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O que há além dos rótulos
Guardarroupa
22 dez 2018 | Por Jornalismo Júnior

Imagem: Marcelo Canquerino / Comunicação Visual – Jornalismo Júnior

Por Thaislane Xavier (thaislanexavier@usp.br)

Acordar. Escovar os dentes com pasta. Tomar banho e utilizar sabonete corporal, para rosto, íntimo e esfoliante. Lavar o cabelo com shampoo, condicionador, máscara hidratante. No pós banho, usar creme corporal, para as mãos, pés e rosto, protetor solar. No cuidado com o cabelo, óleos, cremes sem enxágue e protetores térmicos. Na hora da maquiagem, usar desde o primer até o batom. Fazer as unhas com bases, esmaltes, amolecedor de cutícula, depois removedor  para tirar os borrados.

Nessa simples rotina de beleza, que faz parte da vida da maioria das mulheres brasileiras, cerca de 126 compostos químicos presentes nos produtos podem ter sido transportados para o corpo.

Ao contrário do imaginário popular, alguns cosméticos melhoram a aparência apenas momentaneamente, causando danos à saúde a longo prazo.

Um teste realizado pelo The Mount Sinai School of Medicine encontrou cerca de 167 compostos químicos industriais na urina e no sangue de alguns voluntários, em uma média de 91 componentes por pessoa.

Do total de compostos encontrados, 76 são reconhecidos como causadores de câncer em humanos, 94, tóxicos ao sistema nervoso e ao cérebro. 86 afetam o sistema hormonal e 82, os pulmões e a respiração.

Mesmo tão perigosos assim, os riscos gerados pelos produtos de beleza são pouco conhecidos. Pois ao contrário de marcas que fabricam cigarros, que são obrigadas a dizer os danos causados pelo produto na embalagem, os fabricantes de cosméticos estão isentos de alertar seus consumidores.

A fiscalização é complicada devido à quantidade de marcas que surgem todos os dias, além da  enorme gama de produtos dos mais variados tipos existentes no mercado. Somado a isso, existem aquelas marcas que fizeram testes, no entanto, os compostos químicos foram experimentados separadamente e não juntos, como são apresentados aos consumidores.

Outra questão é que a indústria de cosméticos e higiene pessoal alega que os componentes estão em pequenas quantidades,  e que, assim, não há problema no uso. O que esquecem de mencionar é que a toxicidade ocorre pelo uso cotidiano e o efeito sinergético.

Os cosméticos são  usados todos os dias e de forma contínua. Isso significa que são pequenas quantias de toxinas colocadas no corpo todos os dias, mas que vão acumulando de forma progressiva. Por exemplo: dermatologistas estimaram que uma mulher absorve cerca de dois quilos de seus cosméticos anualmente. A pele não funciona como uma barreira, ao contrário, ela absorve as toxinas, que entram  em contato com a corrente sanguínea.

Um toxina tem a capacidade de potencializar o efeito de outra, e um produto concentra “pequenas quantidades” de muitas toxinas. Juntando isso com a quantidade de itens de beleza que se usa e a abundância de substâncias potencializadoras em cada um deles se tem o efeito sinergético.

A ideia era que as mercadorias tivessem um pequena quantidade de elementos cancerígenos, mas com o efeito sinergético a porcentagem dessas substâncias excede a tolerância máxima recomendada.

Assim, esses compostos químicos podem ativar e desativar genes(como os medicamentos),mas de forma não intencional e sem que o indivíduo saiba o que está se passando com o seu corpo. Os maiores afetados são crianças, especialmente bebês em fase de amamentação, já que tudo do corpo da mãe passa para o filho através do leite.

Antes de comprar um item de beleza é fundamental ler no rótulo quais são as substâncias que ele contém e a quantidade de cada uma delas. Para ajudar nesse momento e fornecer ao comprador informações que nem sempre estão presentes nos rótulos dos cosméticos, a canadense Lily Tse desenvolveu o aplicativo Think Dirty.

Para ter informações sobre como os ingredientes usados, de onde eles vieram e quais são nocivos, basta abrir o aplicativo e apontar a câmera para o código de barras. Além disso, ele faz um ranking com os produtos  cadastrados. Os que recebem notas de 0 a 3 não contêm componentes nocivos. Aqueles que obtêm de 4 a 7 possuem elementos que, a longo prazo, podem ser prejudiciais. Ficam entre 8 e 10 aqueles que têm os piores impactos na saúde.

Enquanto as normas para que um produto seja lançado não mudam, cabe a cada consumidor procurar os melhores meios para descobrir  quais usar ou aqueles que é melhor evitar. Além disso, reivindicar aos órgãos competentes uma mudança rápida na situação atual.

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