Home Na Estante O diário é de Bridget, mas pode também ser um pouco de todos nós
O diário é de Bridget, mas pode também ser um pouco de todos nós
Na Estante
15 dez 2016 | Por Jornalismo Júnior

Ao ler o Diário de Bridget Jones pela primeira vez, tente marcar todas as coisas que Bridget diz ou faz, pelo menos durante o primeiro capítulo, que poderiam ser suas ações. Provavelmente serão muitas. Para mim, pelo menos, foram. E essa talvez seja a maior qualidade deste livro, que faz a leitura realmente valer a pena: a grande quantidade de pontos de identificação entre o leitor e a protagonista. No fundo, somos todos Bridget Jones, em maior ou menor grau.

O enredo do primeiro volume da série O Diário de Bridget Jones – relançado pelo selo Paralela, da Companhia das Letras, em 2016 – é bastante conhecido, por conta da adaptação bem-sucedida para o cinema, lançada em 2001, e a produção cinematográfica é surpreendentemente fiel ao livro, escrito em 1995. A personagem que dá nome à série é uma mulher de trinta e poucos anos que relata ao seu diário suas metas para o ano que se inicia: emagrecer alguns quilos, parar de fumar, estabilizar-se no emprego e, principalmente, ter um relacionamento sério com um homem que a ame. No entanto, como acontece frequentemente com nossas próprias metas de ano novo, não é tão fácil para Bridget alcançar suas metas.

Enquanto a personagem está focada em fazer sua vida dar certo – segundo os parâmetros que havia estabelecido para si -, as situações vão se desenrolando e muitas vezes a desviam de seus objetivos. Ela se envolve com seu chefe e tudo dá errado; nutre sentimentos conflitantes por Mark Darcy, um conhecido de infância; faz vários planos que falham miseravelmente. Seus amigos e família também interferem, e suas histórias também são narradas por Bridget, sempre de forma muito cômica. É particularmente interessante acompanhar a história de sua mãe, por exemplo, que quase parece habitar outra dimensão, ou de sua amiga feminista, Sharon – de quem também seria muito bom poder ler o diário, caso ela mantivesse um.

Bridget Jones é uma personagem extremamente cativante, o que torna a leitura encantadora. É muito fácil gostar dela, torcer para que as coisas finalmente comecem a dar certo em sua vida, empolgar-se com suas vitórias, entristecer-se com suas derrotas. Isso se dá justamente porque ela é tão imperfeita. Quem, afinal, nunca se sentiu errando constantemente, ou em um estado de estagnação, ou até mesmo em situações tão ruins que chegam a ser engraçadas? Vemos a nós mesmos tão rapidamente em Bridget, em suas escolhas pouco acertadas, em suas inseguranças e expectativas, que é quase impossível não ler toda a história como se fosse a sua. Além disso, o fato do livro ser escrito em forma de diário só faz a identificação aumentar.

No final do primeiro volume, não há nenhuma revelação bombástica ou situação inesperada. A vida de Bridget também não passa a ser perfeita em um passe de mágicas. Mas é possível dizer que, pelas últimas páginas, a protagonista aprendeu uma coisa ou duas sobre cobranças, metas inalcançáveis, como lidar com problemas e se aceitar do jeito que é. E, com sorte, o leitor também aprendeu junto.

Por Mariana Rudzinski
marianarudzinski71@gmail.com

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