir um emprego melhor”, fica claro que as garotas de programa, mesmo marginalizadas, não querem ser vistas como se merecessem pena por ter esse trabalho. Elas merecem seus direitos, segurança ao trabalhar e mais oportunidades, para que a vida de prostituição não seja uma sentença, e sim uma opção.

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