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BGS 2017: Kojima, BGJ e Talks
Eu Fui
14 out 2017 | Por Jornalismo Júnior

No terceiro dia de BGS, sexta-feira, a feira contou com muitos visitantes e os estandes aproveitaram para caprichar na interação com o público por meio de competições, diversas palestras com nomes importantes do mundo dos games e a continuação da exposição dos jogos de cada marca.

Hideo Kojima: o grande especialista

Como convidado de honra da edição, a BGS recebeu o designer de jogos e dono do grande estúdio Kojima Productions, considerado um dos nomes mais importantes na indústria de games hoje. Kojima está na lista dos 10 mais influentes diretores de roteiro de jogos, assinando os títulos da série Metal Gear, Lords of Shadow e The Phantom Pain. Durante a tarde, ele participou de um painel no maior palco do evento, onde colocou suas mãos em uma placa de cimento para eternizar sua participação na BGS e também respondeu algumas perguntas de participantes que foram selecionadas.

Kojima teve destaque no Hall of Fame da tarde

Na conversa, o japonês que está visitando o Brasil pela primeira vez contou que está surpreso com a paixão do público pelo mundo dos jogos e a educação das pessoas que conversaram com ele. Quando questionado sobre os planos para o futuro, especificamente dos jogos de terror, Kojima disse que quer criar um jogo extremamente assustador. Segundo ele, quem desenvolve jogos como esse deve ser medroso, o que ele afirmou ser, dando expectativas para um grande terror no futuro.

O diretor nunca escondeu que no início de sua carreira sua ambição era ser diretor de cinema (o que reflete muito em seu estilo de jogo: grandes narrativas com um grande capricho nas imagens), mas quando questionado se os jogos superaram os filmes, a resposta não foi positiva. Pela visão de Kojima, os games unidos aos filmes criarão uma forma de entretenimento inédita e maior que as duas indústrias.

No final, o dono da Kojima Productions explicou o novo logo da empresa, que concatena as ideias de antigo e novo, com a representação de um samurai e um astronauta juntos no mesmo capacete, significando que a tecnologia digital faz o ser humano evoluir. Além disso, Kojima disse que o desejo dele e da empresa é levar as pessoas para um novo universo com a tecnologia, que seja lúdico e divertido.

BGJ: a game jam da Brasil Game Show

Os participantes da BGJ ficavam dentro de uma sala de vidro enquanto desenvolviam seus softwares

A Brasil Game Jam é a competição de criação de jogos dentro da BGS que tem como objetivo estimular o desenvolvimento de jogos nacionais para a indústria de games. Os participantes de 10 equipes tinham 48h (de quarta a sexta)  para desenvolver um projeto e entregá-lo rodando para participarem de uma votação dos visitantes, que decidirá qual equipe vai ganhar os prêmios: visitar os estúdios da Globo no Rio de Janeiro e em São Paulo; além de um mini-drone.

O tema proposto para essa edição de BGJ era um atualização ou modificação no aplicativo Cartola FC, jogo da Rede Globo (que patrocina a competição). As equipes propuseram diversas alterações no sistema que já existe e criaram alguns adendos para tornar o aplicativo mais dinâmico. Raul Pavani, um dos desenvolvedores do torneio, contou que sua equipe criou uma série de mini jogos que ajudam na arrecadação das moedas do Cartola (as cartoletas). O participante disse ter gostado muito da experiência, mesmo estando cansado e tendo dormido no chão, porque foi uma competição motivadora e enriquecedora.

Cada time tinha que continuar na sala, mesmo sem dormir, para apresentar o projeto para os visitantes

Igor de Medeiros, outro participante das equipe, ressaltou ainda que a experiência o permitiu conhecer muita gente nova e aprender novos conceitos sobre programação e design de jogos. Os softwares desenvolvidos estavam disponíveis para avaliação e votação da platéia da BGS desde as 15h de sexta-feira e também serão avaliados por uma equipe da Rede Globo composta por diretores e especialistas em jogos.

BGS Talks: pergunte diretamente pro criador

O estande da Twitch conta com uma parte especialmente reservada para conversas com grandes nomes da indústria de games. Lá, cada participante pode fazer perguntas diretamente para os criadores de seus jogos preferidos e tirar dúvidas sobre novos lançamentos e melhoria nos produtos de cada marca.

Na sexta, o palco contou com a participação do irlandês Brendan Greene, projetista do jogo PlayerUnknown Battlegrounds, que morou no Brasil durante 6 anos. Durante a conversa, Greene pareceu muito animado ao responder as perguntas e falou que não esperava tanto sucesso para seu projeto, que agora conta com uma equipe de 120 pessoas no desenvolvimento e tem planos para adicionar conteúdo e melhorias.

Greene estava muito empolgado e comentou sobre um sonho de no futuro fazer um jogo de sobrevivência

Quando foi perguntado sobre dicas para entrar no mundo de programação de jogos, o projetista disse que a principal coisa é fazer um jogo que você goste de jogar , sem se importar com as críticas exteriores, porque é isso que vai te trazer satisfação e vontade de trabalhar nele. O próprio Greene seguiu sua dica: Battlegrounds foi criado depois de ele ser impedido de ir em um evento exclusivo para streamers, e se tornou o gigante que é hoje.

Para agregar a essa conversa, a Twitch também trouxe como convidado David Crane, fundador da Actvision e criador do jogo Pitfall. Ele, que por sua experiência no meio conseguiu acompanhar toda a evolução do mundo dos jogos, diz que o que é necessário hoje em dia é a diversão. Com todas as tecnologias que já estão disponíveis ou sendo desenvolvidas, ficou muito mais fácil criar o que quiser (o programador iniciou sua carreira com jogos de Atari, que eram muito difíceis de serem feitos), mas é necessário um grande esforço criativo por parte da equipe.

Crane, uma lenda na história dos videogames disse acreditar no poder de educação que os jogos têm, principalmente do inglês

Sobre a fundação da gigante Actvision, Crane falou que foram pioneiros na criação de jogos que não são para console próprio, e a indústria dos games segue os passos deles até hoje. Durante sua carreira, o programador produziu 100 jogos em 25 plataformas diferentes, e diz ficar animado quando novos consoles são lançados por permitirem a descoberta de um mundo novo de possibilidades de criação. Quando questionado sobre o projeções do futuro, Crane diz que não espera que os jogos indie tenham a mesma qualidade dos jogos grandes, mas devem ser criativos e divertidos.

Não esqueçam de conferir o texto do primeiro e do segundo dia no site e ficar atento ao instagram da Jornalismo Júnior para ver stories em tempo real direto da feira!

Por Giovana Christ e Pedro Gabriel
giovanachrist@usp.br | peedrog98@usp.br

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