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Último dia de Campus Party: Maurício de Sousa rouba a cena na maior feira de tecnologia do mundo
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17 fev 2019 | Por Jornalismo Júnior

Imagem: João Vitor Ferreira / Jornalismo Júnior

O último dia da Campus Party Brasil não poderia ser diferente. A programação se estendeu até a madrugada de domingo e contou com diversas palestras e atividades para as campuseiros.

Logo cedo, aconteceu a palestra que mais atraiu visitantes em toda CP. Não era nada relacionado a tecnologia ou novas invenções, mas sim de uma das maiores figuras nacionais e um sinônimo de inovação. Tratava-se de Maurício de Sousa, criador da Turma da Mônica.

Pela segunda vez em uma Campus Party, Maurício atraiu centenas de campuseiros que o escutaram por quase uma hora no palco principal do evento. O bate papo descontraído contou também com a presença de Sidney Gusman, coordenador editorial da editora do desenhista.

Na conversa, Maurício descreveu um pouco do começo de sua carreira. Apesar de ser o maior cartunista do Brasil, ele começou como jornalista e disse que a profissão o ajudou muito na hora de escrever seus primeiros quadrinhos. A linguagem objetiva e prolixa do jornal foi passada aos quadrinhos, que possuem sempre poucas frases dentro de um balãozinho. Além das falas diretas, Maurício também conta que seus quadrinhos sempre devem fluir da esquerda para direita, o que facilita a leitura e faz com que a história corra melhor.

Com 60 anos de carreira, ele é um exemplo de inovação. A Turma da Mônica reinventa-se constantemente e, atualmente, sua nova tendência é a Turma da Mônica Toy. A ideia surgiu quando a Mônica verdadeira, filha do cartunista, mostrou ao seu pai a lembrancinha de seu aniversário. Maurício, com toda sua genialidade, logo idealizou um novo produto para marca. O resultado disso é um desenho que, só em seu canal do YouTube, ultrapassa os dez milhões de inscritos. Turma da Mônica Toy não faz sucesso apenas entre as crianças do Brasil, sendo a Rússia é o país que mais assiste ao desenho pela internet.

Essa internacionalização também ocorre nas revistas em quadrinhos. Atualmente, a Turma da Mônica é vendida em diversos países, dentre eles Estados Unidos, Japão, China e México. É muito raro quando as histórias e desenhos precisam ser alterados, com exceção dos países islâmicos. As modificações são feitas no personagem Cebolinha, que adapta-se sua fala a uma língua diferente. Além disso, há alterações pelos costumes nacionais, pois meninas não podem aparecer de biquíni.

Qual o segredo de todo esse sucesso? Segundo o próprio criador, os quadrinhos falam a “linguagem do dia e da hora”, ou seja, as histórias se adaptam ao tempo e às novas tendências. É muito provável que pais achem as historinhas da época deles melhores do que as dos filhos. Porém, isso ocorre porque a Turma da Mônica daquela época falava uma linguagem que se comunicava melhor com eles. Essa adaptação temporal faz com que as personagens nunca envelheçam e continuem conquistando fãs ao longo dos anos.

Para se manter atualizado, Maurício conta que sempre procura conversar com os mais novos, principalmente seus netos e bisnetos. Mas não é só na linguagem popular que o autor se atualiza, como também nas novas tecnologias. A Banca da Mônica é um aplicativo que funciona como acervo digital. Todas as histórias da Turma estão digitalizadas e, aos poucos, estão sendo adicionados os quadrinhos da Turma da Mônica Jovem. Maurício disse que a ideia foi criada pensando nas crianças brasileiras que moram no exterior, que têm pouco acesso à revista física.

No auge de seus 84 anos, Maurício se mostra muito antenado em tudo que acontece na internet/ João Vitor Ferreira

Pensando também nessas crianças, Maurício teve outra ideia. Sem ajuda do governo, ele disponibilizou cartilhas que foram distribuídas às crianças brasileiras que moram no Japão. Segundo o cartunista, muitas vezes os brasileiros de lá sentem dificuldades em se adaptar a uma cultura tão diferente. Por causa da falta de comunicatividade, ficam reclusos e são taxados como autistas. As cartilhas, estampadas pelos personagens da Turma da Mônica, ajudam as crianças a se adaptarem e se relacionarem com os colegas, facilitando o convívio, principalmente do ambiente escolar.

Pensando na educação infantil brasileira, o cartunista tem um projeto de colocar a Turma da Mônica dentro das escolas brasileiras para ajudar na alfabetização. Entretanto, não consegue apoio dos ministros da Educação. Comenta que apresentou um projeto para os últimos cinco ministros, porém nenhum aceitou a proposta.

Por mais que atualmente estejamos vivendo em uma era informatizada e as crianças, desde muito cedo, tenham contato com a tecnologia, o cartunista acredita que os quadrinhos estão longe de acabar. “Criança gosta de qualquer coisa boa” foi a frase que Maurício usou para explicar o sucesso de suas histórias. É sobre manter, por muito tempo, um alto padrão de qualidade, não só na escrita, mas também em toda a parte gráfica

O autor também contou de como suas histórias surpreenderam os executivos da DC Comics, umas das maiores empresas de quadrinhos americana. Após uma venda de 200 mil exemplares, uma matéria noticiou que a HQ americana era a mais vendida das américas aquele ano. Entretanto, se esqueceram da turminha do bairro do Limoeiro, que já havia vendido 500 mil exemplares naquele mesmo ano. A gafe gerou uma parceria, lançada na Comic Con Experience do ano passado, e fascinou por todos os desenhos terem sido feitos pelos brasileiros da Maurício de Sousa Produções.

A Turma da Mônica está marcada da infância de muitos brasileiros e, por conta disso,  algo interessante ocorreu ao fim da palestra. Quando as perguntas foram abertas ao públicos, a grande maiora das pessoas não quis questionar algo ao autor, mas sim agradecê-lo. Os ouvintes relataram como as histórias de Maurício foram, e são importantes para eles até hoje. Inclusive, teve até quem propôs uma hashtag para que o novo ministro da educação aceitasse o projeto educacional do cartunista.

 

Em geral o evento cumpriu com o que prometeu. Trouxe diversas novidades na área tecnológica, expôs trabalhos de novos empreendedores e transmitiu conhecimento aos campuseiros com as palestras e os workshops. Também, deu espaço para as novas start-ups em um grande espaço todo voltado para elas, que puderam expor seus trabalhos para todo o público no Open Campus.

A comunidade gamer também não se decepcionou. Para qualquer lugar que se olhava, havia alguém jogando, seja em seus próprios computadores ou nos muitos stands espalhados pelo evento. Isso deve-se à ótima qualidade da internet, que decepcionou um pouco quando conectada ao celular, mas que nos computadores  funcionava muito bem.

Área gamer destinada para todos aqueles que quisessem jogar qualquer tipo de games em computadores super potentes/ João Vitor Ferreira

A maior Campus Party do mundo, segundo o próprio organizador Tonico Novaes, chegou ao fim na madrugada de domingo e trouxe a proposta de integração. Para cumprir com isso, trouxe o Open Campus, área destinada para todas as pessoas. Quem visitou, certamente saiu satisfeito e ansioso para que o evento do próximo ano seja ainda mais grandioso.

por João Vitor Ferreira
jvitorsilva7@gmail.com

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