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A Maldição da Floresta: Por pouco…
CINÉFILOS
06 out 2016 | Por Jornalismo Júnior

Adam, Claire, seu bebê Finn e o cão da família, Iggy, mudam-se de Londres para uma casa em meio à floresta, numa cidade no interior da Irlanda. A família saíra da Inglaterra por conta do trabalho de Adam, que consistia em percorrer a floresta, marcando árvores “doentes”, que seriam cortadas e vendidas ao setor privado das madeireiras.
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A população local era extremamente contrária ao corte das árvores, diziam que Adam estava invadindo um lugar que não lhe pertencia, apesar de a floresta ser pública, e que aquilo era perigoso para ele. Por conta disso, a família era tratada com uma certa rejeição e receio pelos locais.

Num dia em que trabalhava na floresta com seu filho no bebê conforto e Iggy, o cão encontra um cervo morto dentro de uma construção abandonada em meios às árvores, que tem em seus ferimentos um líquido pegajoso preto. Adam leva uma amostra para casa para analisar em seu microscópio e fica fascinado com o que vê: trata-se de um fungo que injeta suas toxinas nas células do hospedeiro, como uma seringa, e passa a controlá-las, como zumbis.

Na madrugada do mesmo dia, um barulho estranho rompe o silêncio na noite do casal que cozinhava tranquilamente. A janela do quarto de Finn se quebra num grande estrondo e o abajur é derrubado, sendo esse o primeiro de uma série de acontecimentos assustadores na casa. Adam chama a polícia, temendo aquilo ser alguma retaliação por conta de seu trabalho na floresta. O oficial Davey, chega pouco depois e, após dar uma olhada no quarto, chega à conclusão de que o acidente fora causada por um pássaro atraído por um enfeite brilhante do móbile do berço de Finn. Além disso, o policial conta ao casal o principal motivo do receio da população quanto à floresta: uma crença muito forte no folclore irlandês de que a floresta é dominada pelas Hallows, criaturas malignas que protegem a mata e roubam crianças.

A Maldição da Floresta (The Hallow, 2016) é um filme de terror ao mesmo tempo típico e atípico. Típico pois apresenta diversas técnicas narrativas extremamente comuns aos filmes do gênero, como a família que se muda da cidade grande para uma casa afastada no interior, a presença de uma criança ou bebê e constantes cenas que provocam susto. Atípico por, apesar de trazer grande influência folclórica, apresentar uma ruptura com o clichê dos espíritos e da sobrenaturalidade.
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Contando com um consultor de pesquisas em fungos, o diretor Corrin Hardy conseguiu trazer ao longa um teor de cientificidade. Na cena do microscópio, mostra-se uma interação celular que explica, embora de forma rasa, como as Hallows têm a capacidade de fazer o que fazem. Isso, além de tornar o filme muito mais interessante, tira o público de uma posição submissa, onde tem que aceitar uma ordem sobrenatural de acontecimentos escolhida de forma um tanto quanto arbitrária, e possibilita o entendimento sobre os fatos.

No entanto, o filme falha em um aspecto muito importante: causar medo. Há pouquíssimas cenas capazes de despertar algum sentimento, e as que conseguem minimamente são aquelas que apelam para o risco de morte de Finn, o bebê. Fora isso, há apenas cenas que causam susto. Estas, apesar de bem construídas, são muitas vezes previsíveis e acabam perdendo o efeito que poderiam ter. Não há medo da cena, apenas o susto no final.

A atuação de Joseph Mawle e, principalmente, de Bojana Novakovic, é um ponto positivo a ser ressaltado. Das poucas cenas do longa que causam alguma emoção, quase todas são mérito dos atores.

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Tivesse Corin Hardy melhor explorado os pontos que destacam o longa dos demais filmes de terror, A Maldição da Floresta poderia ter sido um grande filme. Ainda que muito interessante pelos motivos já citados, a explicação científica deu-se muito brevemente e não teve mais influência na história. Criou-se uma expectativa de que Adam utilizaria a descoberta dos fungos e seu funcionamento para combater as Hallows, que isso seria relevante na narrativa, porém nada nesse sentido aconteceu. Sendo assim, o longa se limita a um filme de terror mediano com potencial para se diferenciar.

por Dado Nogueira
dadopnogueira@gmail.com

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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