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As velhas doenças podem voltar e o que temos a ver com isso?

Por Beatriz Cristina (beatrizcristina.sg2000@gmail.com) Qual foi a última vez que você tomou vacina? Eu tinha 14 anos quando tomei a vacina contra o HPV. Enquanto isso, lembro de uma aula no ensino médio em que minha professora perguntava se algum aluno conhecia alguém que já teve rubéola, difteria ou poliomielite. Apenas uma minoria as conhecia …

As velhas doenças podem voltar e o que temos a ver com isso? Leia mais »

Por Beatriz Cristina (beatrizcristina.sg2000@gmail.com)

Ilustração: Beatriz Cristina/Comunicação Visual – Jornalismo Júnior

Qual foi a última vez que você tomou vacina? Eu tinha 14 anos quando tomei a vacina contra o HPV. Enquanto isso, lembro de uma aula no ensino médio em que minha professora perguntava se algum aluno conhecia alguém que já teve rubéola, difteria ou poliomielite. Apenas uma minoria as conhecia por relatos de parentes mais velhos. Tanto essas como outras doenças estão controladas ou até mesmo erradicadas devido às campanhas do Programa Nacional de Imunizações. Mas essa tranquilidade pode estar com os dias contados.

Novos casos dessas “doenças antigas” voltaram a estampar as notícias recentes. Estamos em uma situação alarmante reconhecida pelo Ministério da Saúde, que identificou o aumento da vulnerabilidade a doenças antes consideradas erradicadas no país, como o sarampo. Para termos uma noção do o problema, o sarampo, por exemplo, já era considerada uma doença erradicada do território nacional desde 2016.  A consideração para a erradicação do sarampo havia sido recomendada pela Organização Mundial da Saúde, que usou como critério a ausência de registro de casos no país por um ano. Porém, entre janeiro e junho de 2018, o Brasil já havia registrado mais de 1.600 casos da doença. Outro dado alarmante registrado em 2016 foi que nosso país diminuiu para 86% de cobertura contra a poliomielite, quando a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda uma taxa de 95% de imunizados.

Um elemento importante para o estabelecimento de barreiras contra o retorno viral a regiões antes consideradas livres de doenças é a administração de vacinas de forma prevista nos calendários dos programas nacionais de vacinação dos países. No caso do Brasil, as campanhas recentes estão enfrentando o problema de não atingirem a meta de seu público alvo, ou seja, as pessoas não estão se vacinando conforme o que está estabelecido no Calendário Nacional de Vacinação. Mas por que isso está acontecendo?

Com uma queda na qualidade de vida, os níveis de abrangência do saneamento básico tendem a diminuir e implicar numa maior necessidade de vacinação da população. Por mais que exista uma grande facilidade de encontrar informações, ainda há uma certa desinformação relacionada a muitas doenças e sobre seus riscos, tratamentos e prevenção. Essa queda da memória individual e coletiva sobre a gravidade de doenças nos dá uma sensação de tranquilidade, entretanto, não significa que o perigo é irreal. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece gratuitamente 19 tipos de vacinas que abrangem desde recém-nascidos até idosos, porém, isso não confere que todos consigam acessar a totalidade de recursos oferecidos. Isso ocorre em decorrência de questões como dificuldade regional de acesso, de deslocamento até o local da vacinação, disponibilização de horários restritos para a obtenção de vacinas e a devida falta de informação para a população.

A descrença com a eficácia da vacina e os efeitos colaterais que ocorrem com uma pequena fração dos imunizados também são outros pontos a serem considerados. Desde a criação da primeira vacina, no século 18, ainda há uma grande parcela da população que acredita ficar mais vulnerável após a aplicação. As pessoas não se prevenirem pois acreditam que esses fragmentos ou microorganismos inativados irão desencadear as doenças, o que mostra uma concepção totalmente errada e mal informada sobre o assunto. Se você já se perguntou como é produzida uma vacina, trata-se de um processo em que, resumidamente, o vírus (ou bactéria) causador da enfermidade é inserido no organismo no paciente de forma atenuada ou fragmentada para que o indivíduo crie resistência a ele, ou seja, nenhum microorganismo estará se multiplicando para nos matar.

E sobre o Zé Gotinha? O personagem representante da campanha de vacinação contra a poliomielite foi uma forma de encorajar as crianças através de um personagem fofinho e agradável (há controvérsias) ao público infantil. Passada a nossa fase de visita a ele, pouquíssimas vezes voltamos para atualizar nossa carteirinha, por exemplo: quando nascemos, existe a aplicação da BCG contra tuberculose (e que deixa a famosa marca no braço) e quando somos adultos… conhece alguém com mais de 20 anos que tomou a vacina dupla contra tétano e difteria?

A negligência dos pais também é um problema recorrente. Aquelas campanhas governamentais ou nas redes sociais com frases do tipo: “vacinem suas crianças” não estão sendo muito bem recebidas por alguns grupos de pais. É muito comum movimentos anti vacinas em países como Estados Unidos e recentemente, no Brasil. Os principais motivos conseguem ser um tanto egoístas e sem bases científicas, como relacionar a vacinação com o  autismo, surgimento de tumores e outras alegações como “uma invenção para ganhar dinheiro” ou “meus filhos não terão contato com possíveis transmissores” e por aí vai. Num mundo onde qualquer conteúdo é publicado e compartilhado de forma imprudente e sem veracidade, esse comportamento pode gerar consequências graves.

A atual campanha promovida pelo Ministério da Saúde também alerta para o perigo das falsas informações. Divulgação Ministério da Saúde

Se você, assim como eu, também ficou curioso para saber se suas vacinas estão atualizadas, uma boa é conferir quais foram tomadas e anotadas na Carteira de Vacinação e conferir no site do Ministério da Saúde quais estão de acordo para cada faixa etária em: http://portalms.saude.gov.br/acoes-e-programas/vacinacao/calendario-vacinacao

 

*Esse texto teve a consultoria do Professor  Mario Janini, do departamento de Virologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

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