Jornalismo Júnior

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‘Batalha da Montanha’: como a cultura periférica resiste no interior de São Paulo

Campos do Jordão abriga um forte cenário cultural de Hip-hop que movimenta centenas de jovens e contrasta com a leitura elitizada da ‘Suíça brasileira’
Composição gráfica e colagem em tom avermelhado. Do lado esquerdo, sobressai-se a ilustração de um busto humano estilizado em cor rosa choque com lábios azuis. Do lado direito, dentro de uma moldura vermelha sobre um fundo de cartazes rasgados, há três fotografias sobrepostas em preto e branco de jovens artistas do gênero hip-hop. No canto superior direito, aparece o logotipo circular da "BATALHA DA MONTANHA", e na parte inferior, lê-se a expressão "Mais Que Frio!!".

Por Eduardo José (edujs0207sp@usp.br)

O hip-hop chegou ao Brasil em meados da década de 80, inspirado nos movimentos culturais norte americanos. Desde então, o rap, grafite, poesia e o breaking dance tomaram as ruas de São Paulo e trouxeram identidade à juventude da época. Para além do cenário da capital, a cultura se encontra também no interior de São Paulo, onde as barreiras para a arte de rua sobreviver encontram desafios únicos.

Campos do Jordão é uma cidade do interior do estado de São Paulo, próxima a divisa com Minas Gerais, muitas vezes apelidada de “Suíça brasileira” pelas suas baixas temperaturas e arquitetura característica europeia. O município é o berço da Batalha da Montanha (BDM), projeto cultural que promove atividades como saraus de poesia, oficinas de grafite e de dança.

A Suíça inventada

Os altos preços de hospedagem e consumo no Capivari — centro turístico da cidade — exigem padrão elevado de renda das famílias que a visitam. Boinas, casacos de pele e sobretudos almofadados são artigos comuns de serem vistos durante a temporada de inverno. Mas a fartura exibida pelos turistas contrasta com o padrão de vida dos trabalhadores e moradores de Campos do Jordão. 

Fotografia de rua em ângulo baixo mostrando uma ruela estreita com arquitetura estilo enxaimel. Os prédios altos das laterais possuem fachadas brancas com vigas de madeira escura cruzadas, janelas floreiras e lâmpadas de estilo antigo. Ao fundo, destaca-se uma torre com o letreiro "GENEVE", enquanto a bandeira da Alemanha aparece pendurada na fachada do prédio à direita, sob um céu nublado.
De acordo com o censo demográfico realizado pelo IBGE em 2022, a cidade tem menos de 50 mil habitantes e atrai milhões de turistas de todo o país [Imagem: Reprodução / WikimediaCommons]

O Capivari, principal área turística, e os hotéis luxuosos do município se encontram em lugares afastados do centro comercial, o bairro Abernéssia. É ao redor desse centro que se encontram as áreas periféricas e de baixa renda da cidade, onde vivem também grande parte dos trabalhadores que se deslocam diariamente ao centro turístico. Moradores alegam sobre a grande presença de jovens e, até mesmo, menores de idade em trabalhos informais. 

“Quando você tem o tempo para fazer o que ama, está totalmente gasto depois de um dia de trabalho CLT. No tempo livre você quer descansar, mas também de que correr atrás do seu sonho”
Gabriel Vasconcelos

É neste cenário que surgiu, em meados de 2016, um movimento da juventude periférica jordanense. Ao redor da pista de skate da cidade, jovens se reuniam para torneios de rimas e poesia. Com o passar do tempo, o movimento se expandiu por Campos do Jordão e levou consigo arte, resistência, luta e senso de pertencimento aos jovens da periferia. O movimento ficou conhecido como a ‘Batalha da Montanha’. 

