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Um movimento de mudanças e persistências no esporte
ARQUIBANCADA
26 ago 2020 | Por Sarah Lídice (sarahlidice@usp.br)

Meninos, reunidos, jogando uma partida de futebol nas ruas, no campinho do bairro, nas quadras da escola, em clubes, ou até mesmo em escolinhas de futebol. Há um bom tempo cenas como essas têm feito parte do cotidiano de muitos brasileiros.

Mas, felizmente, a cultura muda; e esses cenários também. Em função de uma série de esforços e reivindicações contínuas, meninas têm protagonizado cada vez mais esses espaços.

 O cenário otimista, contudo, não ofusca o fato de que há ainda muito a ser feito para reduzir a desigualdade de gênero no futebol e no esporte como um todo — aqui considerados não como atividades de alto rendimento, mas sim, de lazer.

O Diagnóstico Nacional do Esporte, pesquisa divulgada em 2015 pelo então Ministério do Esporte, em parceria com o IBGE, mostra que na categoria de esportes praticados por gênero, o futebol foi citado por 70% do público masculino em contraste a 23% do feminino.

Ainda segundo a pesquisa, a prática de esporte é predominantemente realizada por meninos e homens. Além da “falta de tempo e outras prioridades”, comum aos gêneros, outro motivo apontado para o abandono da prática de esportes é “preguiça, desinteresse e desmotivação”. Este último é o segundo fator mais destacado (13,2%) pelas meninas e mulheres, sendo o menos citado (1,6%) pelos homens.

Esses dados se inserem em um contexto de afastamento histórico — e de imposições políticas, também — das meninas e mulheres em relação a prática esportiva, o que reflete, consequentemente, em sua presença no mundo futebol.


Iniciação no mundo do esporte: quando?

O Diagnóstico Nacional indica que o começo da prática de esportes acontece, em sua maioria, nos períodos iniciais de formação, entre 6 e 14 anos. A pesquisa mostra que a maioria dos meninos torna-se praticante mais cedo quando comparada às meninas.

A infância, segundo Nicolai Ré, professor do curso de Educação Física e Saúde da USP, é “determinante para a aquisição de habilidades motoras”, sendo assim “um período decisivo para despertar o interesse nas fases posteriores da vida”. Além disso, o professor comenta sobre pesquisas as quais relatam que experiências negativas na infância, por exemplo uma cobrança excessiva, ou falta de prazer e diversão na prática esportiva, estão associadas ao afastamento da prática esportiva na adolescência e idade adulta. 

Esse período de formação acaba sendo, então, muito importante para o desenvolvimento da personalidade e, consequentemente, dos interesses. “Na medida em que o gosto é produzido, eu passo a gostar de coisas que conheço, que tenho oportunidades de praticar, de assistir, de ter prazer com isso”, comenta Helena Altmann, professora do departamento de Educação Física da Unicamp e pesquisadora das relações de gênero no esporte, especialmente na educação física escolar.

Juju Gol, de 10 anos, é a primeira atleta com autorização para disputar torneios oficiais com meninos

Juju Gol, de 10 anos, é a primeira atleta com autorização para disputar torneios oficiais com meninos [Imagem: João Guilherme/Agência TFFA]

Segundo a doutora, “a infância e a adolescência são momentos importantes na vida no que se refere a isso” e apesar do processo educativo não terminar ali, ele deixa “marcas nesse corpo para a vida adulta como um todo”.

Para Beatriz Menezes, hoje com 23 anos e jogadora do Santos Futebol Clube, o gosto pelo futebol, que veio logo na infância, fez com que ela seguisse carreira profissional no esporte. “O meu primeiro contato com bola foi quando era pequena mesmo. Às vezes eu ia na feira e tinha várias bolas de leite, minha mãe queria que eu pedisse boneca. E, na verdade, só queria bola, bola, bola. E eu jogava na rua de casa (…) brincava com os meninos o tempo inteiro”, conta a atleta.

No caso dessa modalidade, pelo fato de as relações de gênero na sociedade brasileira ainda o delimitarem como atividade masculina — sendo a própria identidade masculina construída através e pelo futebol —, o Dr. Jorge Knijnik comenta que “esta socialização desde a primeira infância ocupa um lugar muito importante no imaginário social o qual acaba demarcando e limitando o acesso das mulheres ao futebol”. O professor associado na Faculdade de Educação da Western Sydney University, com doutorado sobre futebol de mulheres no Brasil pela USP, destaca, por sua vez, que isso está mudando cada vez mais. 


