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A cada gole de café, falar de arte
Eu Fui
14 jun 2019 | Por Jornalismo Júnior

“Aqui tem muita criatividade, muito amor, trabalho lindo para a favela e para o mundo” é com esta frase, dita por Cris – jornalista e assessora de comunicação do projeto Periferia Inventando Moda –, que o Café Acadêmico de 2019 começou. O evento contou com o desfile dos modelos do projeto, momento de fala de seus integrantes e, por fim, um bate papo com a artista Karol Conka. A fala de Cris norteia toda a mensagem desta edição, que buscou trazer um viés mais consciente e diverso.

A 52° edição do Café Acadêmico, evento anual organizado pela Agência de Comunicações ECA Jr., contou com suas tradicionais mesas cheias de comida, que ficam a disposição dos convidados, e o momento de conversa com alguma celebridade. O acontecimento é realizado por alunos da USP e patrocinado por diversas marcas, como, neste ano, o NuBank.

O desfile, parte inicial do Café, durou poucos minutos, mas foi carregado de criatividade e presença. Os modelos percorreram tanto o palco como o espaço entre as mesas das pessoas presentes, criando uma relação de proximidade com quem estava assistindo. Depois, ocorreu uma breve explicação do projeto: é sobre autoestima e capacitação profissional, é subverter e transformar o que a indústria da beleza e a moda trazem como padrão. O Periferia Inventando Moda fala de inclusão e demonstra isso em todas as suas camadas. Em sua fala, Alex Santos, idealizador do projeto, lembrou de Tales Cotta, modelo de 25 anos que morreu durante o desfile da São Paulo Fashion Week (SPFW) no dia 27 de abril deste ano. “Modelo não é cabine, é alma”, reforçou.

[Imagem: ECA Jr.]

Falar de alma e de viver a arte é falar do que as pessoas que protagonizaram o Café Acadêmico de 2019, desde cada modelo, cada integrante do PIM, à Karol Conka, são e representam. A rapper inicia a conversa falando sobre a sua trajetória e logo abre espaço para as perguntas. O que se repete em muitas de suas falas é a crítica ao que muitos eventos supostamente inclusivos fazem: a insistência em trazer minorias para falarem sobre serem minorias e apenas isso. O que Karol traz e reitera na conversa é “tá bom, mas que tal falarmos de superação?”. E assim se segue o diálogo, com muitas histórias engraçadas, outras nem tanto, que falam de luta, de resistência e de ser humano.

Karol abre uma pequena janela da sua vida para que os presentes possam espiar, lembrar e falar, ao final do evento, que puderam conhecer um pouquinho do que compõe a pessoa Karoline dos Santos Oliveira. O bate-papo é um leve e divertido passatempo, com recheio de brigadeiro e pasta vegana de cenoura. Quem esteve presente sentiu que a conversa poderia durar muito mais, de tão enriquecedor que é dialogar com a Karol, de forma que de tantas perguntas apenas algumas foram respondidas. Fator que pode ser considerado pelo atraso do evento, que programado para ter início às 19h, começou efetivamente uma hora depois do planejado.

A artista falou sobre como foi fazer seu primeiro trabalho como rapper, sobre representatividade feminina e negra na música, sobre dizer nãos e sobre certas situações pessoais. Discorreu também sobre gratidão e energia, cultura e fazer música. Por fim, contou sobre sua atuação como ativista no meio Pop e sobre seu trabalho relacionado à  autoestima da mulher negra. “Agradeço às mulheres negras, gordas e fora do padrão por participarem da reeducação cultural do país”, ela completou.

A 52º edição do Café Acadêmico termina com uma vontade coletiva de uma noite sem fim, um gostinho de quero mais e mochilas, sacolas e bolsos preenchidos com lanches deliciosos.

 

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