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O obsoleto nas vendas – lançamentos já são ultrapassados na pré-venda
16 ago 2013 | Por Jornalismo Júnior

A busca por inovação é um fenômeno antigo e cada vez mais forte, principalmente no campo da tecnologia. O Vale do Silício e outros pólos tecnológicos ajudaram a aumentar (e muito) a produção de novos aparelhos eletrônicos, sempre com a promessa de facilitar nossa vida. No entanto, o volume de inovações e atraentes recursos produzidos por ano tem causado um fenômeno comum em nossa sociedade: seduzir o consumidor.

O iPhone 5 foi lançado em 2012, apenas um ano depois de seu modelo anterior, o iPhone 4S, entra no mercado. Foto: Divulgação

É só surgir um celular com a tela maior, mais brilhante, visual renovado e pronto, você já está insatisfeito com seu modelo adquirido seis meses atrás. Comerciais chamativos e o estardalhaço feito em torno do lançamento de um item contribuem para isso, mostrando como sua vida seria boa se você adquirisse determinado produto. Não é a toa que apenas nos três primeiros dias de comercialização do iPhone 5 a Apple vendeu 5 milhões de unidades do aparelho. Cerca de um ano antes, a versão anterior , o iPhone 4S, conquistou pouco mais de 1 milhão de consumidores no primeiro dia de encomendas. Como já observou o sociólogo Zygmunt Bauman, por exemplo, a busca pela felicidade acaba passando, gradativamente, pelo ato de comprar. Mas calma, consumidor, isso não é (só) sua culpa.

Em menos de 10 anos, a Apple lançou mais de vinte modelos de iPod. A foto acima ilustra aparelho da primeira geração, lançado em 2002. Foto: Divulgação

Sabe aquela velha frase “no meu tempo, as coisas duravam mais…” que seus avós insistem em dizer? Bem, ela está certa. Atualmente, os produtos se tornam obsoletos (caindo em desuso) cada vez mais rápido. Para se ter uma ideia, 99% das coisas que passam pelo sistema de produção (não só tecnológico) são descartadas em apenas seis meses. Uma parte desse fenômeno é resultado de um artifício comum das corporações: a obsolescência percebida. Elas nos convencem, mudando a aparência dos objetos, a jogar fora coisas úteis e em bom estado para comprar aparelhos semelhantes aos que descartamos, apenas por serem mais “funcionais”. Uma televisão recém lançada, por exemplo, fina, de tela em LED, áudio de cinema, wi-fi e tecnologia 3D, é hoje mais atraente do que a antiga, grande, arredondada e que não tem nem a tecla SAP.  Desse modo, várias pessoas acabam trocando suas televisões mesmo que estejam em bom funcionamento, apenas porque a outra é mais bonita e atual, assim como no exemplo do celular mencionando acima.

Lâmpada americana acesa desde 1901. Foto: Revista Recreio

Outro recurso usado pelas grandes empresas de produção tecnológica para aumentar as vendas é a obsolescência programada. Esta surgiu junto com a sociedade de consumo e, basicamente, tem a função de diminuir a vida útil de um produto para aumentar sua demanda. Ou seja, o aparelho já sai da fábrica com seu tempo de funcionamento definido. Assim, a necessidade de comprar novamente o produto se mantém. Você pode até pensar “isso é normal, tudo tem seu tempo de duração”. No entanto, em alguns casos, ele poderia facilmente ser maior. O exemplo mais famoso de que esse método está em prática é uma lâmpada, nos Estados Unidos, acessa desde 1901. Isso mostra a existência de tecnologia para produzir lâmpadas mais duradouras, porém, um objeto comprado apenas uma vez não é algo vantajoso para os produtores. Outro caso mais atual é a primeira geração de iPods da Apple, que possuíam uma bateria de apenas 18 meses de duração. Ao ligar no suporte técnico da empresa, o dono do aparelho era instruído a comprar outro iPod no lugar de adquirir uma nova bateria. Depois disso, a Apple foi processada e obrigada a fazer baterias mais duradouras para os novos modelos.

Por Bruna Eduarda Brito

brunaeduarda.brito@gmail.com

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