Cultura corporal de movimento na escola

Dos locais onde se dão o início da prática esportiva, ainda pelo Diagnóstico Nacional do Esporte, sobressaem-se as escolas e universidades com orientação de professor (48%), espaços públicos e/ou privados abertos com estrutura (16%) e sem (10%), além de instituições privadas, clubes, sem orientação de profissionais (9%).

As instituições de ensino exercem, então, papel bastante significativo na iniciação esportiva, com destaque à disciplina de Educação Física (EFI). Segundo Altmann, “a escola vai ser a instituição que, na modernidade, foi pensada como aquela que vai mediar a passagem de uma vida privada para uma vida pública”. Ou seja, uma transição feita por meio do acesso ao conhecimento da criança que sai do universo familiar para ocupar a vida pública.

No contexto da EFI, o ensino é voltado para o que tem sido chamado de “cultura corporal de movimento”. De acordo com a professora, no processo de garantia do acesso ao conhecimento nessas aulas, valores e relações de sociabilização estarão presentes. “A questão do gênero, no meu entender, entra aí, porque ela acaba sendo um marcador social de diferenças importantes no que se refere ao acesso a essas práticas corporais”, comenta.

As quadras são um dos espaços para prática da Educação Física

As quadras são um dos espaços para prática da Educação Física [Imagem: Assessoria/Prefeitura de Jundiaí]

Ao longo de mais de 20 anos, a pesquisadora tem se dedicado a estudos relacionados à Educação Física escolar e observa que, tanto no espaço da aula de EFI quanto num espaço extracurricular de atividades, a frequência e regularidade de prática de atividade física para meninas e mulheres é menor do que para meninos e homens.

Ela cita também pesquisas que mostram serem as meninas a maioria entre aqueles que não participam das aulas de EFI — ou participam de maneira mais superficial —, e que ocupam a periferia da quadra. “Se ela [uma menina] não ocupar uma certa liderança, um lugar de protagonismo, uma disposição efetiva para jogar, e ficar muito mais em uma periferia da quadra, (…) vai para o final da fila dentro de alguma atividade, ela também está tendo menos oportunidades de aprendizagem; um desenvolvimento corporal, em todos os aspectos aí que estão ligados, menos efetivo”, conclui Altmann.


Aspectos culturais por trás dessa baixa participação

Existem motivos para essa baixa participação, sobretudo nas aulas de EFI. O primeiro aspecto estaria ligado à própria cultura brasileira: o corpo feminino é valorizado muito mais a partir do seu aspecto estético, e de como ele se apresenta ao olhar do outro, do que a partir da sua performance e mobilidade. “Essa desigualdade em termos de valorização do corpo, do feminino, do masculino, dos meninos, das meninas, tem implicações com as práticas”, afirma Helena Altmann.

Culturalmente, já existe em relação aos meninos uma “expectativa maior em relação a eles em torno dessa questão da performatividade, do corpo habilidoso, do corpo musculoso, do corpo que desempenha bem determinadas tarefas, isso tudo vai sendo valorizado dentro de um espaço de aula, da escola, e favorece essa participação”, finaliza.

Essa dimensão cultural, porém, não é estática. No ambiente escolar, a figura do professor, por exemplo, é fundamental quando se pensa em agentes que podem contribuir para a modificação dessas construções sociais.

As possibilidades citadas para os professores vão desde trabalhar os conteúdos de EFI de forma integrada, mista, com meninos e meninas participando juntos, a criar estratégias que possibilitem às meninas estabelecerem diferentes relações com corpo; não pautadas apenas por uma preocupação estética, mas sim pela valorização do movimento e da gestualidade, de forma que isso possa ser uma fonte de prazer.

Segundo Júlia Barreira, pesquisadora de futebol feminino pela Unicamp e professora universitária, mesmo no âmbito das aulas na universidade é possível perceber questões parecidas com aquelas existentes nos ensinos fundamental e secundário. “Quando entro em uma alguma aula de futebol e futsal, tenho vários meninos loucos para jogarem e já com uma bagagem imensa no esporte, e meninas que se encontram muito tímidas — e receosas, inclusive — com essa prática esportiva”.

