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Para Poder Viver – Uma jornada para a liberdade
Na Estante
07 out 2016 | Por Jornalismo Júnior

Para Poder Viver (Companhia das Letras, 2016) reúne as memórias de Yeonmi Park, uma garota norte-coreana de Hyesan, cidade localizada na fronteira entre Coréia do Norte e China. Nascida no país mais repressivo do mundo, onde se acredita que os pensamentos podem ser ouvidos pelo líder, Yeonmi não fazia ideia do que a palavra liberdade significava, mas lutou e passou por situações extremamente difíceis em busca da sobrevivência.

Dividido em três partes, o livro se inicia com a infância de Yeonmi na Coréia do Norte, marcada pelo frio e pela fome, já que todo a prosperidade pregada pelo governo norte-coreano, na realidade, não funcionava fora da capital Pyongyang. Membros de uma classe inferior, os pais da menina se arriscaram no contrabando de mercadorias vindas da China para alimentar as filhas. As consequências disso não foram boas, depois de algum tempo neste mercado, o pai de Yeonmi foi preso e mandado para um campo de concentração. Sem ele, a situação dela, da mãe e da irmã ficou ainda mais difícil. A fuga se tornou uma opção.

A proximidade da fronteira com a China possibilitou que Yeonmi deixasse a Coréia do Norte, apesar do risco de ser presa e executada. No entanto, a liberdade ainda estava longe. No novo país ela e a mãe se depararam com o tráfico de pessoas e o abuso. Passaram pelas mãos de inúmeros contrabandistas até se decidirem a atravessar o deserto de Gobi, à caminho da Mongólia. A parada final foi a Coréia do Sul, onde finalmente puderam viver.

Ao longo da narrativa em primeira pessoa, que permite uma grande proximidade com a história contada, nos deparamos com situações difíceis de aceitar. Um país onde campos de concentração são normais, execuções em públicos acontecem e sequer há eletricidade por um longo período de tempo. Ou, ainda, um outro país onde a compra e venda de mulheres acontece sem qualquer impedimento e o tráfico de pessoas é o modo de ganhar dinheiro de muita gente. O desejo é que seja, na verdade, um livro de ficção. Infelizmente, não é.

Entretanto, a árdua leitura é necessária para nos tirar do conforto da insatisfação com a vida. Preocupados com questões de pouca importância, se comparado com as dificuldades enfrentadas por Yeonmi, nos esquecemos de que muitos pessoas são privadas do direito de escolher viver. A angústia e a tristeza acompanham a experiência de ler um livro como esse, mas a empatia também é um sentimento que transborda.

Atualmente, Yeonmi Park é ativista pelos direitos humanos e decidiu contar a sua história para se livrar do peso da culpa que sentia. Mas também para espalhar pelo mundo a dura verdade sobre o seu país de origem, que, atualmente, vive a maior ditadura do planeta. Para Poder Viver é um livro que vale a leitura e, além de revelar a força da perseverança, nos mostra que pela vida e pela liberdade podemos nos submeter à situações extremas.

 Por Beatriz Arruda
beatriz.arruda12@gmail.com

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