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Na sintonia do Grammy Awards
Escuta Aí
13 fev 2016 | Por Jornalismo Júnior

The Grammy Awards é uma premiação anual estadunidense que celebra a música como um todo. Artistas se reúnem para falar sobre o cenário daquele âmbito profissional, homenagear os destaques, pela sua excelência e mérito artístico ou técnico, e se apresentarem juntos, em performances, várias vezes, improváveis e memoráveis. A lista vai desde Eminem cantando com Elton John, a Paul McCartney com Jay Z e Linkin Park, até Madonna com hologramas da banda Gorillaz.

https://www.youtube.com/watch?v=fV7hR5De4D4

Bruce Springsteen, Elvis Costello e Dave Grohl na 45ª edição apresentaram uma canção do The Clash

Origem

O evento, realizado pela Academia Nacional de Artes e Ciências da Gravação (Naras, em inglês), tornou-se um espetáculo visto por pessoas de qualquer parte do mundo. Sua criação remonta ao ano de 1957, quando sete empresários do ramo musical foram convocados para sugerir nomes para compor a Calçada da Fama, em Hollywood. Durante a reunião, eles discutiram uma forma adequada de recompensar talentos pela contribuição àquele campo, sem julgar vendas ou posição nas paradas de sucesso. Com isso, decidiram se estruturar de uma maneira profissional, conforme já faziam instituições do cinema.

Ademais, a Naras concebeu a cerimônia como uma estratégia da indústria para enfrentar a alarmante popularidade do Rock & Roll, que ameaçaria o padrão de qualidade do ramo. Os empresários teriam de legitimar o novo gênero ou “honrar a boa música”. Ao optarem esta última, rejeitaram tudo o que era considerado “rebelde” e moderno, por exemplo o R&B, o Rap e outros estilos urbanos.

No dia 4 de maio de 1959, o Gramophone Awards foi inaugurado, em um banquete simultâneo em Los Angeles, no Beverly Hilton Hotel, e em Nova York, para celebrar, junto da elite do setor, os lançamentos do ano anterior. As festividades foram intimistas e bem formais.

Domenico Modugno coletou os primeiros prêmios pelo êxito em Nel Blu Dipinto Di Blu (Volare), que foi intitulado o Melhor Álbum do Ano e a Canção do Ano. Volare continua sendo a única composição em um idioma senão o inglês a ganhar na última categoria citada. Em sua totalidade, foram 28 vencedores (o menor número até hoje), porém, se notou uma diversidade, que passou a fazer parte da comemoração. Homenagearam de Ella Fitzgerald a David Seville and the Chipmunks, pela Melhor Performance de Comédia e Melhor Álbum Infantil.

Domenico Modugno entoando Volare

Embora Frank Sinatra tenha sido o mais nomeado, concorrendo a seis estatuetas, conseguiu somente uma. Algo que surpreendeu os presentes e gerou o comentário que o ocorrido provava que a votação não era combinada ou manipulada.

A primeira exibição ao vivo da cerimônia aconteceu em 16 de março de 1971. Antes disso, difundiam um especial de uma hora com algumas apresentações gravadas, mas o modelo não cativava.

A transmissão quase não foi possível porque nenhuma emissora queria comprar o projeto, que havia sido formulado por Pierre Cossette, dono de uma gravadora e famoso por agendar talentos para eventos, juntamente com Burt Sugarman. Pierre convenceu seu amigo Andy Williams, que era bastante popular na época, para conduzir a solenidade, assim, a rede ABC se interessou e assinou o contrato. A festa realizou-se no Hollywood Palladium e foi um sucesso, o que demonstrou a viabilidade do formato. No entanto, uma pessoa teve de ficar na porta da casa de espetáculos pedindo para que transeuntes ocupassem os assentos vazios. Enquanto hoje, os ingressos são limitados aos finalistas e aos membros associados da Academia (qualquer um que tenha envolvimento na indústria pode se candidatar).

