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A Cesar o que é de Cesar: os 10 anos da conquista de Roma
ARQUIBANCADA
01 ago 2019 | Por Danilo Moliterno e Vinicius Garcia (danilomoliterno@usp.br e vini.garcia.ferreira@usp.br)

Nada, nada, nada e tudo… Tudo dele. Cesar Cielo é considerado, hoje, o maior nadador brasileiro da história. Há exatos 10 anos, o paulista de Santa Bárbara d’Oeste colocava seu nome no livro dos recordes e hasteava a bandeira verde e amarela na história do esporte. O Arquibancada conta, agora, tudo sobre Cesar e o mundial de natação de 2009.

 

Cesar antes de Roma 

A história de Cesar Cielo com o maiô verde e amarelo teve início em 2004, quando, aos 17 anos, deu as primeiras braçadas pela seleção brasileira de natação. Em sua estreia, no mundial de piscina curta em Indianápolis, o paulista faturou uma medalha de prata no revezamento 4×100 livre.

Três ano depois, o nadador alcançou sua primeira grande performance individual. No mundial de natação, faturou a quarta colocação nos 100 metros nado livre e a sexta nos 50 metros do mesmo estilo. Ainda em 2007, Cielo conquistaria três ouros e uma prata no Pan-Americano do Rio de Janeiro – ao lado da torcida brasileira.

O grande feito, porém, viria somente em 2008, nas olimpíadas de Pequim – a primeira de Cesar. O brasileiro caiu na água e 21 segundos e 30 centésimos depois já havia transposto 50 metros de piscina. Minutos depois, estava no lugar mais alto do pódio, recebendo o ouro. Além da medalha, o paulista faturou, também, o então recorde olímpico da prova.

“Aquele ouro foi o primeiro e o único da história da natação brasileira em Jogos Olímpicos. Estamos falando de mais de 100 anos dessa competição e, nunca, ninguém conseguiu esse feito, apenas o Cielo”, aponta Mariana Brochado, ex-nadadora da seleção brasileira e comentarista do Sportv.

O nadador comemora o ouro olímpico em Pequim [Imagem: Petr David Josek/Associated press]

O império de Cesar 

Com grandes desempenhos nos primeiros anos de carreira, Cesar chegava ao mundial de Roma como favorito – ao menos aos olhos dos Brasileiros. Por parte dos outros competidores, ainda havia dúvidas. Dúvidas, essas, que logo seriam sanadas pela performance monstruosa do brasileiro.

Na final dos 100 metros livre, os adversários de Cielo seriam: Ferns, da África do Sul, Hayden, do Canadá, Nystrand, da Suécia, Bernand, da França, Oliveira, do Brasil, Walters, dos Estados Unidos e Bousquet, também da França. 

E assim, alinharam-se os competidores. O brasileiro caiu na água e começou a prova. Uma vitória de Cielo na que é considerada uma das provas mais nobres do esporte significaria muito para a natação brasileira, e todos sabiam disso.

Os primeiros 50 metros foram bem disputados, com muitos nadadores de alto nível competindo entre si. Cielo, porém, começou a mostrar porque o ouro na última Olimpíada foi merecido. Bateu em segundo na borda da piscina – logo atrás de Bernard –  virando para a metade final da prova, onde realmente se destacaria.

Em disputa acirrada com ambos os franceses, Cielo mostrou não desistir da vitória. Logo, os três nadadores se distanciaram dos outros e fizeram um pódio claro. A disputa, então, era pela cor da medalha. Quase pelo meio da piscina, o brasileiro despontou, posição que manteve até o fim da disputa.

Assim como o líder Romano, Cesar demonstrou dominância absoluta e não empregou nenhuma piedade. No dia 30 de julho de 2009, o nadador não somente ganhou o ouro nos 100 metros livre, como estabeleceu um recorde mundial com seu tempo de 46 segundos e 91 centésimos (41s91) – a primeira performance abaixo de 47 segundos da história.

Já tendo feito seu nome na competição, Cesar ainda encararia a sua especialidade, a prova que o consagrara nas Olimpíadas de Pequim, os 50 metros livre. Nela, novamente, enfrentaria Bousquet, com quem fez pódio nos 100 metros livre.

Numa corrida mais curta, um dos fatores mais importantes é o começo. Já na largada, Cielo mostrou porque essa prova era sua especialidade, e porque viria a ser conhecido como um dos melhores da história. Com um bom salto e braçadas fortes, o brasileiro caiu na água e despontou, despontou e liderou.

Depois daí, foi manter o desempenho. Cesar segurou a liderança durante o resto da corrida, mostrando, com muita competência, toda a sua habilidade na piscina. Enfim, bateu na borda, superando novamente seu competidor francês e conquistando o ouro. 

Como se a performance nos 100m livre não bastasse, para sanar de vez quaisquer dúvidas, no dia primeiro de agosto o brasileiro conquistou o ouro com seu tempo de 21s37, estabelecendo o recorde dos 50 metros livre. Fora o tempo impressionante em ambas as provas, o nadador conseguiu, ainda, mais algumas marcas de tirar o fôlego do mundo da natação.

