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Cyrano Mon Amour, os bastidores de um clássico contado de forma banal
CINÉFILOS
28 jun 2019 | Por Isabel Magalhães Teles (isabel.teles@usp.br)

Amor idealizado e batalhas sangrentas são elementos triviais em romances de época, assim como romance não correspondido, desencontros e trapalhadas são comuns às comédias contemporâneas. Todos estes elementos se unem no filme Cyrano Mon Amour (Edmond, 2018), de Alexis Michalik, que conta a história por trás da concepção da peça Cyrano de Bergerac, escrita em 1897

O filme, uma adaptação para o cinema da peça de Michalik narra, de forma divertida, o processo criativo que originou o maior clássico da dramaturgia francesa, com foco no dramaturgo Edmond Rostand (Thomas Solivérès). As relações pessoais do escritor são usadas de forma a justificar os elementos que compõem a peça, causando dúvidas no espectador quanto a autenticidade do que é contado. 

No longa, Rostand, que nunca conseguiu emplacar uma produção nos teatros franceses, convence o famoso ator Constant Coquelin (Olivier Gourmet) a encarnar e produzir uma peça épica que ele idealizou. O desafio do jovem escritor é escrever toda a obra e preparar os atores para encená-la em menos de um mês, mesmo com todas as adversidades contra ele. 

Thomas Solivérès interpreta o escritor Edmond Rostand em Cyrano Mon Amour [Foto: Divulgação]

O filme faz bem em trazer elementos que caracterizam a efervescência cultural da época em Paris, ao apresentar sequências nos cafés em que artistas se encontravam, no famoso Moulin Rouge e até mesmo em uma projeção cinematográfica dos irmãos Lumière. Por outro lado, o abuso do tom cômico desprestigia o trabalho de Edmond Rostand ao narrar sua história com cenas típicas de filme pastelão, como quando o elenco se livra de uma atriz inconveniente deixando-a cair em um alçapão.

Diferentemente da peça, que foi escrita e produzida em menos de um mês, o diretor Alexis Michalik levou seis anos desde o processo de concepção até a conclusão do longa. Ele mesmo atua no filme como Georges Feydeau, um dramaturgo conhecido na época e que lota os teatros de Paris com suas peças. 

Com tanto tempo para revisão, Michalik poderia ter sido mais cuidadoso para evitar que a história de um dos maiores escritores franceses fosse assimilada de maneira banal. A direção não é ruim, tampouco as atuações. Contudo, o tom dado à obra desaponta o espectador que espera um filme sobre os bastidores do teatro no nível de Shakespeare Apaixonado (Shakespeare in Love, 1998).

O final do longa é conhecido. A peça foi encenada e tornou-se sucesso absoluto. Desde então, o personagem histórico Hector Savinien Cyrano de Bergerac, contemporâneo de Molière no séc. XVII, é menos conhecido por seus feitos como soldado e romancista do que por sua aparência física, graças à Edmond Rostand, que resolveu descrevê-lo como dono de um enorme nariz. 

O que não se pode garantir saber é a circunstância em que surgiu essa ideia. Na falta de evidências histórias, a possibilidade sugerida por Michalik em Cyrano Mon Amour oferece uma resposta simpática, ainda que superficial. 

O filme estreia em 27 de junho nos cinemas de São Paulo e está no Festival Varilux de Cinema Francês. Confira o trailer:

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