A batalha mais alta do Brasil

Fotografia em plano geral e ângulo frontal mostrando um grande grupo de jovens reunidos em um saguão interno. Eles estão agrupados em vários níveis — alguns sentados no chão à frente e outros em pé ao fundo —, sorrindo e fazendo gestos com as mãos para a câmera. Vários deles vestem casacos esportivos e seguram quadros e encartes artísticos nas mãos.
Atualmente o projeto conta com cinco organizadores: Rastro 012, Kyatta, Braia Beats, Lucas Akkim e Vênus [Imagem: Reprodução / Instagram / @batalhadamontanha.012]

Hoje, os eventos da BDM ocorrem mensalmente e têm sido cada vez mais profissionalizados no quesito técnico e de logística. Em entrevista à Jornalismo Júnior, MC Rastro, pseudônimo de MC Rastro 012 conta que o projeto é uma das batalhas mais antigas do Vale do Paraíba, e o nível de profissionalização acaba influenciando outras batalhas: “A batalha tem uma estrutura melhor de som e filmagem, cronograma organizado, mídia social, contratação de artistas, negociação de patrocínio e etc.”.

Fotografia em plano geral de uma batalha de rima em espaço comunitário iluminado por lâmpadas pendentes. Ao centro, um jovem segura o microfone falando para o público, enquanto um DJ opera uma mesa de som ao seu lado. A parede ao fundo é decorada com um grande grafite amarelo e verde. Em primeiro plano, a plateia é vista de costas, com algumas pessoas erguendo celulares para gravar a cena. é uma batalha de rima no interior de são paulo
MCs de São Bento do Sapucaí, Taubaté, Pindamonhangaba, Ubatuba, Rio de Janeiro, dentre outras cidades, já rimaram e cantaram suas vivências na BDM [Imagem: Reprodução/Instagram/@batalhadamontanha.012]

Para além do valor cultural, a BDM tem papel social transformador. Ao atrair a faixa etária dos 15 aos 20 anos, o projeto está na “fonte onde a pessoa está se conhecendo, desenvolvendo caráter, conhecendo seu corpo, criando laços, conhecendo pessoas”, conforme contou Rastro.  A ação social vai além do acolhimento. Através dos eventos, o MC relata que já arrecadaram alimentos em campanhas e agasalhos durante o inverno “A Batalha da Montanha não age para benefício próprio, mas sim por uma razão social”, destaca.

A relação com o poder público

No início, os eventos eram marcados em espaços públicos da cidade e atraíam dezenas de pessoas. Nessa época, conflitos com a polícia e desacordos com poder público eram frequentes. Com o crescimento da BDM, em 2023, a prefeitura lançou um projeto de lei “reconhecendo o hip-hop como movimento oficial de arte e cultura urbana do município”. Posteriormente, a secretaria de educação passou a integrar membros do movimento em atividades de extensão em escolas, com oficinas e workshops.

Fotografia em close-up de um jovem cantando ou se apresentando com um microfone em ambiente com iluminação vermelha e dramática. Ele possui cabelos cacheados, usa fones de ouvido pretos em volta da cabeça e segura o microfone bem próximo à boca, direcionando o olhar concentrado para a frente.
Under Mc foi vencedor de uma das edições da BDM. Em uma de suas músicas, o artista faz uma crítica à cidade: “Me sentindo na guerra fria; na montanha, eu me fiz sujeito homem; Campos do Jordão, onde só olham pros turistas e não pros que passam fome [Imagem: Acervo Pessoal / Under Mc]

Apesar da anterior relação conturbada da BDM com a prefeitura de Campos do Jordão, Rastro conta que com o tempo foi possível estabelecer um contato mais significativo para realização de atividades em locais públicos. “Foi mais uma insistência nossa do que ajuda deles. A gente insistiu tanto que foi impossível não ajudar”.

“Passamos a ficar presentes em votações de projetos na câmara e em todo lugar. Quando passamos a aparecer na prefeitura, começamos a ‘morder um pedaço do bolo’. Com a cena [do hip-hop] sempre nesses espaços, chega uma hora que não dá mais pra ignorar.”
MC Rastro 012

A batalha de rima consiste em duelos entre rappers que improvisam versos no ritmo de um beat — instrumental que é improvisado durante as batalhas de rap freestyle. O vencedor do round é determinado pela agitação da plateia que cerca os dois (ou mais) competidores. Aquele que conseguir mais apelo, vence. A partir disso, é possível criar torneios de premiações diversas com eventos transmitidos via livestream na internet, por exemplo. Foi em um desses torneios que o MC Rastro 012 conseguiu a produção de seu primeiro EP, Blindado (2020).

