Home Especiais Tóquio 2020 | Teddy Riner volta a perder em Jogos Olímpicos após treze anos e fica com o bronze
Tóquio 2020 | Teddy Riner volta a perder em Jogos Olímpicos após treze anos e fica com o bronze

Judoca francês perde a oportunidade de conquistar o tricampeonato olímpico e igualar recorde histórico

ARQUIBANCADA
30 jul 2021 | Por Fernando Cardoso (fernando.cardoso3801@usp.br)

Quando o assunto é dominância dentro do esporte, o judoca francês Teddy Riner merece um lugar no topo da lista dos atletas mais dominantes na história. Durante a última década, Riner acumulou uma sequência de 154 vitórias seguidas, o que o levou ao bicampeonato olímpico e a dez títulos mundiais da modalidade. Um sucesso dificilmente capaz de ser repetido.

Em Tóquio 2020, o francês não trouxe consigo a sequência invicta de dez anos, mas veio com a possibilidade de igualar o recorde do japonês Tadahiro Nomura, único tricampeão olímpico da história do judô. O Budokan, templo das artes marciais, parecia o palco apropriado para a conquista.

Mas assim como se testemunha em outras modalidades, os Jogos Olímpicos de Tóquio têm sido um verdadeiro destruidor de lendas do esporte. Derrubar uma semidivindade do esporte, como Riner, seria a tarefa mais difícil de todas. O destino do francês, no entanto, já estava traçado pelo destino. 


O ciclo olímpico

Não é como se o último ciclo olímpico do judoca francês tenha sido tão vitorioso como os anteriores. Após a conquista do ouro na Rio-2016 e do título mundial no ano seguinte, Riner se afastou dos tatames por vinte meses. O distanciamento era necessário para que o atleta pudesse se colocar nas melhores condições físicas e psicológicas para Tóquio.

Ao retornar às competições em 2019, era perceptível que Riner não era tão superior a seus adversários como antes. Inevitavelmente, com o equilíbrio maior em suas lutas, a sequência invicta de uma década encontraria o seu fim. Na frente dos torcedores franceses em Paris, Riner perdeu para o japonês Kokoro Kageura.

No início de 2021, o francês conquistou sua vaga olímpica após vencer o Masters de Doha. A boa forma parecia estar de volta, mas uma lesão no joelho, poucos meses antes do início da Olimpíada, afastou Riner novamente do judô. 

O tempo distante o deixaria apenas como 16º colocado no ranking mundial e no caminho de adversários bastante complicados na trajetória até o ouro e a quebra do recorde de Nomura em solo japonês.


O Torneio

Teddy Riner sobre os tatames da Tóquio 2020 [Imagem: Twitter/Teddy Riner]

Em sua estreia em Tóquio 2020, Riner conseguiu calar alguns duvidosos sobre seu favoritismo. Foram necessários apenas dois minutos para o francês passar pelo austríaco Stephan Hegyi, que está uma posição abaixo no ranking mundial. A partir de então, apenas judocas rankeados acima de Riner passariam por seu caminho.

Nas oitavas de final, veio o israelense Or Sasson, 9º no ranking. A vitória dentro dos quatro minutos determinados para a luta, após um waza-ari logo no início, foi uma demonstração de força. Em um torneio marcado pelos golden scores e lutas longas, vencer no tempo normal fazia parte da exceção.

Nas quartas de final, no entanto, o chaveamento se provaria cruel para o francês. Em seu caminho, foi colocado o atual líder do ranking, campeão europeu e vice-campeão mundial, Tamerlan Bashaev. Sem a superioridade de anos atrás e diante de um adversário a altura, Riner veria o sonho do ouro ir embora.

Em uma luta pegada, estudada e digna de prorrogação, o russo conquistou a vitória por waza-ari e avançou na competição, deixando Riner para a repescagem e com apenas a possibilidade de levar o bronze.

É comum ver campeões abatidos com o fracasso de sua meta final. Mas existem alguns raros atletas que simplesmente possuem uma vontade imensa de vencer. Para Riner, a eliminação não era motivo de abatimento. Era preciso seguir em frente e garantir um lugar no pódio, reconquistando o respeito do mundo do judô.

Azar do brasileiro Rafael Silva, que encontrou o sedento francês na repescagem. 45 segundos do início da luta e Riner já tinha o oponente imobilizado com as costas no chão. Vitória fácil, dominante, como sempre se espera do judoca francês, apesar das dúvidas que foram geradas antes e durante o torneio olímpico.

Na disputa pelo bronze, o japonês Hisayoshi Harasawa foi mais uma vítima. Foram cinco minutos em que o judoca da casa quase nem conseguiu agarrar Riner. Uma luta que esteve completamente sob controle do francês do início ao fim. Harasawa foi corretamente punido três vezes por inatividade, o que deu a medalha de bronze para o bicampeão olímpico.

Riner não levou o ouro desta vez. Mas sua jornada olímpica teve alguns de seus principais traços: a dominância e a superação. A derrota vem para todos, mas a capacidade de se erguer, manter-se focado em voltar a vencer e superar quem for que passe pelo caminho são qualidades de poucos.

Os deuses do esporte não foram gentis com Riner. Ou será que foram? Em apenas três anos, os Jogos Olímpicos serão disputados novamente em Paris. O judoca francês terá simplesmente a oportunidade de quebrar o recorde do tricampeonato olímpico em sua própria casa. Até lá, basta seguir com a mesma obsessão por vencer. E conhecendo Riner, sabe-se que ele não mudará tão cedo.

 

*Imagem de Capa: Teddy Riner em ação na Tóquio 2020 [Imagem: Twitter/Teddy Riner]
Tóquio 2020 tênis

Arquibancada
O Arquibancada é a editoria de esportes da Jornalismo Júnior desde 2015, quando foi criado. Desde então, muito esporte e curiosidades rolam soltos pelo site, sempre duas vezes na semana. Aqui, o melhor de todas as modalidades, de todos os pontos de vista.
VOLTAR PARA HOME
DEIXE SEU COMENTÁRIO
Nome*
E-mail*
Facebook
Comentário*