Sala de imprensa
Home Sala de imprensa Em busca do casamento perfeito
Em busca do casamento perfeito
SALA DE IMPRENSA
29 nov 2021 | Por Carla de Oliveira Tôzo*

Temática, apuração, escrita e apresentação são quatro palavrinhas que representam algumas das etapas do trabalho jornalístico, sejam nos meios impresso, audiovisual e digital. Cabe ao jornalista perceber o assunto que pode despertar a atenção do seu público; ir em busca das melhores informações, referências e fontes para contar essa história; escrever com zelo e qualidade para que o maior número de pessoas possa compreendê-lo e apresentá-lo, pensando no formato mais adequado e nos melhores recursos que o meio escolhido para a sua publicação possibilita.

Mais uma vez o pessoal da Jota mostra um olhar apurado em relação à seleção das temáticas (pautas) para a produção de seus textos e demostra uma boa apuração, principalmente, quando faz o uso de material complementar nos links apresentados em cada uma das reportagens/resenhas.

Talvez para um leitor desavisado possa parecer “óbvio” a obrigação do uso de links em um conteúdo produzido no ambiente digital, mas vejo que não se trata apenas de “jogar” um (ou mais) link (s) no texto, é muito mais que isso. É como se o repórter/editor fizesse sempre várias reportagens em uma, já que, precisa dar conta do tema principal e, ao mesmo tempo, pensar em material similar que faça conexões.

Todas as 5 matérias “Beisebol, bodes e maldições: Os 5 anos da quebra do jejum do Chicago Cubs no World Series”, “As bruxas do cinema: entre a fantasia e a demonização”, “Pandora Papers: o que há por trás das empresas de fachada”, “‘Duna’ prova o sucesso da narrativa universal” e “Lendas amazônicas: muito mais que histórias assustadoras e seres fantásticos” analisadas para essa coluna fazem isso muito bem.

Outro ponto que me chama a atenção (não sei se foi algo combinado entre a redação na reunião de pauta) é que quatro desses textos fazem algum tipo de conexão com o universo do entretenimento, mais especificamente, cinema. Pensando no público jovem, essa é uma boa estratégia para atrair a atenção. Não sou adepta de amarras, mas fica a dica – sempre que for possível, claro – pensar nessa associação.

Como já mencionei na coluna anterior, meus parâmetros de leitura sempre perpassam pela apuração, adequação ao gênero/formato jornalístico e escrita.

 

Alguns apontamentos

Sei o quanto é difícil conseguir “ilustrar” graficamente e/ou esteticamente textos no ambiente digital, ainda mais em tempos de pandemia em que não podemos nos deslocar na busca de produção própria. Assim, vejo que o texto “Beisebol, bodes e maldições: Os 5 anos da quebra do jejum do Chicago Cubs no World Series” ao fazer uso de um gráfico da wikipedia não agrega muito. Sim, é verdade que nosso dia a dia de pesquisas sempre damos uma “passada de olho” na página, mas jornalisticamente seu uso não traz credibilidade.

Tem um outro ponto desse texto que mereceria ser mexido. Trata-se do momento em que o autor escreve “Neste ano, os torcedores analisam o desmanche do Cubs e a queda do desempenho dos jogadores. “O time se desmanchou com várias trocas e não se classificou para os playoffs e, consequentemente, para a World Series 2021”, comentou Lopes. Já a visão de Ramos destaca que o time está em reconstrução, comandada pelo catcher de 2016, David Ross. “É provável que não tenha uma equipe competitiva tão cedo, explica.”

Eu entendo o papel dessa introdução, trata-se da justificativa para as opiniões que vêm a seguir, no entanto, quando lemos: “Neste ano, os torcedores analisam o desmanche do Cubs e a queda do desempenho dos jogadores.” há um sentido seco, o ponto quebra o raciocínio. Assim, poderíamos tentar pegar a ideia, mas apresentá-la de outra forma. Uma sugestão seria:

Os torcedores, Lopes e Ramos, por exemplo, creditam a crise do Cubs ao seu desmanche e à queda de desempenho. Para o primeiro, “o time se desmanchou com várias trocas e não se classificou para os playoffs e, consequentemente, para a World Series 2021”. Já na visão de Ramos o time está em reconstrução, comandado pelo catcher de 2016, David Ross, por isso, “é provável que não tenha uma equipe competitiva tão cedo”.

São possibilidades.

Vejo uma lacuna (quesito formato jornalístico) no texto “Pandora Papers: o que há por trás das empresas de fachada”. Em que sentido? Temos uma boa pauta e uma fonte muito pertinente que traz boas informações sobre o tema, no entanto, como essa reportagem está publicada na editoria que justamente se refere as longas reportagens, as repórteres precisariam de mais fontes, desdobramentos. É a história da busca por multiplicidade de vozes.

Como apontava em seus ensinamentos e obras, o jornalista, professor, decano do ensino de jornalismo brasileiro, Jose Marques de Mello (1943-2018), a grande reportagem “exige mais capacidade de observação e de investigação por parte do jornalista, que deve explorar os mais diversos ângulos sobre o que está sendo relatado; buscar “personagens”, especialistas, índices ou dados estatísticos relacionados ao fato etc”.

Como mencionado no início dessa coluna, o ideal é que o repórter possa sempre fazer a melhor combinação possível da escolha da temática, apuração, escrita e apresentação de seus textos, por isso, fica a orientação para que esse caminho seja sempre percorrido e o “casamento perfeito” possa ocorrer.

 

*Carla de Oliveira Tôzo é jornalista e mestre em Comunicação pela Universidade Metodista de São Paulo, doutoranda em Comunicação pelo PPGCOM-ECA-USP, professora universitária no Centro Universitário FMU|FIAMFAAM. Foi repórter freelancer em revistas cobrindo temas ligados a beleza, saúde e estética.

Sala de imprensa
Sala de imprensa é a parte do portal da Jornalismo Júnior destinada ao núcleo de Assessoria de Imprensa, que publica aqui todo o conteúdo produzido em divulgações internas e de eventos e campanhas sociais da empresa.
VOLTAR PARA HOME