A votação, ainda conservadora, incluiu a categoria Melhor Gravação de Rock & Roll apenas em 1962, quando Chubby Checker foi premiado. Ao passo que os artistas do Rap foram reconhecidos na 31ª edição, quando Will Smith e o DJ Jazzy Jeff ganharam pela Melhor Performance de Rap. Foi só em 2013 que definiram campeões pelo Melhor Álbum de Jazz Latino e Melhor Álbum Urbano Contemporâneo, que já condecorou Pharrell Williams e Rihanna.

Canção vencedora em 1989

 O gramofone

O nome da premiação deriva do aparelho de reprodução sonora, que também passou a denominar o troféu entregue aos vitoriosos, na forma de um toca-discos. Com o tempo, o Gramophone Awards foi abreviado carinhosamente para Grammy. As estatuetas são confeccionadas à mão e tiveram cinco designs, de 1958, até o definitivo, em 1991, que é maior e de resistência superior.

(Primeiro design e o Grammy atual. Imagem: Isabella Galante)

Entre 10 e 15 gramofones são concedidos ao longo do show televisionado. As demais categorias têm as decisões reveladas em solenidades mais cedo naquele dia (normalmente após as 13h). Porém, todos os competidores obtêm uma recompensa: uma medalha manufaturada pela joalheria Tiffany & Co.

Cerimônia

O planejamento tem início um ano antes da celebração. O passo primordial é confirmar o local, a partir daí, os engenheiros de áudio, produtores de TV, designers cênicos, entre outros, podem começar a rascunhar ideias. Em seguida, se dá a procura pelos apresentadores. A seleção dos musicistas desejados para um show só ocorre depois que os indicados são anunciados, em dezembro. Este é um ponto delicado, mas que têm funcionado, apesar do pouco tempo de logística.

(Convite, crachás de backstage, medalha e envelope com os finalistas. Imagem: Isabella Galante)

Após a escolha dos convidados, os organizadores determinam estrategicamente cada assento, o qual vai sinalizado na convocação que chega pelo correio.

A seleção

O processo começa com o envio do trabalho (álbum, canção isolada ou videoclipe) por um membro da Academia ou por uma gravadora cadastrada. A mercadoria deve estar em circulação nos Estados Unidos durante o ano da análise, e dentro do prazo de recebimento (um ano completo).

Em geral, a instituição recolhe dez mil artigos anualmente. O material é verificado em sua adequação por mais de 150 afiliados, que fazem a separação por gênero (Pop, Rock, Jazz, Gospel etc.) e habilidade a ser nomeado.

Há, pelo menos, 31 variedades catalogadas e já houveram 110 categorias, que foram reduzidas a 83, em 2015. As principais delas são: Álbum do Ano (em que são agraciados o artista e a equipe de produção do disco), Gravação do Ano (em que se homenageia o cantante e a staff de criação do arranjo), Canção do Ano (em que a condecoração se destina aos compositores) e Artista Revelação (em que se premia um cantante promissor, que lançou naquele ano sua primeira gravação de repercussão). Somente Adele e Christopher Cross ganharam em todas séries básicas. Contudo, a cantora venceu em oportunidades diferentes, sendo agraciada em 2009 por Artista Revelação e no restante das categorias, três anos depois.

Os afiliados recebem questionários para apontar quem se destaca naquela certa habilidade, que nem uma recomendação de candidatura. Cada um fica limitado a sua área de especialidade, e pode votar no máximo em 20 categorias, além das quatro principais. Nas seleções peculiares, como Best Recording Package, em que se avalia o visual do álbum (a reverência vai para o diretor de arte), quem decide os nomeados são autoridades no assunto, de maneira conjunta, uma equipe restrita, formada por pessoas do país inteiro.

Essas indicações vão para uma empresa terceirizada que as contabiliza e estreita em uma versão final, com os cinco mais escolhidos na série. Cédulas de votação são remetidas aos membros votantes, que então elegem, novamente em até 24 competidores, quais merecem vencer.

Para votar, o integrante deve ter participação em no mínimo seis produtos comerciais. As cédulas retornam à firma, que coloca o nome de cada campeão em um envelope selado. O resultado só é conhecido no decorrer da própria solenidade.

