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Exposições MASP: Histórias afro-atlânticas e Comodato MASP B3
Eu Fui
15 jul 2018 | Por Jornalismo Júnior

Imagem: Esculturas de madeira de Agnaldo Manoel dos Santos

Histórias afro-atlânticas

A exposição Histórias afro-atlânticas apresenta uma seleção em torno dos “fluxos e refluxos” entre a África, o Caribe e as Américas. São cerca de 450 trabalhos de 214 artistas – abrangendo um período histórico que vai do século 16 ao 21.

O Brasil possui determinado protagonismo nessas histórias afro-atlânticas devido ao seu desenvolvimento cultural com rica presença da cultura africana. Isso se dá pelo fato do país ter recebido, por mais de 300 anos, cerca de 46% das 11 milhões de pessoas oriundas de territórios do “continente mãe” que desembarcaram em terras americanas forçadamente. Também foi o último país a abolir a escravidão e quando a fez, em 1888 com a Lei Áurea, foi com completa ausência de um projeto de integração social ou reparação histórica. O resultado é notável até os dias de hoje: perpetuação das desigualdades econômicas, políticas e raciais.

Detalhes da obra intitulada do artista baiano Babalu

 

A exposição não possui ordem cronológica ou geográfica, sendo dividida em oito núcleos temáticos nas duas instituições que coorganizam o projeto: o MASP e o Instituto Tomie Ohtake. No Museu de Arte de São Paulo encontram-se os segmentos “mapas e margens”, “cotidianos”, “ritos e ritmos” e “retratos” no primeiro andar; “modernismos afro-atlânticos” no primeiro subsolo; “rotas e transes: África, Jamaica e Bahia” no segundo subsolo. Já no Instituto estão “emancipações” e “resistência e ativismos”.

 

Mapa United States of Attica, de Faith Ringgold, que aponta a localização de diversos confrontos violentos de caráter racial da história norte-americana.

 

Obra Primicias del socialismo en Cuba, de Gilberto de La Nuez.

 

Obra Baobá, do artista baiano Dicinho.

Histórias afro-atlânticas trás uma nova ótica sobre a relação entre África e América, nascida da necessidade de criar novos paralelos, ligações e diálogos – assim como atentar para o passado.  A exposição tem como sua principal marca a pluralidade: a polifonia de suas histórias aborda a ficção; a realidade; as narrativas pessoais, políticas e culturais; e a circulação de linguagens, vocabulários e valores.

Dessa maneira, o campo fluído em que a exposição acontece deixa claro como as experiências africanas invadem e ocupam outras nações, territórios, culturas – e também o próprio observador.

Fugindo do caráter definitivo das narrativas tradicionais, as histórias afro-atlânticas apostam na mistura – de tempos, geografias e suportes – para tocar seu expectador e abrir novos questionamentos para que essas narrativas sejam repensadas, revistas e reescritas. A exposição – como um todo – é um extenso quebra cabeça que não pode ser montado de uma única forma e que não deve ser deixado de lado – como o caráter eurocêntrico da história fez (e ainda faz) por tanto tempo.

Artista: Jaime Lauriano

A exposição teve início em 29 de junho e vai até 21 de outubro.

 

Comodato MASP B3

O Museu de Arte de São Paulo recebeu recentemente 66 obras de artistas nacionais, produzidas em um período de mais de 100 anos, para seu acervo em um acordo de comodato pelos próximos 30 anos. As pinturas e esculturas faziam parte da coleção da Bolsa de Valores de São Paulo (ou B3 – Brasil, Bolsa, Balcão) e esteve em escritórios no Rio de Janeiro e São Paulo antes de chegar ao MASP.

Para inaugurar a participação dessas novas obras em seu acervo, o museu criou uma exposição com a seleção de 25 delas.

 

Exposição Comodato B3 no primeiro subsolo.

 

O comodato MASP B3 compreende uma gama plural de artistas, oferecendo um envolvente panorama histórico da arte nacional.

Começando pelo fim do século 19, a exposição apresenta artistas como Benedito Calixto – com seu trabalho marcado pela retratação da Baixada Santista – e Antonio Parreiras – nome mais respeitado da belle époque brasileira.

A maioria das obras, entretanto, pertencem ao período modernista – contando com artistas como Alberto da Veiga Guignard, Emiliano Di Cavalcanti, Candido Portinari e Anita Malfatti.

Detalhe da obra Colheita de feijão, Candido Portinari

 

Detalhe da obra Interior de Mônaco, de Anita Malfatti

A exposição também dá destaque para produção modernista feminina, apresentando as artistas Lygia Clark, Maria Leontina e Ione Saldanha.

Todas essas obras ajudam a preencher lacunas da amostragem histórica do acervo e dão maior peso para arte nacional dentro do museu – onde a maior parte das telas e esculturas tem origem europeia.

Aos poucos, as obras do comodato MASP B3 serão absorvidas e integradas pela coleção do museu, no segundo andar, podendo ser expostas nos cavaletes de cristal e em diálogo com o restante do acervo fixo.  

A exposição teve início no dia 14 de junho e vai até dia 29 de julho.
O Museu de Arte de São Paulo se localiza na Avenida Paulista, número 1578. Seu funcionamento é de terça a domingo, das 10 horas às 18. O ingresso é R$35,00 a inteira e R$17,00 a meia. Às terças-feiras a entrada é gratuita.

 

Por Samantha Prado
sampradogp@gmail.com

 

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COMENTÁRIOS
Calita Ocampos
Meu avô Agnaldo Manoel!!!!Queria poder ter acesso as suas coisas,ir na exposição,mas infelizmente nunca sabemos nada!!! Grande Artista!!!
05 jun 2019
 
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