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Onde estão as mulheres da tecnologia?
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19 nov 2015 | Por Jornalismo Júnior

Ao entrar no Centro de Engenharia Elétrica da Escola Politécnica, na USP, para entrevistar a professora que colaborou com esse texto, notei que grande parte dos alunos que por lá circulavam eram homens. Isso não é mera percepção ou ocasionalidade. Segundo estatísticas levantadas pela própria USP, dos 4978 alunos que ingressaram nos cursos de graduação da Poli em 2014, apenas 963 eram meninas. Dos 461 docentes do mesmo instituto, apenas 59 são mulheres. Na pós-graduação, dos 2532 alunos, apenas 633 são mulheres. E isso se repete em outras unidades da USP, como no Instituto de Matemática e Estatística (IME) e no Instituto de Física (IF). Afinal, por onde andam as mulheres que atuariam na área da tecnologia?

A quantidade mínima de mulheres nas áreas de exatas é uma questão que persiste há tempos. Liria Sato é professora da USP e tem experiência na área da ciência da computação. Ela diz que em sua turma de graduação na Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) havia apenas duas mulheres em uma sala de aproximadamente 30 alunos. Em seu mestrado em Engenharia Eletrônica e Computação pelo ITA era apenas ela. “Apesar de ter crescido [o número de alunas nessa área], as meninas ainda são minoria”. Andressa Aquino, estudante de engenharia da computação na Unicamp, também presencia a pequena quantidade de meninas em seu curso: “De 90, entraram 9 meninas e 2 já saíram”.

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Dos 4978 alunos de graduação da Poli, apenas 963 são meninas (Fonte: Reprodução)

Mas o que causa esse pequeno número de mulheres nas áreas de exatas, como a computação? O problema começa desde cedo, com a construção social dos gêneros ainda na infância. Os brinquedos destinados às meninas remetem a cuidados com a casa, a exemplo das bonecas ou de kits de cozinha que tornam os cuidados com a casa em brincadeira. Enquanto isso, na seção de brinquedos indicado para meninos, há automóveis, aviões e motocicletas dinâmicos, além de kits de engenharia. Isso deixa subentendido o que pertence ao universo masculino e ao universo feminino. Para Andressa, a falta de incentivo dos colégios para que meninas entrem nessas áreas e a carência de exemplos são responsáveis por intimidar as mulheres a atuarem na tecnologia.

Apesar da baixa representatividade das mulheres nessa área, a contribuição delas é indiscutível. Ada Lovelace, matemática e escritora inglesa que viveu no século XIX, é considerada a primeira programadora da história por ter escrito o primeiro algorítimo para ser processado por uma máquina. Ela dá nome ao Ada Initiative, uma organização internacional que tem como objetivo ajudar as mulheres que atuam na área da tecnologia. “A mulher é muito detalhista, e nessa minha área da computação isso é uma vantagem. A mulher tem que ser mais abstrata e, ao mesmo tempo, mais incisiva para aplicar as ideias”, respondeu a professora Liria Sato em relação às características da mulher que são importantes para a área da computação. “A gente é mais teimosa e isso é importante, porque nessa área da computação você precisa se dedicar, já que o trabalho é bastante complexo e cheio de detalhes”.

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Ada Lovelace é considerada a primeira programadora da história (Fonte: No Feminino Negócios)

 

Diante de um cenário em que apenas 20% dos profissionais de tecnologia da informação são mulheres, segundo dados de 2009 do PNAD, surgem diversas iniciativas de mulheres que querem virar esse jogo. Além do já citado Ada Initiative, que conta com atividades para mulheres e também para homens, instruindo-os a como tratar as mulheres em seu ambiente profissional, há a Mulheres na Tecnologia, que visa aumentar a participação feminina na área de tecnologia da informação, e o Meninas Digitais, projeto que incentiva meninas dos ensinos fundamental e médio a cursarem informática.

Para Lydia Rodrigues, estudante de sistemas da informação, as mulheres são um grupo em ascensão na tecnologia. Ela cita o blog “Mulheres na Computação”, que incentiva mulheres a programarem e luta pela igualdade de gênero nessa área. “Antigamente era comum ver que a comunidade de desenvolvedores duvidava da capacidade feminina, porém isso vem diminuindo”, diz Lydia. “O sucesso das mulheres no mundo digital mostra que programação é fruto de muito esforço e dedicação e não tem nada a ver com gênero”.

Por Aline Naomi

aline.naomi.mb@gmail.com

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