Ela comenta que seu desafio enquanto professora é “estar o tempo inteiro trazendo para eles essas questões de gênero. Problematizar o porquê a gente tem menos mulheres praticantes, como que a gente pode reverter esse cenário. Além de questões políticas relacionadas também ao futebol e futsal.”

Jogadora do Santos, Beatriz Menezes, em campo

Jogadora do Santos, Beatriz Menezes, em campo [Imagem: Arquivo Pessoal/Beatriz Menezes]

Beatriz Menezes conta que na sua escola houve incentivo para a prática do futebol feminino, “nas escolas onde estudei tinha interclasse, (…) teve uma vez que não queriam me deixar jogar e eu fui até a diretora perguntar o porquê. E ela falou que eu ia jogar, sim, que não iam me proibir, que isso era um preconceito absurdo. Fiquei surpresa com a atitude dela, porque ela me incentivou muito a jogar”. À época, a jogadora já demonstrava protagonismo “eu joguei o interclasse e fui campeã”.


Por que há menos meninas com a bola no pé?

Pelo Diagnóstico Nacional do Esporte, 60% dos entrevistados responderam que o primeiro esporte praticado na vida foi o futebol. Isso reflete a grande popularidade desta modalidade, mas não significa que os acessos a essa prática são igualitários quando pensados a partir de uma perspectiva de gênero.

Além de outros fatores, a maneira como o acesso a essa modalidade é culturalmente disseminado, geralmente nos períodos iniciais de formação e nas instituições escolares, pode contribuir para o afastamento de possíveis praticantes mulheres.

De acordo com Barreira, quando se fala de futebol feminino, via de regra, deve-se contextualizar essa categoria “gênero”, principalmente aquelas performances esperadas de homens e de mulheres. O esporte, afinal, é um campo que acaba reforçando muito essas expectativas por ser, por si só, binário.

“Você vai reforçando por modalidades que são esperadas para homens e que são vinculadas à masculinidade, e modalidades que são esperadas para mulheres, vinculadas à feminilidade. Além disso, esses conceitos que têm no esporte de força, suor, tudo isso é muito vinculado à masculinidade e também vai atuar como uma barreira para a entrada das meninas”, conta em entrevista.

“Se a gente somar todos esses fatores, é quase que uma bolha ali que é criada, invisível, mas que atua de forma bastante consistente para impedir a menina ou a mulher de entrar no futebol ou no futsal na sua infância, ou como iniciação mesmo que seja um pouquinho mais tardia”, conclui Barreira.

Menezes, que tem trilhado uma carreira no profissional no futebol, diz que a dificuldade de preconceito, de enfrentar essas barreiras, por sua vez, tem sido menor, “as meninas têm conseguido usar todo o ataque de desmotivação como motivação” e acredita que isso, hoje em dia, já não é fator que desmotive tanto. “Preconceito a gente ainda tem, mas é muito menor. Estamos começando a ter o nosso respeito, o nosso espaço dentro da modalidade que não é só masculina”, conta a jogadora.

No campo do futebol feminino, então, apesar do avanço expressivo da década de 80 para cá — desde 1979, quando a prática deixou de ser proibida para as mulheres no país —, existe ainda uma desigualdade muito expressiva no que se refere aos acessos à prática.

Atletas do Araguari Atlético clube, equipe pioneira do futebol feminino no Brasil

Atletas do Araguari Atlético clube, equipe pioneira do futebol feminino no Brasil [Imagem: Acervo Araguari Atlético Clube/Museu do Futebol]


O que falta?

A falta de locais de prática é um dos empecilhos para a entrada e manutenção das meninas no futebol. Barreira destaca que fomentar a iniciação das meninas na modalidade não adianta se não houver local de prática, “se for uma coisa só teórica, não vai adiantar. Tem que ter a prática, um campo, uma quadra ou algum lugar adaptado”.

A história de Menezes começa em espaços como esses, escolinhas de futebol no bairro da sua cidade, São Bernardo do Campo. A atleta destaca que, antigamente, não havia tanta oportunidade para as meninas em escolinhas e os pais também não apoiavam.

