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5 séries que foram canceladas cedo demais
Controle Remoto
09 set 2016 | Por Jornalismo Júnior

1) Hannibal

Talvez os produtores de Hannibal na NBC sejam adeptos da filosofia “saia do jogo enquanto ainda está ganhando”. A série, que explora o tenso relacionamento entre o investigador do FBI Will Graham (Hugh Dancy) e o psiquiatra forense que o supervisiona Dr. Hannibal Lecter (o famoso serial-killer canibal de Dragão Vermelho e O Silêncio dos Inocentes), teve uma boa primeira temporada, mas só entrou efetivamente nos trilhos com a segunda, e já era universalmente elogiada pela crítica pela terceira. No entanto, e para profunda revolta dos fãs, foi então que encontrou seu fim.

De fato: a revolta foi tamanha, que um abaixo-assinado pedindo a renovação da série para uma quarta temporada já acumulou quase 90 mil assinaturas. A NBC continua irredutível, e a produtora executiva do seriado, Martha De Laurentiis, parece saber o porquê: para ela, a culpa pelos pontos de audiência decrescentes do programa é da pirataria. Em carta aberta para o portal The Hill, ela não foi nada clemente com quem acompanhava a série ilegalmente: “Se os piratas mataram Hannibal? Infelizmente, esse é um cliffhanger que pode ficar sem resolução por um bom tempo. Com mais de dois milhões de espectadores assistindo ao nosso show ilegalmente, não é difícil imaginar que os piratas virtuais são, no mínimo, parcialmente responsáveis pela demissão de centenas de trabalhadores de nossa equipe e por milhões de fãs – que assistiam ao show legitimamente – estarem em luto pela perda de um programa querido”.

2) Marvel’s Agent Carter

O fim de Marvel’s Agent Carter veio como grande decepção para entusiastas da Marvel e para quem gosta de ver uma protagonista feminina forte. Cancelada com duas temporadas e 18 episódios, a série recebeu críticas predominantemente positivas, porém, a decrescente audiência de sua segunda temporada levou o canal ABC a cortá-la de sua programação.

A protagonista do seriado é familiar para qualquer um que tenha acompanhado os mais recentes filmes da Marvel. Tendo aparecido pela primeira vez em Capitão América: O Primeiro Vingador, Peggy Carter (Hayley Atwell) é uma agente da Reserva Científica Estratégica na Nova York dos anos 40. A primeira temporada da série a vê equilibrando seu trabalho de escritório com ajudar secretamente  Howard Stark (pai de Tony Stark, o Homem de Ferro), que foi enquadrado por enviar armas letais a inimigos dos Estados Unidos. Nas palavras de uma das showrunners do programa, Tara Butters, em entrevista à Entertainment Weekly, “[o superpoder da Agente Carter] reside no fato de as outras pessoas a subestimarem. E ela frequentemente usa isso a seu benefício, pois não tem superforça”.

Apesar do cancelamento prematuro do show, fãs da atriz principal não precisam se desesperar: ela voltará a protagonizar uma nova série da ABC. Conviction estreia em outubro, e será um drama investigativo no qual Atwell interpretará Hayes Morrison, uma advogada que se vê forçada a aceitar um emprego em uma unidade que re-examina casos nos quais há suspeita de condenação injusta.

3) Pushing Daisies

Eis uma série que gostaríamos de poder ressuscitar. Pushing Daisies, do canal americano ABC, foi cancelada após míseras 2 temporadas e 22 episódios – ainda que tenha recebido críticas amplamente positivas, arrebatando 7 prêmios Emmy. O seriado, comentado por um narrador onisciente de um humor negro que lembra os filmes de Tim Burton, conta a história de Ned (Lee Pace), um padeiro e dono de restaurante com a habilidade de trazer os mortos de volta à vida com um toque. Há, no entanto, algumas limitações a esse poder: ao ressuscitar algo ou alguém por mais de um minuto, outro ser vivo na proximidade tem que morrer; e ao tocar o ressuscitado uma segunda vez, o mesmo morre – dessa vez, permanentemente. A capacidade o torna dupla improvável de um detetive (Chi McBride), permitindo-o a interrogar por um minuto as vítimas de homicídios,  solucionando facilmente crimes misteriosos. A trama se complica ainda mais com o assassinato de Chuck (Anna Friel), paixão de infância de Ned, que ele resolve trazer de volta à vida definitivamente. Os dois se apaixonam e passam a morar juntos, sem, todavia, nunca poderem se tocar.