Os vencedores

Em 1990, a dupla europeia Milli Vanilli estava no auge da fama quando venceu pelo desempenho como Melhor Artista Revelação. Contudo, rumores de que o grupo dublava em seus shows se espalharam. As suspeitas foram não apenas confirmadas, como, em novembro daquele mesmo ano, o empresário dos rapazes admitiu que as vozes usadas em todas as composições não eram deles. Com isso, perderam o contrato com a gravadora e foram obrigados a devolver a escultura, além do dinheiro de dez milhões de fãs que compraram o disco. Oito anos depois, um dos integrantes cometeu suicídio, dando um fim ainda mais trágico a carreira do conjunto. Eles são os únicos que tiveram um Grammy invalidado.

https://www.youtube.com/watch?v=_HAf2sBKpXU

Agora falando de artistas genuínos, o campeão de gramofones é Georg Solti, um maestro austro-húngaro, que trabalhou em óperas e orquestras pelo mundo. O regente faleceu em 1997 e acumulou 31 troféus. Ele chegou a obter, em vida, o consagrado Lifetime Achievement Award, que enaltece a carreira do compositor.

O próximo da lista é Quincy Jones. O produtor musical de maior reconhecimento na história coleciona 27 honrarias. Seguido pela maior vencedora, a violinista norte-americana Alison Krauss, que contabiliza 26 tributos. No âmbito dos cantores, Stevie Wonder é o titular, com 22 prêmios Grammy, em seguida vem Kanye West, com 21.

O recorde de gramofones ganhados em uma mesma premiação é compartilhado por Michael Jackson e Carlos Santana. Em 1984, o Rei do Pop recebeu oito troféus, pelo disco “Thriller”, em apenas uma celebração; nesta noite também foi alcançada a máxima audiência. Enquanto o guitarrista conquistou sua posição em 2000, com “Supernatural”.

(Jackson com Quincy Jones e seus os oito prêmios. Imagem: Divulgação)

Quem lidera as indicações são, novamente, Quincy Jones, que foi considerado 79 vezes, e Beyoncé, por ter sido finalista em 52 circunstâncias. Aliás, a cantora é a mulher mais vitoriosa em um mesmo espetáculo, visto que na 52ª edição foi campeã seis vezes.

O único a receber uma honraria póstuma foi Ray Charles. O intérprete morreu em 2004 e se tornou vitorioso em oito ocasiões no ano seguinte, inclusive na categoria Álbum do Ano. No caso de estrangeiros, vários musicistas brasileiros foram premiados em sua trajetória, entre eles João Gilberto, Roberto Carlos, Milton Nascimento, Caetano Veloso e Xuxa.

Entretanto, esse modo de reconhecimento não é sinônimo de melhor qualidade ou fama. Katy Perry, que foi a mulher que mais faturou em 2015, Jimi Hendrix, Janis Joplin, Queen e Axl Rose, a título de exemplo, nunca subiram ao palco para serem homenageados, e agradam aos fãs assim mesmo.

Influência

O Grammy é um reflexo da sociedade. Inicialmente, desprezava o moderno, hoje, engloba o máximo de estilos possível, logo, mudou muito desde a cerimônia originária. As performances celebram a diversidade e reverberam a luta por uma humanidade igualitária. Isso tem um efeito na recepção da audiência (a noite de 2015 foi vista por 27 milhões de espectadores) e nas críticas positivas, por ser um espaço de experimentação e pioneirismo. Este último pode ser observado nas apresentações de Same Love de Macklemore e Ryan Lewis, e Open Your Heart de Madonna, em 2014, durante as quais 68 indivíduos, entre eles homo e heterossexuais, se casaram.

O impacto na indústria da melodia também tende a ser favorável, conforme mostram as estatísticas de venda antes e após o evento. Em 1998, por exemplo, o projeto recente de Bob Dylan estava na posição 122 dos maiores sucessos, na semana seguinte da qual conquistou o Álbum do Ano, pulou para o posto 27, um crescimento acima de 400%. O Oscar do ramo musical terá sua 58ª edição exibida às 23h ao vivo pelo canal TNT no dia 15 de fevereiro. Confira aqui os indicados. Que seja surpreendente e que vença o melhor!

 

Por Isabella Galante

isabellavgalante@gmail.com

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