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O dia em que Schumacher se igualou a Senna
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10 set 2020 | Por Rodrigo Tammaro (rodrigotammaro@usp.br) e Wálace de Jesus (walace.jesus@usp.br)

No último dia 6 de setembro, aconteceu o GP da Itália, em Monza, que ficou marcado como a primeira vitória da carreira de Pierre Gasly. Entretanto, o universo automobilístico relembra, neste dia 10 de setembro, outro fato marcante que aconteceu há exatos 20 anos na mesma pista: o dia em que Michael Schumacher conquistou sua 41ª vitória na Fórmula 1 e igualou a marca de Ayrton Senna.


As trajetórias de Senna e Schumacher na F1

Ayrton Senna nasceu em São Paulo, no dia 21 de março de 1960, e desde a infância já era apaixonado por automóveis. Com quatro anos de idade ganhou um kart feito com o motor de uma máquina de cortar grama de seu pai, um grande fã da categoria de automobilismo. Senna começou a competir, em corridas de kart, com 13 anos e fez sua estréia na Fórmula 1 em 1984, aos 24. 

Ayrton Senna durante disputa de campeonato na Fórmula Ford, antes de se profissionalizar na F1

Ayrton Senna durante disputa de campeonato na Fórmula Ford, antes de se profissionalizar na F1 [Imagem: Wikimedia Commons/Instituto Ayrton Senna]

Michael Schumacher é outro grande nome dessa categoria do automobilismo. Ele nasceu na Alemanha Ocidental, em 3 de janeiro de 1969, nove anos mais tarde que Ayrton Senna. O primeiro contato de Schumacher com o automobilismo foi através do seu pai que trabalhava no setor administrativo de um kartódromo na cidade de Kerpen. Assim como Senna, Schumi começou a competir cedo. Com apenas quatro anos de idade, ganhou seu primeiro kart e, aos 22, iniciou sua trajetória profissional na Fórmula 1. 

Schumacher na Holanda, em 2006

Schumacher na Holanda, em 2006 [Imagem: Wikimedia Commons/ Garellfog1]

Durante sua carreira na categoria, Senna participou de 162 GPs e ganhou três títulos (1988, 1990 e 1991). As 41 vitórias do piloto fazem dele o quinto mais vitorioso em toda a história da categoria. Em 1994, Senna correu pela última vez durante o Grande Prêmio de San Marino, no qual foi vítima de um acidente fatal durante o circuito, que foi reiniciado e vencido por Michael Schumacher.

Já o alemão participou de 308 corridas, conquistou sete campeonatos (1994, 1995, 2000, 2001, 2003 e 2004) e detém diversos recordes na categoria. O principal deles é o recorde de maior número de vitórias (91), que fazem de Schumacher o piloto mais vitorioso da história da Fórmula 1. Ele correu pela última vez durante o Grande Prêmio do Brasil em 2012 e logo depois se aposentou. Em 2013, ele sofreu um acidente de esqui e não retornou às pistas de corrida.

Para Flavio Gomes, comentarista da Fox Sports e fundador do site Grande Prêmio, “Schumacher tem números mais impressionantes e façanhas mais complexas realizadas, como ganhar campeonatos por equipe média, a Benetton, e aceitar o desafio de tirar a Ferrari do fundo do poço, algo que Senna não se propôs a fazer”. Entretanto, o comentarista ressalta que apesar dos números e estatísticas favoráveis ao alemão, “no confronto direto entre ambos, em 1992 e 1993, cada um chegou uma vez na frente do outro”. Confira aqui a entrevista na íntegra. 


GP de Monza e a temporada de 2000

No ano de 2000, ocorreu, em Monza, o Grande Prêmio da Itália, 13ª corrida da temporada. O campeonato daquele ano foi disputado principalmente por Michael Schumacher e pelo finlandês Mika Häkkinen, que até então liderava a classificação com 74 pontos. Apesar da liderança de Häkkinen, “era um campeonato com a cara de Schumacher e todos achavam que naquele ano a seca de títulos terminaria”, pontua Flavio ao lembrar que Schumacher terminou campeão da temporada de 2000.

