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Godzilla II: Rei dos Monstros é visualmente lindo, mas quebra expectativas
CINÉFILOS
29 maio 2019 | Por Matheus Zanin (matheuszanin@usp.br)

Monstros sempre estiveram presentes no imaginário popular, fator capaz de levar grandes audiências ao cinema. Godzilla II: Rei dos Monstros (Godzilla II: King of The Monsters) evoca tal sentimento: o longa acompanha confrontos entre diversas criaturas, denominadas “Titãs”, sendo a  sequência do filme de 2014 responsável por ressuscitar o monstro japonês nas telonas.

Anterior ao seu lançamento, a Warner Bros. distribuiu materiais de divulgação muitíssimo bem feitos, aumentando a expectativa dos fãs de Gojira. No fim, sente-se que as melhores cenas foram utilizadas para tal divulgação, sobrando poucas novidades a serem apreciadas no decorrer de duas horas da obra.

O enredo é simples: várias espécies monstruosas surgem ao redor do mundo, cabendo à organização secreta Monarch, responsável por estudar esses seres, ao lado de Godzilla, controlá-las. No meio disso, surge o drama familiar entre Emma Russell (Vera Farmiga), Mark Russell (Kyle Chandler) e sua filha, Madison Russell (Millie Bobby Brown). O pai afastou-se da família após a morte do filho nos eventos do primeiro filme.

A cinematografia do longa-metragem é impressionante. No entanto, o embate final é apressado. [Imagem: WARNER BROS. ENTERTAINMENT INC. AND LEGENDARY PICTURES PRODUCTIONS, LLC]

O orçamento elevado da produção é evidente logo nos minutos iniciais. Os efeitos especiais são excelentes, acompanhados por um fotografia escura que impede maior diferenciação entre o cenário real e digital (a utilização de óculos 3D pode prejudicar a experiência para alguns espectadores). Cenas que parecem pinturas realistas surpreendem, impedindo a não pronúncia de pelo menos um “UAU” no decorrer delas. O blockbuster faz justiça ao seu gênero, entregando um conteúdo puro de entretenimento acompanhado de uma trilha sonora épica que ecoa a cada trovoada em tela.

O material é preciso. Os fãs de Godzilla recebem o que era esperado. Há lutas, confrontos e reviravoltas. Entretanto, quando eleva-se a expectativa do público, é essencial atendê-la. Alguns monstros são ignorados, resultando num desejo de conhecer um pouco mais deles. As rápidas lutas se concentram no último ato, em consequência de um roteiro fraco, que demora para “engatar”, colaborando com alguns momentos enfadonhos — as principais cenas de ação foram aglutinadas nos trailers.

O roteirista e diretor, Michael Dougherty, faz um trabalho interesse ao dividir seu enfoque entre o núcleo dos monstros e dos humanos. Vera Farmiga é excepcional, apesar de permanecerem dúvidas quanto às motivações de sua personagem. Millie Bobby Brown se esforça, demonstrando seu talento para além de Stranger Things.

É nítida a dificuldade de aprofundamento das relações humanas num filme como tal: o público a quem se destina deseja ver o embate entre criaturas predominar. Quando há espaço para o estabelecimento de profundidade, o longa se limita a produzir alívios cômicos não engraçados.

Salvo defeitos, o filme de 2019 é superior ao de 2014. Porém, oportunidades desperdiçadas resultam em quebra de expectativas para os fãs desse universo. Visualmente lindo, Godzilla II: Rei dos Monstros apresenta um final abrupto que prepara o terreno para o próximo lançamento da franquia: Godzilla vs. Kong. A única certeza que possuímos é de que estaremos aguardando ansiosamente pelo filme seguinte. Obrigado, equipe de marketing da Warner!

O longa tem estreia prevista para o dia 30 de maio no Brasil. Confira o trailer:

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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