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‘Baby’: o grande fim do drama adolescente italiano
Controle Remoto
27 set 2020 | Por Marina Bittencourt (maribcg@usp.br)

A terceira e última temporada da série produzida pela Netflix, Baby, estreou na plataforma no dia 16 de setembro. O drama é baseado na história real “Baby Squillo”, caso de 2014 em que duas garotas adolescentes foram descobertas de serem aliciadas a prostituição em Roma, revelando uma cadeia enorme ligada a muitos poderosos da alta sociedade italiana, como o marido da política Alessandra Mussolini. O espectador segue a jornada de Chiara (Benedetta Porcaroli) e Ludovica (Alice Pagani), pertencentes à classe alta da cidade, ao serem seduzidas para uma vida aparentemente glamourosa, mas extremamente perigosa: a da prostituição de luxo. 

Em 2018, ano de lançamento, polêmicas foram levantadas quanto à glamourização da prostituição infantil pela série, o que gerou pedidos pela exclusão do programa do sistema de streaming. Um dos diretores da série, Andrea de Sica, defendeu dizendo que o sexo não era a parte mais importante do enredo.

A história, passada pela perspectiva das adolescentes, transmite de forma brilhante a ideia frágil da ingenuidade em se agarrar à uma falsa sensação de controle e poder. Durante as duas primeiras temporadas, Chiara e Ludovica lentamente percebem o real perigo do mundo em que entraram, e o primeiro choque aparece logo no final da primeira temporada com o assédio do chefe, Saverio (Paolo Calabresi). 

A nova temporada começa com o descobrimento de uma ponta do esquema pela polícia italiana, com a prisão de Sofia (Alessia Scriboni), e gradualmente mostra o desenrolar do escândalo ao ligar a garota à Emma (pseudônimo de Chiara). Apesar do padrão curto de seis episódios durante as temporadas, a queda da corrente de prostituição — que teve o início do seu colapso no fim da primeira temporada —, e a desilusão das protagonistas ao perceberem a dimensão real do perigo que enfrentavam são construídas de forma gradual e convincente.

Nos episódios finais, Chiara e Ludovica têm de enfrentar a consequência de suas próprias escolhas e o impacto que geraram na vida daqueles a sua volta. Além da lição aprendida e da análise da fragilidade adolescente, a série mostra, de forma realista e emocionante, a amizade e a lealdade quase inabalável das duas garotas.

Ao acertar todas as pontas soltas do enredo como com o desenvolvimento da relação fraternal entre Ludovica e Fábio (Brando Pacitto), Baby tem o desfecho perfeito para uma trama com tópico central tão delicado quanto a prostituição. O criador da série, Antonio Le Fosse, conseguiu encaixar e reproduzir a sequência psicológica da mente adolescente, que deseja se comportar como adulto em situações de extrema vulnerabilidade.

A série completa sua trajetória e consegue evitar completamente os temores anteriores ao seu lançamento, quanto à glamourização da prostiuição de menores, e termina mostrando um conflito entre livre-arbítrio, controle e responsabilidade. Baby não se trata de um drama adolescente — se afasta dos clichês, falhas no enredo e histórias baratas como de Riverdale e da maioria dos dramas adolescentes —, mas de um drama com adolescentes, em toda sua complexidade emocional e psicológica. 

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