Jornalismo Júnior

Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

‘A Hora do Mal’: um terror original que surpreende do início ao fim

Zach Cregger cria uma trama imprevisível e bem contada, misturando terror, mistério e, surpreendentemente, humor
Por Nicolas Sabino (nicolassabino@usp.br)

Chega aos cinemas nesta quinta-feira (7) o novo filme de terror dirigido por Zach Cregger, A Hora do Mal (Weapons, 2025). A trama escrita pelo diretor de Noite Brutais (Barbarian, 2022) acompanha a busca por 17 crianças que sumiram misteriosamente às 2h17 da madrugada sem deixar rastros. Como todos estudavam na mesma sala, a professora se torna a principal suspeita.

Ambientado em uma cidade pequena, o longa mostra a preocupação das personagens com o desaparecimento das crianças e a necessidade de encontrar um culpado e, consequentemente, um motivo para o caso. A professora Justine (Julia Garner) é acusada pelos pais de seus alunos de ter sequestrado as crianças e, por isso, acaba sofrendo perseguições e ameaças.

O filme mistura terror e mistério para criar uma atmosfera de tensão que permeia do início até o final. As poucas informações que ele proporciona faz o público pensar em todas as possibilidades sobre o que realmente está acontecendo. No entanto, é impossível descobrir o paradeiro das crianças ou o motivo do desaparecimento antes do longa começar a revelar o que de fato ocorreu.

Julia Garner brilha como Justine Gandy, professora que busca encontrar seus alunos [Imagem: Reprodução/IMDb]

Com pouco mais de duas horas de duração, o longa aproveita cada minuto para desenvolver o enredo. Nada mostrado na tela é por acaso e, inclusive, algumas cenas chegam a ser reprisadas por outros ângulos. A Hora do Mal começa com uma narração sobre quando as crianças desapareceram e os dias subsequentes, que mostra mais traços de suspense do que realmente de terror. Conforme a história avança, o ritmo e a tensão aumentam gradualmente, até chegar em um final perturbador que, de maneira surpreendente, recebe uma leve dose de humor.

Seguindo a proposta de Noites Brutais, o filme traz a narrativa dividida em capítulos que acompanham as perspectivas de cada personagem. Ele inicia pelo ponto de vista de Justine e segue com personagens como o pai de uma das crianças desaparecidas e um usuário de drogas que tenta conseguir dinheiro a qualquer custo. Essa maneira de contar a história contribui para deixar o mistério ainda mais complicado de se solucionar, mas, no final, todas as histórias se cruzam para um grande encerramento.

Tudo que é mostrado no filme pode ser visto como carregado de significados, uma vez que, mesmo após a sua conclusão, ainda faz o espectador refletir sobre as diversas interpretações que carrega. Um dos principais conceitos pode ser visto no título original do longa: Weapons (“armas”, em tradução livre do inglês), já que algumas personagens são literalmente usadas como armas. A relação entre pessoas que atacam e pessoas que são atacadas é muito frequente na narrativa.

Um personagem que recebe muito valor ao longo da trama é Alex Lilly, interpretado por Cary Christopher, de apenas 9 anos. Alex é o único de sua turma que não desapareceu, o que deixa questionamentos preocupantes. Ele também passa por situações que não são próprias para alguém da sua idade, momento em que o filme aproveita para mostrar parte de um medo presente na sociedade.

Josh Brolin, de Duna (Dune, 2021), e Benedict Wong, de Doutor Estranho (Doctor Strange, 2016), são dois atores que fazem um ótimo trabalho juntamente com Julia Garner. Porém, quem brilha é Amy Madigan, que interpreta uma personagem que já causa um estranhamento no público logo na sua primeira aparição.

Conhecido pelo seu papel em Onde os Fracos Não Têm Vez (No Country for Old Men, 2007), Josh Brolin interpreta um pai que faz de tudo para procurar seu filho [Imagem: Reprodução/IMDb]

A Hora do Mal já seria digno de elogios apenas pelo o roteiro impecável, mas a fotografia e a trilha sonora também merecem reconhecimento. Ângulos inesperados, jogos de luz e sombra e o enquadramento das imagens somado às músicas aterrorizantes contribuem para criar um ambiente imersivo, o que transforma a obra em uma verdadeira experiência cinematográfica. Durante algumas cenas, os fãs mais atentos podem reparar algumas referências a clássicos como O Iluminado (The Shining, 1980) e Halloween (1978).

Embora o enredo seja um dos pontos principais do filme, o ritmo da história pode não agradar a todos. O início se trata da parte mais lenta do longa e, mesmo não tendo uma longa duração, pode incomodar os espectadores que esperam ver as cenas de horror. Os minutos finais também podem dividir opiniões por concentrar a maior parte das cenas mais pesadas e por encerrar poucos segundos após o clímax.

Dependendo de como se analisa A Hora do Mal, diferentes críticas podem ser observadas, mas isso não significa que o filme não serve para quem só quer assistir um bom terror. Se normalmente o que assusta em uma obra do gênero são criaturas monstruosas e mortes perturbadoras, aqui, o que mantém o medo presente pela maior parte do tempo é o luto e a violência. Com esse filme, Zach Cregger mostra que — mesmo no seu segundo longa — tem tudo para se tornar um dos principais nomes do terror.

A Hora do Mal já está em cartaz nos cinemas brasileiros. Confira o trailer:

*Imagem de Capa: Reprodução/IMDb

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima