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‘Control Z’: clichê adolescente para assistir em um dia
Controle Remoto
12 jun 2020 | Por Mateus S. Dias (mateusdesouzadias10@usp.br)

“Seria melhor se todos fossem sinceros, se ninguém tivesse segredos.”

Sofia, em Control Z

Adolescentes no ensino médio, pessoas populares da escola, menina fora dos padrões, atores de 25 anos interpretando personagens de 17, bullying, festas e drogas: assim nasce mais uma série teen da Netflix. A produção mexicana Control Z é a nova aposta do serviço de streaming, e retrata o drama de jovens que têm seus celulares invadidos por um hacker e seus segredos divulgados, enquanto a protagonista Sofia (Ana Valeria Becerril) tenta descobrir quem está por trás de tudo.

A série começa com a entrada de um novo aluno, Javier (Michael Ronda), filho de um famoso jogador de futebol e que nos primeiros momentos já vira o confidente de Sofia. Desde a morte de seu pai, dez anos atrás, a menina nunca foi uma pessoa de muitos amigos. A trama se desenrola com o primeiro segredo sendo revelado na frente da escola: Isabela (Ziôn Moreno), a mais popular do ensino médio, é a escolhida e, de alguma forma, seus amigos também populares estão envolvidos. Sofia é uma menina observadora, que já sabia da maioria dos segredos revelados, e até mesmo dos que não foram. A menina mostrou-se disposta a ajudar, principalmente após se deparar com seu próprio segredo sendo ameaçado.  

[Imagem: Reprodução/Netflix]

[Imagem: Reprodução/Netflix]

Control Z pode ser destacada pelos muitos momentos dramáticos, até exagerados, por tentar forçar alguns aspectos difíceis de engolir. Apesar disso, a atuação não é como a de novelas mexicanas, é sem exageros e entrega o suficiente, principalmente a de Ziôn Moreno. As escalações da Netflix para os atores foram super coerentes 

A série é uma mistura de Pretty Little LiarsElite, Gossip Girl e Euphoria. Apesar de não ser exageradamente sexualizada, como outras produções adolescentes, debate o uso excessivo dos telefones e o quanto estamos expostos o tempo todo, traz muitas coisas já vistas em outros lugares. Há alguns debates novos, mas pouco explorados; assim como quase tudo na série. A escolha de uma produção não muito extensa pode justificar os erros de continuidade. Alguns momentos são citados aleatoriamente, além de cortes bruscos, como quando Raul procura Sofia e na cena seguinte eles já estão juntos em outro lugar.

[Imagem: Reprodução/Netflix]

[Imagem: Reprodução/Netflix]

Apesar de muitas histórias apresentadas, Control Z tem algumas tramas bem rasas, que não aprofundam nos personagens e suas motivações. São muitos enredos mostrados no curto tempo de cada episódio. Algumas amizades surgem do nada e certas questões não fazem sentido, como o fato de Rosita (Patricia Maqueo), que possui tantas aparições na série, ter um total de zero segredos revelados.

Pontos não explicados e a falta de profundidade podem ser ganchos para a segunda temporada, a qual já foi confirmada. Apesar dos erros, é uma série bem chiclete e que prende muito —  todo mundo quer saber quem é o hacker. Os 35 minutos por episódio podem atrapalhar, mas também são um chamativo para aqueles que não gostam de episódios muito grandes e optam por não devorar a série toda de uma vez, ao mesmo tempo que não querem parar o episódio no meio. Com apenas 8 episódios, a primeira temporada de Control Z tem conquistado muitos fãs. Para aqueles que gostam de clichês adolescentes, com uma pegada de drama, Control Z é uma ótima escolha.

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