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Uma Nova MPB que foge de rótulos
Escuta Aí
27 jul 2016 | Por Jornalismo Júnior

Imagem de destaque: Laila Mouallem/Comunicação Visual – Jornalismo Júnior

Para os que sentem ter nascido na década errada e lamentam por não terem ido a um show de Elis, Cássia Eller, Tim Maia e até mesmo de pioneiros como Vinícius de Moraes e Tom Jobim, um novo grupo de artistas têm despontado e oferecido mais uma chance de viver a MPB nos dias de hoje.

A nova geração da música popular brasileira é ampla, muito mais ampla até quae a anterior. Afinal, consegue agrupar em si artistas que a primeira vista são bem diferentes, como Céu, Emicida, Clarice Falcão ou bandas como O Teatro Mágico e 5 a seco.

Alguns deles inclusive, como Céu, são por si só um turbilhão de diferentes ritmos e influências. A cantora começou em 2005 com todo calor brasileiro e dentro dos moldes mais tradicionais da MPB.

Porém, em seu último álbum, Tropix, Céu surgiu completamente inovadora, mostrando-se aberta a influências e disposta a assumir ritmos não tão convencionais na música popular brasileira como o eletrônico.

Já o rapper Emicida, apesar de estar ligado ao Hip Hop, também tem seu lugar na MPB, de acordo com alguns especialistas em música. Além da sonoridade, não há nada mais popular e brasileiro do que a força das letras de suas canções.

Clarice Falcão lançou há pouco o seu segundo álbum, Problema Meu, que segue uma linha semelhante à Monomania. Irreverente, Clarice continua a deixar uma marca única na música brasileira com a originalidade de seu trabalho.

O Teatro Mágico, a trupe proveniente do Mundo Mágico de Osasco, faz muito além de música. Eles reúnem o mais belo do teatro, do circo e da literatura e cantam verdadeiras poesias. O espetáculo realizado no palco difere de tudo antes visto na MPB.

O grupo 5 a Seco surge recordando o tradicional acústico que marcou a MPB. Entretanto, a organização dinâmica e as influências de outros ritmos como o reggae não deixa dúvidas que eles são também representantes desta Nova MPB que consegue abarcar todos os ritmos.

Da pegada eletrônica à mais pop, ou talvez com as raízes no samba e um pé no reggae, há quem questione a identidade destes artistas e se realmente há uma relação com a antiga e saudosa MPB. Alguns aspectos como a força política das canções parecem ter, se não se perdido, ao menos enfraquecido.

Para o jornalista Marcelo Costa, editor do site Scream & Yell, a Nova MPB seguiu um caminho natural de evolução. Ele ressalta que talvez esta nova geração tenha dificuldades em enxergar a caneta e as canções como artefatos revolucionários, e que ainda esteja em busca do seu discurso. Ainda assim, afirma ser possível encontrar bons achados poéticos e que, apesar de ser mais livre e menos radical, a Nova MPB é sem dúvidas uma continuidade da antiga.

Exemplo desta ligação são os encontros das duas gerações nos palcos, nas músicas ou até mesmo na memória por meio de regravações de canções. Maria Gadú e Caetano Veloso, por exemplo, já presentearam os fãs com um album todo em parceria.

Nando Reis gravou também a música de Janeiro a Janeiro com a cantora Roberta Campos, outra representante do gênero musical.

Já a cantora Alice Caymmi, embora já tenha ela mesmo exposto o desejo de se desvencilhar das amarras do sobrenome, não deixou de homenagear em seu primeiro disco um dos maiores nomes da MPB, o avô Dorival Caymmi, com a regravação da música Sargaço Mar.

Com toda esta amplitude, a Nova MPB cultiva também uma espécie de Antropofagia, tanto no âmbito nacional quanto internacional. A influência internacional, notável em alguns artistas desta vertente como Tiago Iorc, é resultado de um processo de reconhecimento da diversidade que começou lá atrás com o Tropicalismo e até mesmo com o rock nacional, sendo que estes gêneros também foram responsáveis pelo nascimento desta MPB reformulada. Marcelo Costa afirma que falar em influência internacional hoje seria renegar todos estes gêneros que já havia se aberto a ela.  “A discussão não é sobre ameaça ao gênero, e sim sua transformação”, afirma ele quando questionado sobre se esta influência poderia ameaçar a música popular brasileira.

Nacionalmente, a Nova MPB devora a tudo e todos, e com um pouquinho do nosso rock, samba, rap e pop a MPB reafirma o clichê mais verdadeiro de todos, que é a bela mistura que compõe o Brasil. “É tudo música popular brasileira”, finaliza Marcelo.

Por Tais Ilhéu
taisilheusouza@gmail.com

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