O seriado fez tanto sucesso e é tão querido por seus fãs, que ganhou uma colocação na lista da revista TV Guide das 60 séries que foram canceladas cedo demais, e ficou em primeiro lugar em uma votação da Esquire, que perguntava a seus leitores qual programa eles mais gostariam de ver retornar à televisão.

4) Enlightened

“Temos alguma conexão? O que você fala sobre mim? Fui cruel com você? Ou você comigo? O que você pensa de mim? De verdade? Sou ridícula, ou doce, ou decente? Somos amigos? Você se importa? Deixe pra lá, deixe pra lá. Deixe pra lá.” Perguntas que provavelmente todos os fãs da série Enlightened gostariam de ter feito aos empresários da HBO após o programa ser cancelado com apenas duas temporadas e 18 episódios. Entretanto, essas palavras têm sua origem em uma das várias reflexões comoventes protagonizadas por Amy Jellicoe (Laura Dern), a personagem principal do seriado. O enredo se centra na transformação (genuína ou não) de Amy após retornar de um retiro no Havaí. Uma vez uma empresária de sucesso, com história de 15 anos na Abbadonn (corporação fictícia), um ataque de nervos a força a se afastar. Quando volta, a pessoa egocêntrica e egoísta que todos conheciam está aparentemente mudada: o egoísmo abriu lugar para a empatia, o egocentrismo virou ativismo. Ela volta determinada a mudar o mundo a seu entorno, começando pela própria empresa em que trabalha. O que resulta disso é uma comédia envolvente, honesta e frequentemente emocionante sobre uma mulher que apenas quer fazer o bem, mesmo que seja pelos meios errados que ela conhece, e pelas motivações confusas que ela cultiva.

É uma série que, por trás de sua ironia e acidez sutil, contém muitas lições para o espectador atento. E certamente traria outras mais, se fosse concedida uma terceira temporada. Mike White, o co-criador (juntamente com Laura Dern) e roteirista do programa (que também interpreta Tyler, colega de trabalho e amigo de Amy), afirmou em entrevista ao portal Vulture que uma próxima temporada seria mais focada em explorar o passado de outras personagens e continuar o questionamento das transformações de Amy, à luz da conclusão da segunda temporada.

5) Freaks and Geeks

Se o cancelamento de Marvel’s Agent Carter, Enlightened e Pushing Daisies após duas temporadas já parece uma piada cruel cujo foco é o telespectador, Freaks and Geeks deve ser um conto de terror: a série que viria a atingir status cult, absolutamente consagrada pela crítica e pelos fãs, teve uma única temporada de 18 episódios. O programa já marcou presença em diversas listas de Melhores Seriados de Todos os Tempos, entre elas a da revista Time, e da Entertainment Weekly. Além disso, conquistou a primeira posição dentre as 60 séries canceladas cedo demais, da Guide TV.

Sua história é de um retrato atemporal da adolescência: a narrativa centra-se nos irmãos Lindsay (Linda Cardellini) e Sam Weir (John Francis Daley) enquanto ambos tentam sobreviver ao Ensino Médio nos anos 80. Sam e seus amigos constituem os “geeks” mencionados no título, enquanto Lindsay faz amizade com os “freaks” em sua tentativa de se rebelar e desvencilhar de sua imagem de garota e estudante perfeita.

O seriado foi ponto inicial de várias futuras estrelas da telona: James Franco interpreta um dos freaks, juntamente com seu grande amigo da vida real e comediante Seth Rogen. Linda Cardellini viria a atuar em filmes como Scooby Doo, Legalmente Loira e O Segredo de Brokeback Mountain. Seu irmão na série, John Francis Daley, também se deu bem, conseguindo papel importante em outro seriado de sucesso: Bones. O produtor do programa, Judd Apatow, é outro com uma carreira invejável, contando com uma filmografia cheia de hits da crítica e das bilheterias, como O Virgem de 40 Anos, Superbad, Ligeiramente Grávidos, Segurando as Pontas e o recente Descompensada; além de ter produzido e escrito para séries como Girls e o novo lançamento do Netflix, Love.

Por Fredy Alexandrakis
fredy.alexandrakis@gmail.com

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