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O que rolou no quarto dia da Campus Party: olhando para o futuro
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16 fev 2019 | Por Jornalismo Júnior

Imagem: João Pedro Malar / Jornalismo Júnior

O quarto dia da Campus Party Brasil explorou muito bem um dos principais elementos do evento: a tecnologia. Nos diversos palcos do local, foi possível assistir palestras e realizar workshops que mostraram onde estamos e, principalmente, para onde vamos nesse aspecto. Eles mostraram também como algo que achamos estar reservado ao futuro, na verdade, já está no nosso presente, alterando nossas vidas e nosso meio.

O novo ministro

A principal palestra do dia foi do Ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Marcos Pontes. Pontes é famoso por ter sido o primeiro brasileiro a chegar ao espaço. O ex-astronauta já havia comparecido a outras Campus Party no passado, como palestrante, mas essa foi a sua primeira como ministro de Estado.

No palco Feel the Future, o ministro falou sobre a importância da ciência e da tecnologia para o desenvolvimento do Brasil, sob a perspectiva do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações. Além dele, também fez parte da palestra, Vinícius Lages, diretor técnico do Sebrae Nacional. O ministro comentou da importância da tecnologia para o futuro e para as transformações sociais, por exemplo nas mudanças que ocorrerão no mercado de trabalho. Para ele, a ciência e a tecnologia devem gerar riqueza, qualidade de vida e conhecimento, e o mesmo deve ocorrer no Ministério que agora é chefiado por ele.

 

O ministro Marcos Pontes realizou uma palestra sobre ciência e desenvolvimento / João Pedro Massa

 

As tecnologias devem ser sustentáveis e desenvolver o país. Marcos acredita que , hoje, ainda não se produz o suficiente para a modernização do Brasil. Para que tudo isso ocorra, e que o conhecimento se torne algo prático, o empreendedorismo é essencial: com ele, surgem novos serviços, produtos e empresas. Para isso, é essencial sempre pensarmos em como melhorar as coisas, ter um espírito de empreendedor, que deve ser desenvolvido desde os primeiros anos de vida.

Ele apontou que a exploração do big data e o uso da internet das coisas serão essenciais para os próximos anos, e que devem ser explorados cada vez mais. Uma tecnologia que ele destaca para o futuro é a inteligência artificial. No ministério, a participação dessa tecnologia é ativa, com a secretaria de Empreendedorismo e Inovação.

Um elemento essencial para o futuro é a desburocratização, com a passagem de um governo analógico para um digital. A ideia, segundo ele, é modernizar a gestão pública, torná-la mais racional e criar serviços públicos mais eficientes. Outro lado importante é o incentivo à transparência.

Uma nova frente de atuação do ministério é o investimento para a implantação de Cidades Inteligentes no Brasil, por meio de programas de infraestrutura, incentivo à pesquisa e colaboração de órgãos. O projeto inicial de investimentos ocorrerá na capital do país, Brasília. Segundo o ministro, o ministério servirá como uma ferramenta, até para outros ministérios e empresas, gerando modernização e desenvolvimento.

O ministro não comentou sobre a perspectiva de cortes e paralisações nos financiamentos de pesquisa, essenciais para o desenvolvimento do país. Porém, lamentou o orçamento reduzido de seu ministério, decorrência do ano passado. Também disse que espera contar com um orçamento melhor para o ano seguinte, para expandir investimentos em ciência, inovação e tecnologia.

Drones na Amazônia

A tecnologia também pode ser usada para proteger o nosso meio ambiente. Foi isso que Mário Fraga, analista de tecnologia militar a serviço do Exército Brasileiro a disposição do Sistema de Proteção da Amazônia (SIPAM), demonstrou em sua palestra. Nela, ele mostrou como os drones são usados para proteger a Floresta Amazônica. A palestra ocorreu no palco Makers.

Em 2013, Mário havia assumido um cargo público e também começou a se dedicar à área de fotografia. Foi nesse período que ele entrou em contato com os drones, e montou seus próprios equipamentos a partir de pesquisas. Em 2014, ele já cobria desastres naturais na região, como uma grande enchente que atingiu a região de Rondônia. Fraga foi um dos pioneiros na área. Ele passou a se dedicar à inspeção de obras, entregando resultados de melhor qualidade e com menos custos que empresas que usavam aviões ou helicópteros. Um desafio é a extensão da Amazônia (60% do território nacional), que dificulta o monitoramento de sua totalidade.

Se em 2014 os drones ainda eram uma novidade, agora eles possuem uma ampla utilização em múltiplas áreas. A tecnologia evolui muito, e atualmente até drones portáteis já existem. Essa modernização facilitou o trabalho de Fraga, e abriu novas possibilidades de atuação. Hoje, é possível usar drones para controle ambiental, de obras, topografia, mineração, cadastro urbano e agricultura, de forma rápida e com mais eficiência.

