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‘Emily em Paris’: um toque moderno em um sonho antigo
Controle Remoto
09 out 2020 | Por Beatriz Lopomo (beatrizlopomo@usp.br)

Na nova série da Netflix, Emily em Paris, descobrimos a cidade luz através dos olhos de Emily Cooper, uma jovem executiva de marketing interpretada por Lily Collins, que se muda de Chicago, nos Estados Unidos, para a capital da França após receber uma promoção inesperada em seu trabalho.  

Logo no início, a série dá indícios do tom de sua narrativa: ao se mudar para Paris em busca de experiência e oportunidades profissionais, a personagem de Lily Collins rende décadas de protagonistas femininas que sacrificaram suas carreiras em nome de preservar seus interesses românticos. A produção indica uma reviravolta na representação das mulheres na ficção, que é mais condizente com a atualidade, e sustentada ao longo de toda a série. 

Emily em Paris [Imagem: Divulgação/Netflix]

[Imagem: Divulgação/Netflix]

Com a chegada de Emily em Paris, somos apresentados a uma representação simplista e estereotipada dos franceses, que culmina em uma sequência de choques culturais envolvendo desde a língua falada até a forma de contar os andares de um prédio. A falta de conhecimento da jovem executiva sobre a língua francesa é passada para o telespectador através de diálogos não traduzidos, que se mostram eficientes em fazer o público enxergar a experiência através dos olhos da protagonista. 

Nesse contexto, por meio dos cenários, comidas típicas, pontos turísticos e figurinos, Paris assume o posto de personagem, atribuindo sentido e direção à trama.

Apesar da moda não ser o ponto principal da narrativa, os visuais são essenciais para complementar o tom da série. Eles reforçam a imagem de forasteira de Emily, através da implementação de um guarda-roupa colorido e vibrante para a personagem principal, em contraste com visuais de tons neutros utilizados pelos franceses. A produção honra o título de capital da moda atribuído a Paris, com figurinos que mesclam peças de marcas tradicionais, como Chanel, com peças de brechó, além de alusões a momentos marcantes da história da moda, como por exemplo o lendário vestido preto de Audrey Hepburn

 

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Inspired by the best. Audrey moment a la @emilyinparis…

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Comprometida com uma abordagem atual do “emprego dos sonhos”, as redes sociais são um ponto de destaque na série e são incorporadas na narrativa através da profissão de Emily e, posteriormente, pela forma de registrar suas experiências na cidade. 

Emily em Paris homenageia clássicos do gênero, como O Diabo Veste Prada (2006), Gossip Girl (2007-2012) e Sex and the City (1998-2004) (série do mesmo criador) com o mesmo culto aos visuais e à cidade. Entretanto, a nova produção é comprometida com uma abordagem moderna de velhas temáticas, através da incorporação de tópicos como o machismo e o “politicamente correto” em suas discussões. 

A narrativa é bem sucedida em reacender o legado deixado por suas referências e mantém o ritmo do começo ao fim, entregando dez episódios fiéis à proposta da série: uma comédia leve que agrada os olhos, distrai a mente, e provoca o desejo de estudar francês em qualquer discípulo de Miranda Priestly.

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