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O que contam os detalhes: Cidade de São Paulo
FOCO
19 ago 2019 | Por Gabrielle Abreu (gbabredeoliveira@gmail.com)

São Paulo possui história a cada esquina do Centro Velho. Por vezes passamos apressados e preocupados com o minuto futuro que não reparamos na imensidão de significado que cada detalhe guarda. Nós estamos aqui por um motivo, e saber de onde viemos é algo que a própria cidade nos ajuda a relembrar. Para onde vamos, só o tempo dirá. Antes de ser um guia turístico, essa fotorreportagem foca no que passa despercebido aos seus, aos meus e aos nossos olhos.

 

1554

Pateo do Collegio

O Colégio de São Paulo de Piratininga foi fundado em 25 de janeiro de 1554. A construção primitiva era uma pequena cabana de pau a pique, coberta de palha, onde os jesuítas dormiam- entre eles, Manoel da Nóbrega e José de Anchieta-em busca da catequização dos povos indígenas. O Colégio é considerado o berço da cidade, que foi muito influenciada pelo cristianismo em sua fundação. Hoje, o local é um complexo cultural que abriga o Museu, a biblioteca Pe. Antônio Vieira e a Igreja, reconstruída no local onde foi realizada a primeira missa da região.

 

1598

Estátua do Apóstolo Joannes (João) na Basílica Abacial de Nossa Senhora de Assunção, por Adrien Henri Vital Van Emelen

O Mosteiro de São Bento é lar dos monges beneditinos a mais de 400 anos. Em 2007, o monastério hospedou o papa Bento XVI durante sua visita ao Brasil. Hoje, o Mosteiro de São Bento forma um conjunto com o Colégio de São Bento, Faculdade de São Bento e a Basílica Abacial de Nossa Senhora de Assunção. O relógio que encontra-se à entrada da igreja, instalado na década de 20 é considerado um dos mais precisos de São Paulo. 

 

1825

Ladeira da Porto Geral

A mais famosa rua de comércio em São Paulo ganhou o nome 25 de março em homenagem ao dia em que foi redigida a primeira Constituição Brasileira, de 1824, outorgada pelo imperador D. Pedro I. A rua começou em uma região de porto – por onde eram desembarcados os produtos que vinham do porto de Santos – e por isso uma das travessas recebe o nome de Ladeira Porto Geral, onde chegavam e partiam mercadorias diversas transportadas pelos rios Tamanduateí e Anhangabaú. Em janeiro de 1850, os moradores do local enfrentaram uma enchente histórica, que destruiu dezenas de casas. Posteriormente a região foi aterrada e retificada da forma original para a atual. 

 

1827

Vitral da Academia de Direito do Largo São Francisco, 3º andar

Poucos anos após a proclamação da Independência do Brasil, foi criada a Academia de Direito de São Paulo, como instituição-chave para o desenvolvimento da Nação, pois se destinava a formar governantes e administradores públicos capazes de estruturar e conduzir o país recém-emancipado. De seus estudantes ou de seus egressos, partiram os principais movimentos políticos da História do Brasil, como o Abolicionismo de Joaquim Nabuco, Pimenta Bueno e Perdigão Malheiro e o Movimento Republicano de Prudente de Moraes, Campos Salles e Bernardino de Campos até a campanha das Diretas Já de Ulysses Guimarães e Franco Montoro. 

 

1834

Vista de uma das janelas onde a Marquesa de Santos fumava seus cigarros

Maria Domitila de Castro e Mello, conhecida como Marquesa de Santos, entrou para a história do país como amante do imperador Dom Pedro I e para a história de São Paulo em 1834 ao comprar este grande sobrado aristocrata no coração da cidade. Conhecida por suas festas e bailes de máscaras, a residência é o último exemplar remanescente da arquitetura residencial urbana do século XVIII na cidade de São Paulo. Hoje, o prédio abriga a sede do Museu da Cidade de São Paulo. 

 

1877

Viaduto do Chá

O Viaduto do Chá foi o primeiro viaduto a ser construído na cidade de São Paulo, localizado no Vale do Anhangabaú. Ele possui esse nome devido a extensa plantação de chá da Índia que ficava nas suas proximidades. Outra origem da nomenclatura fica por conta do Marechal José Arouche de Toledo Rendon, que cultivava chá perto do Largo do Arouche. Foi idealizado pelo francês Jules Martins em 1877, mas inaugurado apenas em 1892. Simbolicamente, o viaduto liga o Centro Velho – Rua Direita – com o Centro Novo – Rua do Chá, atual Rua Barão de Itapetininga.

