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Celular: a sua próxima ligação pode ser a última
Na Estante
22 dez 2018 | Por Jornalismo Júnior

Imagem: recorte da capa da edição americana do livro / Reprodução

Por Leticia Camargo (camargoleticia@usp.br)

Os celulares dominaram o mundo. Sem percebermos, os carregamos sempre conosco e o consultamos a todo momento. Stephen King, em seu livro Celular (Suma de letras, 2018), leva o alcance e a proximidade da tecnologia em nossas vidas ao extremo. Em um momento, aparelhos celulares se tornam responsáveis por causar um apocalipse.

Enquanto Clay Riddell aguarda na fila para tomar um sorvete em comemoração ao novo contrato para a publicação de sua HQ, o Pulso começa. Um sinal elétrico é simultaneamente transmitido para todos que estavam usando celulares, como um gatilho sendo disparado. De repente, as pessoas ao seu redor que carregam um telefone passam a agir de forma agressiva e movidas por impulsos de sobrevivência. Os celulares “resetaram” suas mentes e lhes sobraram apenas instintos.

Pessoas atacando umas às outras, aviões caindo, acidentes de carro a todo momento, cidades inteiras pegando fogo, rodovias travadas. Esse é o cenário apocalíptico de King. As poucas pessoas que ficaram sãs precisam recorrer a esconderijos para que não sejam atingidas por aqueles que foram transformados.

Clay, junto aos amigos que conhece durante a narrativa, Tom McCourt e Alice Maxwell, lutam pela sobrevivência ao mesmo tempo que procuram entender o que está acontecendo. Para manterem-se a salvo viajam somente durante a noite, quando os “fonáticos” (como são chamados aqueles que se tornaram espécies de zumbis) estão repousando. Mas essa vantagem não durará por muito tempo.

O protagonista ainda precisa travar uma batalha consigo mesmo: retornar ou não para sua cidade natal e saber sobre seu filho e sua ex-mulher? É a questão que move o livro e irá perturbar Clay durante todo o percurso. Ter notícias sobre Johnny e Sharon significará descobrir que também viraram fonáticos?

A leitura do livro é muito instigante, deixando o leitor alerta a todo momento. A linguagem é acessível e flui com a narrativa. King cria um vocabulário para os seres inventados, chamando-os de fonáticos, já que são comandados por ondas sonoras provenientes dos celulares e as pessoas que ficaram sãs são chamadas de “normies”, codinome para pessoas normais.

A história é repleta de muito suspense, curiosidade e um tanto de ficção científica, que a torna particularmente interessante. À medida em que os supostos zumbis vão ganhando forças e tornando-se mais inteligentes, adquirindo até mesmo poderes telepáticos, nos questionamos qual será o próximo passo.

O livro ainda nos faz travar uma reflexão sobre a intenção do autor. Stephen King, além de nos trazer uma típica história de terror, faz uma crítica social sobre como estamos nos tornando verdadeiros “zumbis”, ao ficarmos vidrados nas telas de smartphones. Há quem diga que nossas vidas são comandadas pelos celulares e seus derivados. E se fossemos realmente comandados por eles?

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