Rastro de vivências

Rastro é o pseudônimo por trás de Leonardo Alcântara, de 26 anos. Atualmente, é gerente de vendas em uma loja de artigos para skatistas da cidade e concilia o emprego com seu trabalho artístico. “Costumo dizer que sou um produtor musical. Trago e produzo vários eventos aqui pra cidade”, afirmou.

Fotografia em plano médio de um homem jovem de cavanhaque e boné bege e verde, posando no canto de uma parede decorada com um grafite colorido. Ele veste uma jaqueta preta com inscrições brancas na manga sobre uma camiseta polo branca. A parede ao fundo apresenta uma arte urbana em estilo pop art com traços pretos marcantes e blocos de cores vivas como vermelho, laranja e azul.
Rastro 012, com o verso “vingança não é matar, vingança vai ser ficar vivo”, presente na música Boombap Classe A, faz uma crítica às barreiras sociais que dificultam a vida artística do hip-hop [Imagem: Reprodução/Instagram/@batalhadamontanha.012]

O artista alega que foi morador do bairro Monte Carlo, na periferia de Campos do Jordão. O contato com o hip-hop vem da infância: “Começou dentro de casa, pelo meu irmão mais velho”. Racionais MC’s e a rádio Espaço Rap foram as principais referências deste período e que moldaram o modo de vida de Leonardo. Mencionou que a escola também teve papel central no desenvolvimento da escrita de versos e poemas. “Aos 16, comecei a participar da Batalha da Montanha”, contou.

“Freestyle é como um esporte. Tem que treinar, se aperfeiçoar”
Rastro 012

Como produtor cultural, Leonardo ajuda outros artistas locais a ganharem seu espaço. Um dos projetos futuros dele conseguiu ser beneficiado com o subsídio do edital Audir Blanc da secretaria de cultura do estado. A ideia é produzir um álbum musical só com artistas independentes, para expressar a realidade de quem mora em Campos do Jordão, com inclusão de mulheres e artistas LGBTQIAPN+. À princípio, o nome do projeto seráa “Mãetiqueira” – trocadilho com “Serra da Mantiqueira”, segundo o artista.

Outro projeto do MC é fazer oficinas de rimas em bairros periféricos e levar formas de expressão do hip-hop, como música, dança, poesia e grafite. O objetivo é ampliar a representatividade cultural do jovem jordanense. “A gente quer acolher esses jovens de forma gratuita. Vai ser um dos maiores projetos que já fiz”, afirmou.

Produção musical no interior

Fotografia em plano médio de um DJ de cabeça raspada e tatuagens no rosto e nos braços, operando uma controladora de áudio em um evento ao ar livre. Ele usa óculos escuros com armação pequena, fones de ouvido ao redor do pescoço e uma jaqueta escura. Seus dedos estão posicionados sobre os botões do equipamento de som. Ao fundo, desfocado, outro rapaz de boné preto observa a performance.
The Dummies Drilla (TDD) é um coletivo brasileiro de hip-hop focado no subgênero UK Drill. Formado por Brandani, Teddy Mc e DJ Braia Beats [Imagem: Reprodução/Instagram/@batalhadamontanha.012]

Braia Beats é o nome artístico de Gabriel Augusto Cambraia Ribeiro, também morador de Campos do Jordão e um dos organizadores da BDM. É DJ, produtor musical, assinando diversos projetos nacionais e internacionais com outros artistas, como no  EP CERBERUS, lançado pela gravadora Parlophone Portugal. Presente desde o início da cena hip-hop na cidade, Braia construiu seu legado local e está focado na produção de música eletrônica Psy Trance —  subgênero psicodélico popular nos anos 80.

O DJ relata que agitar a cena em Campos do Jordão tem seus obstáculos: “Como é uma cidade reconhecida pelo turismo, as pessoas nem imaginam que exista rap aqui”. Estabelecer contatos na capital, em outras regiões do Brasil e do mundo foi uma barreira superada por Braia.  “O mais difícil foi furar a bolha”, concluiu.

“Aqui não tem loja para comprar equipamentos de áudio, ou para manutenção. Não tem muito público e são poucos artistas se comparados à São Paulo”
Gabriel Vasconcelo

Além de Braia, outro artista local que contribuí para a produção musical é Gabriel Vasconcelos. Gabriel já performou nos palcos sob o pseudônimo de Blvck 012, mas decidiu interromper o trabalho solo para focar na engenharia de mixagem. Mesmo aos 20 anos de idade, já foi responsável pela gravação e mixagem de outros artistas locais, como Sagaz Mc —hoje conhecido como Azaf—, Lya — no mixtape de “IT´S LYA”—, OG Real D —mixtape de “Melhor parte de mim”—, e outros.

