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42ª Mostra Internacional de SP: O Rosto
CINÉFILOS
03 nov 2018 | Por Jornalismo Júnior

Este filme faz parte da 42ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Para mais resenhas do festival, clique aqui.

O Rosto

Jacek antes do acidente que irá desfigurar seu rosto (Imagem: Kino Swiat)

Como a aparência é capaz de alterar tudo, ou muita coisa ao redor de uma pessoa? Suas relações, rotina, a maneira como se é visto? O Rosto (Twarz, 2018) aborda essa questão. Mas a mudança não é uma escolha. Neste filme, a alteração da aparência se dará por conta de um terrível acidente, que colocará em xeque muitos fatos da vida de Jacek (Mateusz Kościukiewicz).

Ambientado em uma pequena cidade rural da Polônia, o longa conta a história de um homem comum, mas que pensa muito diferente da maioria dos moradores da região, além de sua própria família. Ele ama heavy metal, se veste com roupas pretas e usa camisetas de bandas. Sente vontade de ir à Inglaterra. Enquanto que seus familiares são típicos camponeses, com toda a estereotipação que esse título carrega: são extremamente conservadores, religiosos e preconceituosos. E este aspecto da família é muito bem exposto. Em uma das cenas, por exemplo, estas pessoas aparecem na ceia de natal. Momento mais propício não há para que uma família assim sinta-se instigada a fazer piadas xenofóbicas e racistas.  

Apesar disso, Jacek possui em sua vida pessoas que o fazem sentir vivo, como sua noiva. Uma pessoa um tanto quanto diferente dos demais moradores da cidade, assim como o protagonista. Eles fazem loucuras juntos, se divertem, ouvem heavy metal. São felizes zombando de toda aquela gente chata.

As coisas pareciam ir bem até que um acidente sofrido por Jacek em seu trabalho a construção de uma estátua gigante representando Jesus Cristo transfigura seu rosto, e por isso, ele tem que passar por um transplante facial, o primeiro do país. Isso mudará tudo.

Tudo muda ao redor da personagem, como a hipocrisia dos vizinhos que revela-se, mas não exatamente nele próprio, pois Jacek não irá perder a personalidade extrovertida e naturalmente bagunceira que sempre teve. Irá continuar amando todas as coisas que sempre amou. As únicas vezes em que ele realmente sente-se triste pelo ocorrido, está relacionado à atitude que sua noiva toma.

O Rosto

Jacek e sua noiva se beijam do alto de uma ponte (Imagem: Kino Swiat)

O filme traz recursos visuais interessantes, como o desfoque ao redor daquilo que se quer destacar, momentos gravados por camera na mão, além das cenas que são exibidas como se o espectador fosse o próprio protagonista. Traz também uma trilha sonora que desenha bem quem Jacek é, o que sente e acredita.

O Rosto traz uma interessante reflexão sobre o que a aparência pode fazer com as pessoas, e com você mesmo.

Confira o trailer original:

por Crisley Santana
crisley.ss@usp.br

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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