 

1891

Av. Paulista

Projetado pelo engenheiro uruguaio Joaquim Eugenio de Lima, a Avenida Paulista tinha como objetivo receber as mansões dos barões de café que buscavam fugir da agitação do centro de São Paulo. Após sua inauguração, o efeito foi o oposto: tornou-se uma das principais vias e concentra até hoje diversas atrações. Foi a primeira via pública a ser asfaltada em São Paulo. É hoje um dos principais centros financeiros e um corredor cultural de 2.800km de extensão. 

 

1910

Vista do Vale do Anhangabaú pelo Viaduto do Chá

O Vale do Anhangabaú é o ponto que delimita o Centro Velho e o Centro Novo. O nome Anhangabaú origina-se do tupi, “água venenosa” e possivelmente deriva do fato de suas águas serem muito férreas e ácidas. Os indígenas consideravam o rio maldito e, atualmente, o mesmo está canalizado e escondido, exceto por suas nascentes, que se encontram ao ar livre, entre as regiões de Vila Mariana e Paraíso. O Vale já foi palco de diversas manifestações, entre elas, o comício das Diretas Já, em 1984 reunindo cerca de 1,5 milhão de pessoas. 

 

1911

Vitral à esquerda da entrada do Theatro Municipal

O Theatro Municipal de São Paulo, na Praça Ramos de Azevedo, foi projetado pelo arquiteto que deu nome à Praça, junto com os italianos Cláudio Rossi e Domiziano Rossi no estilo arquitetônico inspirado na Ópera de Paris. Foi inaugurado em 1911, com a ópera Hamlet, após oito anos de construção. No dia da inauguração, aconteceu o primeiro congestionamento da cidade de São Paulo – os carros na época eram veículos movidos por tração animal. Sua importância histórica deve-se aos diversos acontecimentos culturais que ocorreram em suas dependências como a Semana de Arte Moderna de 1922, que marcou e deu início ao Movimento Modernista no Brasil. O teatro coordena hoje a Orquestra Sinfônica Municipal, o Balé da Cidade, o Quarteto de Cordas, o Coral Lírico e o Coral Paulistano.

 

1932

Obelisco Mausoléu aos Heróis de 32

O monumento funerário presta homenagem a estudantes e soldados que lutaram durante a Revolução Constitucionalista de 32 e é a maior obra artística da cidade. Foi projetado pelo escultor Galileo Ugo Emendabili e foi construído pelo engenheiro Ulrich Edler. A junção dos nomes dos jovens que faleceram no confronto com defensores de Vargas na Praça da República, Miragaia, Mário Martins, Dráusio e Camargo – MMDC – tornou-se o nome do movimento contra o ditador. O poema de Guilherme de Almeida – ex-combatente considerado “o poeta de 32” – está inscrito no obelisco: “Aos épicos de julho de 32, que, fiéis cumpridores da sagrada promessa feita a seus maiores – os que moveram as terras e as gentes por sua força e fé – na lei puseram sua força e em São Paulo sua Fé.”

 

1933

Mercado Municipal de São Paulo

Projetado pelo escritório do arquiteto Francisco Ramos de Azevedo, o Mercadão foi inaugurado em 25 de janeiro de 1933. Trata-se de um representante da arquitetura da “Metrópole do Café” quando a cidade buscava a valorização de suas áreas centrais, associada a uma ideia de modernidade. Somente com o fim da Revolução Constitucionalista de 1932 o mercado pôde assumir suas funções. Após o final da Segunda Guerra Mundial, com a economia brasileira aquecida, o mercado tornou-se o principal entreposto de alimentos.

1954

Escultura à direita do altar-mor da Catedral da Sé

A Catedral Metropolitana Nossa Senhora da Assunção é a principal igreja da cidade e sua construção começou a pouco mais de 100 anos. A primeira igreja foi feita em taipa de pilão, e a escolha do local ficou a cargo do Cacique Tibiriçá, considerado o primeiro cidadão de Piratininga e o primeiro índio a ser catequizado no Brasil. Quase duzentos anos depois, em 1745, a velha Sé foi elevada à categoria de Catedral e, devido à precariedade da primeira construção, uma segunda “versão” foi erguida, considerada um dos maiores templos neogóticos do mundo, projetado pelo alemão Maximilian Emil Hehl. O marco zero da capital paulista está localizado em frente à igreja, simbolizado por uma escultura que traça um mapa de São Paulo com destino a outros estados. O Trópico de Capricórnio passa em cima desse marco.

 

Foco
Foco é o núcleo de Audiovisual da Jornalismo Júnior que produz diariamente pautas nos formatos de vídeo- e fotorreportagens, propondo uma inovação ao contar de narrativas jornalísticas.
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