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Hey! Está na hora de conhecer o Pixies
Escuta Aí
18 dez 2013 | Por Jornalismo Júnior

No ano de 1986, na cidade de Boston, em Massachusetts (EUA), de uma reunião entre Charles Thompson (conhecido como Black Francis), Joey Santiago, Kim Deal e Dave Lovering nasceu a banda Pixies. Nem em seus sonhos mais otimistas esses garotos de vinte e poucos anos imaginaram a importância e o sucesso que a banda alcançaria.

Na verdade tudo começou na Universidade de Massachusetts Amherst, local onde Thompson e Santiago dividiram quarto. Em meio ao folk, punk rock e David Bowie, os amigos decidiram formar uma banda. Charles ocupou o lugar de vocalista e Joey ficou responsável pela guitarra solo. Para a vaga de baixista foi feito um anúncio no jornal, respondido por Kim Deal. Ela apresentou seu amigo Dave Lovering, que acabou como ocupante da bateria. Essa foi a única formação da banda, até 2013.

As músicas são em sua maioria escritas por Thompson – agora já conhecido como Black Francis. O rock alternativo produzido tem como grandes influências o punk, a indie music, o noisy rock e a surf music. Os temas são bem variados, desde conversas com pessoas próximas até Ovni’s, tudo com uma pitada de surrealismo, sonoridade bem trabalhada e baixo marcante.

Em 87 a banda saiu dos estúdios com seu primeiro EP, o Come On, Pilgrim. Apenas um ano depois veio o disco Surfer Rosa, que garantiu o seu reconhecimento na Europa com o prêmio Album of the Year. Surfer Rosa apresentou ao mundo um de seus maiores sucessos: Where is my mind.

Novamente dentro de um ano – como aconteceria com todos os próximos álbuns – os fãs ganharam mais material novo. E para quem achava que não dava para melhorar, o Pixies surpreendeu. O álbum Doolittle deu um destaque para a banda até mesmo no cenário pop, com Here comes your man e Monkey gone to heaven. O disco, considerado o segundo melhor álbum de todos os tempos em 2003 pelos leitores da NME, rendeu certificado de ouro pela Recording Industry Association of America. O reconhecimento da banda cresceu, assim como o início de sucessivas tensões entre Francis e Kim.

Já nos anos 90, em plena forma, criatividade e reconhecimento, a banda lançou mais dois álbuns de sucesso um pouco mais moderado que os discos anteriores: Bossanova (1990) e Trompe Le Monde (1991). O cenário musical no qual eles estão inseridos estava muito agitado devido à formação de diversas bandas grunge e punk – algumas mesmo fortemente influenciadas por Pixies.

Mesmo com o desempenho indiscutível, a banda manteve-se sempre na cena alternativa, tocando em lugares pequenos e para públicos menores, com exceção de alguns festivais nos quais a banda apresentou-se.

Porém, não foi apenas de músicas maravilhosas que a banda viveu. O intenso desentendimento entre Francis e Deal tornou a atmosfera insustentável. O ponto final foi uma declaração dada por Francis em entrevista para a BBC Radio 5. Na famigerada declaração ele afirmou que a banda havia acabado, mesmo antes de conversar com seus companheiros. Em 1993, Santiago (via telefone), Deal e Lovering (via fax) foram informados por Francis que a banda deles acabava de ser extinta.

 

A volta e a consolidação do sucesso

Principalmente por causa de falta de dinheiro, em 2004 foi anunciada a reunião do Pixies. Nesses 11 anos de hiato, os integrantes, com exceção de Kim Deal, fizeram pouca coisa notável. Deal esteve ocupada com a produção musical e turnês de sua banda, The Breeders, formada em conjunto com sua irmã gêmea (e grande companheira de sua vida), Kelley Deal, e Josephine Wiggs. The Breeders carrega o mesmo teor alternativo de Pixies mas em uma versão mais feminina e experimental. A banda atualmente está em turnê comemorativa de 20 anos do álbum Last Splash e esteve em São Paulo em julho de 2013 na casa de shows Cine Joia.

Ao voltar para a banda seminal, Deal, recém recuperada de um severo problema com álcool, exigiu que não fosse levado nenhum tipo de bebida alcóolica para os camarins e passa a consumir somente água ou cerveja sem álcool (atualmente ela leva apenas uma garrafa de água para o palco).

Entre 2003 e 2012 a banda fez shows pelo mundo todo, incluindo no Brasil, em 2010 no festival SWU. Nesse período banda lançou apenas b-sides, compilações (como Wave of Mutilation) ou material comemorativo, mas nada inédito. Foi um período dedicado a colher os louros do sucesso consolidado, principalmente depois do período de hiato, época em que a banda conquistou muitos fãs. Apesar do clima comemorativo, os integrantes da banda estavam mais soturnos que nunca e relutantes em iniciar qualquer tipo de comunicação sobre o futuro (ou qualquer coisa) como pode ser visto no documentário loudQUIETloud: a film about The Pixies (idem, 2006).

O final de uma era: saída de Kim Deal

Desde a reunião, Deal mostrou-se relutante com a ideia de gravar algo novo. Em 2013 essa posição tornou-se insustentável. Diante do dilema “gravar algo novo ou perder Kim” a segunda opção foi a escolhida. Kim Deal anunciou sua saída da banda – sendo substituída por Kim Shattuck – ao mesmo tempo em que o Pixies anuncia a produção de material novo, após anos de jejum. Menos de um mês depois Bagboy estava na internet (a participação de Kim Deal nessa música ainda é um mistério).

Para a felicidade dos fãs, a produção não acabou aí. Foi lançado ainda em 2013 o 4-track EP, que, como o nome diz, é um EP de 4 músicas inéditas. Ele está disponível no site oficial em kits de dowload ou em sua versão vinil. Renovado e (muito) mais experiente, o quarteto está em turnê pelo mundo, passando pelo Brasil em abril de 2014, no festival Lollapalooza.

Shattuck ficou pouco tempo na banda. Para a surpresa geral, no final de novembro foi anunciada a saída da “Nova Kim”. A substituta foi anunciada no início de dezembro, juntamente com o novo clipe da banda, Another Toe in the Ocean. A escolhida foi a argentina Paz Lenchatin, com experiência nas bandas A Perfect Circle e Zwan. Ela acompanhará o Pixies nas turnês de 2014, incluindo o Brasil.

Mesmo não atingindo sucesso dos clássicos do rock ou os gigantes públicos do pop, o Pixies foi uma grande influência para os músicos de todos os tempos. O primor com que as músicas foram feitas demonstram que é possível conciliar uma boa execução musical com a forma independente de produção. Nomes como Thom York e Kurt Cobain já declaram-se completamente fãs da banda, assim como Doreen, a menina de 14 anos protagonista de Brave New Girl, livro de Louisa Luna.

por Rúvila Magalhães
ruvila.m@gmail.com

 

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