Em relação a esses locais, a Dr. Altmann comenta que hoje em dia o número de escolinhas de futebol privadas, públicas e comunitárias é significativamente maior para os meninos do que para as meninas. Então, eles encontram oportunidade de prática mais regular do que as meninas — encontram, inclusive, pares com quem jogar.

Para ela, esse contexto pode gerar outro entrave, porque se meninas não encontram outras com quem jogar, mesmo podendo jogar com meninos, isso pode gerar um distanciamento da prática. “Seja porque existem mesmo algumas dificuldades em termos de uma prática junto com os meninos, seja porque os pais são de uma outra geração e, às vezes, ainda percebem o futebol como um espaço masculino — e as novas gerações vão rompendo com essa percepção”, acrescenta.

Em 2018. escola de futebol do Juventude Esporte Clube passou a ter turma feminina

Em 2018. escola de futebol do Juventude Esporte Clube passou a ter turma feminina [Imagem: Gabriel Tadiotto/E.C.Juventude]

O professor Jorge Knijnik também aponta para esse problema, “os espaços que as garotas encontram para a prática do futebol são poucos. Por exemplo, você vai a parques e quem ocupa as quadras públicas? Na maior parte do tempo os rapazes. Em escolas, ou praias, o uso é predominantemente masculino, dificultando o engajamento das garotas com a modalidade”.

Barreira também destaca as competições esportivas como fator que pode potencializar a entrada da menina no esporte. “Para uma iniciação, é muito importante que a gente tenha festivais para que essas meninas estejam praticando, se desenvolvendo e competindo, porque a competição é uma característica do esporte moderno”. A professora Altmann também reforça a competição como uma experiência importante em termos de formação esportiva.


Futebol e representatividade na mídia

A mídia também tem um papel muito importante na criação de interesse pela prática. A professora Altmann ressalta que a experiência de ser espectadora de futebol também é formativa, porque faz meninas vislumbrarem aquilo como possibilidade e também como objeto de desejo. “A gente ainda assiste à televisão muito mais jogos de futebol masculino do que femininos (…) Falta, na grande imprensa, maior divulgação do futebol enquanto um esporte possível de ser praticado por mulheres”, continua.

Menezes comenta, por exemplo, que tinha desde pequena o desejo de ser jogadora de futebol e se inspirava quando via jogadoras na TV. “Quando eu via a Marta jogando na televisão, a Formiga, eu já me espelhava muito, porque era uma coisa que eu queria para minha vida”, diz.

Barreira vê com otimismo o papel da mídia na abertura para o consumo dessa modalidade: “talvez essa Copa do Mundo de 2019 vai no futuro ser um divisor de águas, pelas transmissões da própria Rede Globo dos jogos da seleção, um canal de televisão aberta”.

Jogadoras da seleção brasileira de futebol 

Jogadoras da seleção brasileira de futebol [Imagem: Lucas Figueiredo/CBF]

Essas transmissões são importantes, também, no que se refere ao desenvolvimento da própria modalidade, “com isso vem patrocínios e, de alguma forma, os clubes também vão começar a fomentar as categorias de base; porque, se eles vão querer ser competitivos na categoria adulta, com menos investimento, é mais ideal que eu tenha a base”, adiciona a pesquisadora.


Perspectiva de países com o futebol feminino mais consolidado

Um ponto de referência para pensar um país com uma popularidade do futebol feminino muito maior do que aqui no Brasil é os Estados Unidos.

A professora Altmann comenta sobre uma experiência pessoal de passagem por uma escola de ensino médio nos EUA, na década de 1980, e traça um paralelo: “Já havia lá uma experiência pedagógica sistematizada com o futebol feminino dentro das escolas públicas, isso no ensino médio. E nós não tínhamos nada aqui. Fui ter, então, uma primeira experiência corporal, pedagógica, no futebol (basicamente a única) dentro de uma escola nos Estados Unidos”.

Ela destaca, contudo, que nesse país o futebol nunca foi “o grande” esporte nacional, sendo que esportes mais populares (como o futebol americano e o beisebol) também têm uma predominância maior masculina. “As mulheres, então, conquistaram um grande espaço dentro de uma modalidade que nunca foi disputada, assim, como a principal modalidade esportiva daquele país, com a conquista de uma certa periferia, digamos assim”, pondera.