Os destaques do treino classificatório do GP de Monza foram Schumacher, que terminou com a pole position, Rubens Barichello, em segundo lugar, e Häkkinen, em terceiro no grid. Já na corrida, aconteceu um acidente envolvendo cinco pilotos, entre eles Barrichello, que ocasionou a morte do fiscal Paolo Gislimberti, atingido por um pneu arremessado durante a colisão. Apesar do incidente, a corrida não foi cancelada.

O alemão ficou com o primeiro lugar, o finlandês com o segundo e Ralf Schumacher, irmão mais novo de Michael, com o terceiro lugar no pódio. Dos 22 pilotos, 10 não terminaram a corrida por problemas técnicos ou colisões. Ao final do GP, Häkkinen continuou liderando a classificação da temporada, mas a vitória de Schumacher, que terminaria o ano como campeão, diminuiu a diferença entre eles para dois pontos. 


A 41ª vitória de Schumacher e o recorde de Senna

A corrida é lembrada principalmente pelo dia em que Schumacher igualou as 41 vitórias do Senna, mas também pelo choro dele durante a entrevista coletiva ao ser lembrado da conquista. Descrito por muitos como uma pessoa fria e calculista, esse foi um dos únicos momentos em que o piloto se emocionou diante das câmeras.

O escritor Ernesto Rodrigues, autor de Ayrton – o herói revelado, descreve na biografia do piloto brasileiro as palavras de Schumacher após ter consciência do fato: “É verdade. Quando me lembraram que eu estava igualando as vitórias de Senna, tudo voltou. Foi uma mistura de muitas coisas. Eu estava sobre uma pressão inédita, mas claramente aquilo aconteceu por causa da memória de Ayrton. É uma pena que a gente não tenha corrido um contra o outro por todos esses anos”.

Hakkinen e os irmãos Schumacher durante entrevista coletiva após o GP de Monza, Michael, no meio, chora ao ser lembrado da marca que acabara de alcançar

Häkkinen e os irmãos Schumacher durante entrevista coletiva após o GP de Monza, Michael, no meio, chora ao ser lembrado da marca que acabara de alcançar [Imagem: Reprodução/YouTube/SENNA Legacy]

Em Michael Schumacher – O maior piloto da Fórmula 1: sua trajetória na mídia brasileira, de Sérgio Paula, também há relatos de que, além de ter se igualado  seu ídolo, esse não era o único motivo de emoção de Schumacher. Durante toda a temporada, o piloto alemão sofreu pressão externa da imprensa européia, que duvidava de sua aptidão nas pistas. Flavio Gomes destaca que “Schumacher era mais profissional e menos personalista. Michael pegou uma fase bem mais exigente da F1 no que diz respeito, principalmente, a erros de pilotagem e arroubos de pop star. Uma F1 mais profissional, em resumo”, finaliza.

Na época, o número de vitórias de Senna já era um dos mais expressivos, o que demonstrou o tamanho do alemão ao conseguir alcançá-lo. A marca de Schumacher fica ainda mais impressionante se considerarmos que no ano seguinte, em 2001, ele superou o recorde do francês Alain Prost, que até então era o maior vencedor da história da Fórmula 1, com 51 vitórias. 

Atualmente Schumacher detém o recorde de 91 vitórias, praticamente o dobro das marcas de Prost e Senna. Entretanto, essa marca pode ser superada pelo inglês Lewis Hamilton ainda em 2020. Flavio comenta sobre o recorde de Schumacher e a possível superação por Hamilton: “Pouca gente acreditava que alguém superaria essa marca, porque para isso seria necessário um domínio muito longevo de alguma equipe. E domínio como esse da Mercedes, que já dura sete anos, nunca se viu na F1. Mesmo o período hegemônico da Ferrari, do qual Schumacher tirou enorme proveito para construir esses números, foi mais curto: cinco anos, de 2000 a 2004. Hamilton está fazendo o mesmo, com a vantagem de que disputa campeonatos com mais corridas”.

Apesar da ameaça de Hamilton a um dos maiores recordes da F1, Senna e Schumacher sempre serão lembrados como dois dos principais nomes da categoria no automobilismo.

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