Em específico para o caso da Amazônia, Fraga atua no sistema integrado de detecção de desmatamento e extração seletiva por imagens SAR (SipamSAR). Na metade do ano, a Amazônia é coberta por nuvens, impedindo a detecção por satélite. É nesse período que o desmatamento ocorre de forma desenfreada na região. É nesse período que o Sipam atua. As imagens SAR (satélite por onda) conseguem atravessar as nuvens, permitido a fiscalização.

O objetivo do projeto é gerar alertas de desmatamento com uso de tecnologia de radar de abertura sintética, completando o projeto DETER do INPE. O projeto existe devido ao alto custo da devastação ambiental. Uma grande dificuldade é não apenas fiscalizar toda a extensão da Floresta amazônica, mas também lidar com a baixa estrutura e pessoal disponíveis.

O drone entra na validação de informações que o SipamSAR coleta. É possível saber o que foi desmatado e, confirmada a devastação, conseguir aplicar as devidas punições legais para os responsáveis.

Além do SipamSAR, há o SipamHIDRO (Sistema Integrado de Monitoramento e Alerta Hidrometeorológico para Amazônia). A região da Amazônia enfrenta um grande problema: as cheias dos rios. A ocupação, que se concentrou nas margens dos rios, piora o problema, e milhares de pessoas são afetadas. Outro problema são as tempestades tropicais, que têm grande força. A ideia do projeto é marcar um local no mapa e monitorar, usando informações climáticas e de rios para saber, com antecedência, se o local será afetado por chuvas e, por exemplo, será alagado.

O projeto ainda não chegou nesse ponto, mas está próximo. O drone é usado para analisar a elevação do terreno. Com múltiplos dados e análises, a tomada de decisão é mais acertada, rápida e eficiente, mitigando riscos e danos. O drone é mais barato e eficaz, então é muito melhor usá-lo, quando possível, do que usar um avião, que é mais caro. Além disso, o drone consegue entregar imagens com melhor resolução.

Todas as informações coletadas ficam disponíveis no site do SipamHIDRO.

Fraga comenta que os drones apresentam muitas utilidades: monitoramento de desmatamento, análise topográfica, monitoramento de conflitos, etc. É o uso da tecnologia para a proteção do meio ambiente.

 

Criando Startups

Por fim, Uri Levine, um dos fundadores do aplicativo Waze, falou sobre empreendedorismo e motivação no palco Feel the Future. O israelense comenta que o Waze é, hoje, uma ferramenta essencial, que já faz parte da vida das pessoas. Sem aplicativos como esse, é impossível se planejar, evitar atrasos e se orientar pelos locais.

Para ele, serão os empreendedores que mudarão o mundo e o transformarão em um local melhor. Por isso, mais empreendedores são necessários. Ele aponta um elemento essencial para um empreendedor: o desenvolvimento de uma sensação, positiva ou negativa, sobre algo, o que o motiva a construir.  A partir daí, entra-se em uma montanha russa. É essa montanha russa que representa a história de uma empresa, cheia de altos e baixos. Por fim, um empreendedor não deve ter dúvidas do que ele fará depois de atingir seu objetivo. É importante, porém, amar o problema, e não a solução.

Levine compara a criação de uma startup a se apaixonar. Pode ser algo demorado, pode ser rápido, pode dar certo ou não, pode-se precisar de várias tentativas, ou não. E sempre se deve explorar vários pontos de vista antes de tomar uma decisão. Tudo é pensado, calculado e avaliado. O amor, porém, pode cegar, e isso é um problema. Apesar de ser importante amar sua ideia, do contrário é natural desistir dela, é necessário saber ouvir críticas e conseguir mudar.

Outro elemento considerável é o fracasso: toda jornada de sucesso passa por muitos fracassos. E não há problema nisso, ou em sentir medo. Levine fala que “se você tem medo de falhar, você já falhou.” Por isso, é essencial abraçar as falhas e aprender com elas. Um empreendedor, portanto, deve ser corajoso, e sempre estar pronto para testar muitos jeitos de fazer algo.

Na sua palestra, Uri Levine deu dicas para a criação de uma Startup. / João Pedro Massa

A jornada para o sucesso, assim, é longa. E a primeira parte dela é sempre buscar saber quanto aquilo que você está desenvolvendo vale, e o que o público pensa de seu produto.Aqui, o marketing é essencial, atuando na formulação de estratégias de comunicação com os clientes. Depois, é importante definir o DNA da sua startup. Marca, ideia, essência. Apenas com isso é possível um projeto crescer e desenvolver uma cultura empresarial. O DNA e a missão de uma empresa definirão a jornada dela e do seu criador.

Levine simplifica o processo de criação de uma Startup: ele começa quando se identifica um problema e se percebe que muitas pessoas passam por ele. Depois, se busca entender a perspectiva do público em relação ao problema e, a partir daí, desenvolver uma solução aplicável e que conquistará uma clientela.

O quarto dia da Campus Party inovou com discussões em diversas áreas da tecnologia, mostrando como ela pode ser utilizada para melhorar nossas vidas e desenvolver a sociedade. Continue acompanhando nossa cobertura para saber mais sobre a Campus Party Brasil!

 

por João Pedro Malar
joaopedromalar@gmail.com

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