Fotografia em plano médio e tom amarelado feita em um estúdio de gravação. Em primeiro plano, um jovem de cabelos cacheados e cavanhaque está de perfil, usando fones de ouvido pretos e uma camiseta escura com uma corrente fina de metal no pescoço, mantendo os braços cruzados. Ao fundo, parcialmente visível à esquerda, outro rapaz o observa.
O “012” presente no nome de vários artistas jordanenses se refere ao DDD telefônico de Campos do Jordão e outras cidades no Vale do Paraíba, a ideia é demarcar as raízes da cena para o cenário nacional [Imagem: Acervo Pessoal/Gabriel Vasconcelos]

Sobre seu papel dentro da cena jordanense, Gabriel enfatiza que “O pico é a Batalha da Montanha. De lá vem muitos artistas com o sonho de produzir o próprio som”. O engenheiro de mixagem conseguiu montar um estúdio de gravação para receber essas pessoas, gravar e mixar as vivências que elas querem dizer através da música.

Gabriel também teve um trabalho em parceria com o trapper norte americano YoungoJeezus. Ele relatou que, muitas vezes, artistas estrangeiros buscam mercados periféricos de mixagem devido à diferença de precificação —  principalmente no Sul global, onde a mão de obra é menor do que em países do norte. O cenário brasileiro, ainda que ascendente, não tem ainda o mesmo nível de estrutura técnica do cenário dos Estados Unidos, berço do hip-hop.

Outra barreira comum aos artistas de Campos do Jordão, é conciliar a arte com o trabalho no setor turístico da cidade. Gabriel, por exemplo, relata “exaustão” em dividir o tempo com seu trabalho formal no ramo de hotelaria. “Meu sonho é poder viver da mixagem”, comentou.

Grafite na Montanha

O grafite é uma vertente dentro do hip-hop estabelecido como arte visual. Em Campos do Jordão, Paulo Albuquerque, professor de 37 anos, expande a cultura periférica para além dos olhares locais. Suas pinturas podem ser vistas por moradores e turistas, estampadas em grandes murais, escolas e portões ao redor da cidade. Oriundo da periferia do município, Paulo é peça fundamental para a ocupação da cultura periférica nos espaços em que o acesso é dificultado para moradores de periferia, como teatros e museus de arte erudita.

Fotografia em plano médio de um homem sorridente de dreadlocks presos e óculos de sol amarelos, posando ao ar livre sob luz solar direta. Ele veste uma camiseta camuflada verde e faz o sinal de "paz e amor" com uma das mãos, enquanto segura com a outra um encarte impresso com a ilustração de um panda e o texto "BDM X LRG". Ao fundo, observa-se uma paisagem urbana com casas em uma região periféria em uma encosta.
O artista também comercializa sua arte através de sua marca de roupa joey.artwear, feita em parceria com seu próprio filho e também artista, Joey [Imagem: Reprodução/Instagram/@pauloalbuquerquearteiro]

Em entrevista à Jornalismo Júnior, Paulo conta que o grafite vai além da pintura: “É um estilo de vida, o material que se usa, o local que se pinta, se representa a quebrada”.  Ele explica que trabalha com “pintura corporativa” — encomendadas de empresas ou mesmo da prefeitura —  mas também com o grafite. O artista diferencia: “Grafite é o que se faz na rua”.

“Grafite não é definido só pela estética do produto final. É toda a caminhada e vivência até chegar naquilo.”
Paulo Albuquerque

Paulo é jordanense, morador da comunidade da Vila Santo Antônio. O interesse artístico surgiu na infância, quando, através de revistas de rap e skate, ele conheceu o grafite e se sentiu representado. “Era um estilo de arte que combinava com o meio em que eu vivia”, comentou. 

O artista conta que demorou até encontrar sua identidade no meio. Inspirado em artistas brasileiros, Paulo busca representar na sua arte a cultura regional. “É também uma pintura informativa. Das cores até o produto final, são elementos da região”, contou. Características de fauna e flora, como a tradicional Tiriva, ave característica da cidade, pode ser notada em alguns de seus trabalhos.

