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Ideias Revolucionárias em um Documentário da Atualidade: Zeitgeist
CINÉFILOS
15 nov 2014 | Por Jornalismo Júnior

por Breno Leoni Ebeling
brenolebel@gmail.com

E de repente você se percebe pensando em como é o mundo e o abismo existente com relação a como ele deveria ser. Pensa e elabora, se questiona a respeito do funcionamento de tudo. Observa a religião, a economia, a sociedade. Percebe seus próprios erros e acertos, mas também enxerga erros sociais. Peter Joseph, além de ser um ativista social que observou muito a respeito desses temas, dirigiu a trilogia Zeitgeist que reúne um apanhado de ideias que pode fazer as ideias de um ser humano mudarem 180 graus!

A promessa de um mundo melhor é sempre tão abordada pelos políticos: basta alguns segundos ouvindo uma propaganda política e terá uma constatação irrevogável de alguém dizendo ter a solução para as mazelas do país. A proposta de um futuro dourado está sempre em voga.

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“Zeitgeist” significa, em alemão, ‘espírito do tempo’. A inquietude humana não é uma especificidade do nosso tempo, mas ela tem se manifestado de formas diferentes dentro de um contexto de globalização, com comunicação instantânea em nível mundial. Você se questiona frequentemente sobre paradigmas estabelecidos? Se ainda não viu a trilogia Zeitgeist, ela será uma catapulta de questionamentos de ordens pessoais, sociais, econômicas.  Não só em nível nacional, como também em termos planetários. Como cada um enxerga e reage aos fatos apresentados ao longo de cerca de sete horas de filmes com certeza variará.

A força desses filmes é grande: tem gerado impactos políticos globais. Ao todo são três documentários, os dois primeiros são divididos em três partes, e o último é um tanto quanto mais longo, com quatro partes. Os três documentários estão disponíveis na web: a idéia do diretor Peter Joseph é atingir o máximo de pessoas possível.

 

Zeitgeist, o filme

Zeitgeist, o filme (Zeitgeist, 2007) constrói uma linha de raciocínio em torno de fatos que normalmente são tidos como verdades absolutas pela maior parte das pessoas. Mas diferente do que há de se supor, a linha lógica destrói o senso comum. O filme reúne fontes diversas em torno de temas como religião, atentados terroristas e a formação do FED, que é a instituição americana que atua com atribuições parecidas ao nosso banco central.

Em relação às informações apresentadas no documentário, é importante manter-se com espírito crítico e não comprar as informações sem questionamentos. É inegável que a obra apresente uma boa construção lógica.

O longa conduz o expectador, em sua primeira parte, aos campos mais áridos da discussão religiosa. Coloca o cristianismo tal qual é concebido atualmente no centro de um campo de batalha ideológica. Ao fazer esse tipo de questionamento, o diretor coloca esse movimento religioso como um sincretismo cultural de agregação. Isso é positivo na medida em que tira fundamentalistas religiosos de um pedestal longe de questões.

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Assim como com a religião, os atentados terroristas de 11 de Setembro são postos em voga. Neste ponto o documentário adquire um ar de conspiratório que pode representar um prato cheio aos adeptos deste tipo de teoria. Se o que o documentário coloca em cheque é verdade ou não, fica a gosto do freguês. O interessante, em particular é o provocamento que o filme faz. Ele tira o expectador de sua zona de conforto. Coloca questões que a primeira vista parecem distantes, mas afetam a seres humanos individual e isoladamente.

Addendum e Moving Forward

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Peter Joseph figura o circuito alternativo de cinema, mas o primeiro filme gerou impacto em setores do cinema comercial. Após a repercussão do primeiro, Joseph se inspirou na produção de outras duas obras da marca Zeitgeist. Addendum, de 2009 se apresenta como um abridor de mentes em alguns aspectos até mais incisivo que a primeira obra.  A linha geral desse filme é de ordem econômica. As questões do Fed, terrorismo econômico em países subdesenvolvidos, e paradigmas sociais são abordados respectivamente em cada uma das partes desta obra. Aqui é lançada uma ideia de projeto social global: uma das ideias centrais do filme é de que o ser humano já atingiu um avanço tecnológico que por si permitiria a toda a população da terra a se dedicar apenas a artes e filosofia.

Em Moving Forward, lançado em 2011, a discussão exibida no documentário é um tanto quanto mais variada: a genética entra em voga na primeira parte, quando especialistas apresentam diversos pontos de vista a respeito do que é considerado como doença genética. Na segunda parte, a economia e religião são atreladas conceitualmente dentro do tema de patologia social: desde o início do estudo de economia, formalizada em 1776 com a publicação de a Riqueza das Nações, o mercado é “endeusificado”. O documentário coloca um processo da busca do dinheiro pelo dinheiro como fator gerador de diversos disturbios comportamentais. Normalmente, as pessoas disassociam religião  A partes três retoma a ideia apresentada no documentário anterior: é possível uma sociedade mais igualitária, utilizando-se de tecnologias existentes, mas que não são ofertadas para manter o status quo da dominação econômica perpetrada pelo governo dos Estados Unidos em aliança com grandes organizações. A quarta e última parte mostra um apanhado de dados históricos. A situação mostrada pelo filme é desesperadora.

Para além dos documentários

O leitor provavelmente já se deparou com discursos emocionantes e apaixonados, que tendem a distorcer a realidade. Mas o importante destes discursos é que movem pessoas. A própria etimologia da palavra emoção está relacionada com a ideia de movimento. Este documentário pode ser visto com esta ótica: é um discurso apaixonado em torno de um ideal.

Atualmente o movimento gerado por estes documentários tem nível global e influencia, para o bem ou para o mal, grandes movimentos em diversos países. O discurso apaixonado muitas vezes revela informações não tão verossimeis. Críticos de filmes têm classificado muitas das ideias apresentadas por Joseph como absurdas. Ao expectador, é sempre preferível tomar suas próprias conclusões. A dica é: assista e esteja aberto para as provocações. Delas podem surgir grandes mudanças de pensamento.

 

Cinéfilos
O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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