Altmann menciona pesquisas as quais apontam que essa predominância do futebol feminino nos Estados Unidos também está ligada a reivindicações feministas de maior igualdade de ofertas de práticas esportivas dentro dos colleges, para homens e mulheres. O futebol, nesse contexto, surge como um esporte interessante para as mulheres, uma vez que os homens já praticavam o futebol americano e já tinham um espaço ali.

Seleção americana de futebol feminino comemorando vitória na copa de 2019

Seleção americana de futebol feminino comemorando vitória na copa de 2019 [Imagem: Francois Mori/AP]

Essas características culturais, então, variam de acordo com os diferentes países e regiões e estão ligadas também à força do pensamento dos movimentos sociais na conquista de direitos. “Basicamente são essas barreiras sociais, essas construções, que vão gerar essas grandes diferenças entre homens e mulheres. Não são os aspectos físicos nem intelectuais. A grande contribuição, de fato, vem dessa construção cultural”, reforça Barreira.

Como aponta o Dr. Knijnik, “em qualquer esporte ou atividade cultural, quando aquela atividade é mais consolidada, tende a ser considerada ‘natural’, parte do panorama cultural daquela comunidade. Usar saia escocesa pode parecer ridículo para um rapaz brasileiro, enquanto para um homem escocês faz sentido. Há países nos quais, por meios diferentes, o futebol acaba sendo bem enfatizado para as garotas – caso dos EUA, da China, Suécia, por exemplo”.


A mudança cultural por trás do movimento do futebol feminino

As coisas têm mudado, e muito, na iniciação de meninas e mulheres no esporte, especialmente no que se refere ao futebol, símbolo da cultura nacional.

Segundo Knijnik, a mudança rumo a uma maior equidade de gêneros no futebol está acontecendo a passos largos, apesar de haver ainda muito caminho pela frente. “Há muitos estudos sugerindo que as garotas estão se apropriando dos espaços para jogar, torcer, comentar e curtir o futebol. Muitas instituições estão apoiando esta mudança, sejam escolas, universidades, veículos de imprensa, museus, e até a CBF aparentemente melhorou as condições de prática para as suas atletas”, destaca.

Um foco importante de ação no sentido de mudar essa realidade vai para a necessidade de políticas esportivas. Júlia Barreira comenta sobre uma cascata de pressão, já em curso, que tem provido mudança de cenário do futebol feminino no Brasil: “Tem a exigência da Conmebol, recentemente, de que todo o time masculino, para disputar uma competição internacional, tenha o feminino. A gente vê a Fifa pressionando muito as confederações continentais, as associações nacionais, também para investirem no futebol feminino. É óbvio que talvez a gente não gostaria que fosse de uma forma imposta nem utilizando o futebol masculino para esses crescimentos, mas é inegável que está dando certo”.

A professora Altmann destaca que, nesse contexto, é importante ter também exigências em termos de distribuição de recursos públicos para fomentar, de uma forma equânime, projetos esportivos extracurriculares destinados à formação esportiva. 

Nicolai Ré reforça, também, a necessidade de investimento para o crescimento da modalidade: “Muito ainda tem que ser feito, particularmente no que se refere aos investimentos nas categorias de base e nas categorias profissionais”, afirma Nicolai Ré.

Menezes também ressalta esse ponto. “Falta investimento de alguns clubes, o interesse em fazer o futebol feminino acontecer, começando pelas mais nova (numa categoria de base, que eu acho ser a mais importante para o desenvolvimento da modalidade); além de um plano estrutural para que o futebol possa acontecer da melhor forma, desde administrativo até dentro de campo. Isso conta bastante”, comenta.

A desigualdade no futebol, portanto, reflete aquela presente no mundo do esporte e deixa marcas na sociedade. O que é interessante observar, por sua vez, são justamente as mudanças culturais por trás desse movimento de afirmação do futebol do feminino sejam aquelas que já aconteceram, as que estão em curso ou as que virão.

Se, culturalmente, o ato de chutar uma bola e jogar livremente tem sido negado a muitas garotas, o que se vê hoje são caminhos abertos para romper essa construção. Há bastante tempo, a sociedade vem afastando meninas da prática de futebol e do esporte em geral. Mas essa mesma sociedade tem mudado, resta acelerar essa mudança.

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