Fotografia em plano geral e ângulo baixo mostrando uma pessoa em pé com os braços erguidos em frente a um enorme mural colorido pintado na parede de uma estrutura metálica. A pintura mural traz ilustrações estilizadas de um perfil humano, pássaros, montanhas e vegetação, utilizando cores contrastantes como rosa, amarelo, azul e laranja sob um céu azul limpo. grafite localizado no interior de são paulo
Em um vídeo da prefeitura jordanense, o artista conta a história de um dos bairros e apresenta um dos seus murais [Imagem: Reprodução/Instagram/@pauloalbuquerquearteiro]

Não demorou muito para que o trabalho de Paulo fosse reconhecido pela prefeitura de Campos do Jordão. A secretaria de educação local encomendou que o artista pintasse murais de várias escolas públicas. A ideia inicial era que fossem murais com elementos da vida escolar, mas o pintor aproveitou o espaço para promover educação e cultura. 

Entretantoele enfatiza que o estado poderia incentivar mais ao alegar que “os trabalhos não têm continuidade”.Os projetos da prefeitura duram por um período e depois o artista fica sem um trabalho estável. Existe também uma problemática na identidade do município. Apesar de ser turístico, os produtos culturais comercializados são geralmente de outros lugares, como . “A pessoa vem visitar a cidade, vai embora e não vai levar nada daqui”, comentou.

“A principal resistência dos artistas daqui é ser reconhecido como profissional e poder ter continuidade naquilo que fazemos.”
Paulo Albuquerque

O grafite e o picho são formas de arte periférica que simbolizam resistência. Paulo explica, entre várias outras diferenças, que se identifica mais com a pichação, por ter origem brasileira, diferente do grafite de Nova York. Ambas, no entanto, são maneiras de a periferia ocupar territórios elitizados.

Em um dos eventos da Batalha da Montanha junto com Paulo Albuquerque e outros artistas, a proposta foi fazer uma oficina com várias artes no Museu Felícia Leirner, importante ponto turístico de Campos do Jordão. Uma chamada de divulgação nas redes sociais dizia: “A cultura de rua invade o museu”.

Fotografia em close-up de um cartaz verde exibido na vertical. O cartaz traz a frase "Felícia Leirner é HIP HOP" desenhada em estilo grafite, com letras gordinhas na cor cinza e contorno preto, destacando-se sobre o fundo verde com um gramado desfocado ao fundo.
É no Museu Felícia Leirner que ocorrem os tradicionais concertos de música clássica do Festival de Inverno [Imagem: Reprodução/Instagram/@batalhadamontanha.012]

O uso de termos como “invasão”, nesse contexto, não se referem necessariamente ao desacordo com a lei. A oficina do museu, por exemplo, foi um evento planejado com os órgãos responsáveis junto ao poder público. Esses termos, na verdade, servem para representar a ocupação de atividades e lugares pensados para as elites, por parte do povo periférico. 

Se durante o dia eles trabalham para o conforto das elites que visitam Campos do Jordão, à noite é hora de assinar os espaços com os nomes de quem a cidade realmente pertence, por meio do hip-hop e da vivência jordanense.

Fotografia em plano médio de uma artista agachada sorrindo ao lado de sua pintura em tela de grande formato. Ela possui cabelos escuros com franja curta e detalhes verdes, usa alargadores nas orelhas, piercings no rosto e traja roupas escuras com tênis. A pintura atrás dela exibe o rosto estilizado de uma pessoa em tons alaranjados, um pássaro azul voando ao centro e um fundo verde com bolinhas escuras. as roupas tem estilo próxicmo ao hiphop
Vênus é uma das organizadoras da BDM. Multiartista de várias vertentes, é peça fundamental para que a cena jordanense aconteça. O quadro “foi para nossa parceira @_.venus , que sempre fortalece e marca presença com seu trampo nos eventos”, contou Paulo em sua publicação [Imagem: Reprodução/Instagram/@pauloalbuquerquearteiro]
ilustração que ilustra um muro grafitado com as palavras "Jovens, Loucos e Rebeldes", tema do Especial Jotano 2026

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