Ele igualou o lendário Alexander Popov ao conquistar a dobradinha nos 50m em uma Olimpíada e em um Mundial em sequência. Fora isso, foi o terceiro da história a conquistar ambas as provas, assim como fez o já citado Popov, em 94 e 2003, e Anthony Earvin, em 2001.

Saindo da escala mundial e vindo para o Brasil, a conquista  foi um marco muito importante para a natação canarinha, quebrando um Jejum de 27 anos. O último recorde mundial havia sido o de Ricardo Prado, em 1982, nos 400 metros medley, o que também foi o último título do Brasil em mundiais até Cielo. Além disso, Cesar foi o primeiro brasileiro a ser campeão nas olimpíadas e em mundiais.

 

A armadura do Imperador

Apesar dos número excepcionais, a performance de Cielo é, até hoje, questionada por especialistas do esporte devido aos trajes utilizados pelos nadadores naquele Mundial. O “supermaiô”, como era conhecido, possuía poliuretano, que auxiliava na flutuação  e repelia a água – tornando mais fácil e veloz o deslocamento dos atletas durante as provas. 

A partir de 31 de dezembro de 2009, entretanto, a utilização do traje foi proibida pela FINA (Federação Internacional de Natação). A entidade considerou que o equipamento tomara o protagonismo do esporte, sendo responsável pelos tempos cada vez menores e pela pulverização de marcas: em dois anos, 100 recordes mundiais foram quebrados, o triplo do habitual.

Contudo, a FINA, no início de 2010, decidiu por manter todos os recordes mundiais alcançados entre fevereiro de 2008 e dezembro de 2009, período no qual reinaram os maiôs tecnológicos. A decisão abriu precedente para que todas as performances realizadas com a utilização dos trajes fossem questionadas, já que estes tempos dificilmente seriam batidos futuramente.

“Não acho que esta polêmica ofusca o resultado dele [Cielo]. Acho, sim, que os trajes ajudavam os nadadores de certa forma, mas o maiô não nada sozinho, precisa de um atleta muito bem preparado e treinado dentro dele para nadar rápido”, comenta Mariana Brochado sobre a polêmica dos “supermaiôs”.

Além de se posicionar a favor das performances realizadas com o uso da tecnologia, Mariana relembra que os recordes foram, sim, futuramente quebrados: ”hoje, 10 anos depois, temos poucos [recordes] daquela época, entre eles, os do Cielo nos 50 e 100 metros livre. Mérito total do nosso nadador que soube aproveitar sua melhor forma e momento para obter tais tempos”.

Cielo em piscina do clube de Pinheiros [Imagem: Adriano Vizoni/Folhapress]

Ave Cesar

O mundial de 2009 é inegavelmente muito importante – não só para a carreira de Cesar, como para todo o cenário da natação brasileira. Sobre isso, Mariana Brochado diz que o Mundial foi muito especial, já que pudemos colher os frutos dessa grande performance tanto na piscina longa como, principalmente, na curta.

Pode-se dizer que o mundial pôs o Brasil no mapa, pois, após a primeira medalha de ouro olímpica, veio uma performance esmagadora de Cielo, acompanhada de glórias de outros atletas. Poliana Okamoto foi medalhista na maratona aquática enquanto Felipe França o fazia no 50 metros peito. Mariana ainda pontua que “Roma foi uma competição que colocou nossos nadadores, mais do que nunca, sob o radar dos outros países.”

Agora, no que diz respeito ao Cesar em si, o Mundial foi realmente muito importante. Mariana acredita que o desempenho em Pequim foi um abridor de portas para o grande desempenho em Roma, mas ressalta que os dois são igualmente importantes para o  nadador.

Essas provas, somadas ao ouro olímpico, foram o começo da longa e muito condecorada carreira de Cesar Cielo. Foram essas medalhas iniciais que o estabeleceram como alguém que estava entrando em seu auge e precisava ser respeitado.

Para Brochado, Cesar é, sem dúvidas, o melhor nadador brasileiro de todos os tempos. Ela reconhece que tivemos outros grandes nomes nas piscinas, como Gustavo Borges, Fernando Scherer, Ricardo Prado e Rogério Romero, porém, ainda vê Cielo como o maior.“ Ele é o único a ter um ouro olímpico em nossa história, dominou duas provas nobres da natação mundial por muitos anos e virou referência internacional”.

E fora do Brasil, nosso querido representante também é bastante reconhecido. Na Itália inclusive, palco de duas grandes performances de CIelo, há um carinho muito grande pelo brasileiro no país da bota, talvez devido aos grandes feitos dele em terras italianas. 

Para além do Mundial, Cesar, como atleta, deixa um legado absurdo para as próximas gerações de nadadores brasileiros – que agora podem ter um ídolo considerado um dos melhores de todos os tempos para se inspirar.

Sobre isso, Mariana, falando sobre a Medalha Olímpica de Pequim, termina dizendo:“Essa medalha fez não só ele, mas todos os nadadores brasileiros acreditarem que é possível. Que não é apenas um sonho, um desejo, mas que, sim, podemos ser os melhores do mundo” 

Cielo, batedor de recordes [Imagem: Satiro Sódre/Divulgação]

Arquibancada
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