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A melancolia e as paixões de Ana Gabriela
Escuta Aí
20 jul 2020 | Por Giovanna Preto (giovpreto@usp.br)

Com apenas 24 anos e nascida na cidade de São José dos Campos, a cantora e compositora Ana Gabriela lançou seu primeiro álbum musical no dia 3 de julho, pela gravadora Deckdisc.

Depois de seus dois EPs lançados, Do Quarto Pro Mundo (2017) e (nó)s (2020), a cantora do interior paulista coloca a público o seu novo CD, nomeado de maneira simples como Ana. O álbum conta com 13 faixas, que compõem 40 minutos de um desabafo romântico e melancólico, que deveria ser acompanhado até mesmo de um alerta para aqueles apaixonados ou recém-iludidos, já que o sofrimento é garantido. 

O álbum é focado em uma espécie de linha do tempo de um término de relacionamento e fases de um sentimento apaixonado. A compositora Ana Gabriela repete inúmeras vezes a saudade da ex-namorada, o receio sobre a possibilidade de a ex estar com novas pessoas e as lembranças de um namoro passado nos versos chicletes do single X, com seu ritmo animado e leve. Traço muito presente da personalidade artística de Ana, suas músicas são sempre acompanhadas pela harmonia de um violão, o que muitas vezes reforça a profundidade do sentimento expresso na letra das canções.

Ana Gabriela em um de seus vídeos no YouTube. [Imagem: Reprodução]

Ana Gabriela em um de seus vídeos no YouTube. [Imagem: Reprodução]

Seguindo a ordem de faixas do álbum, a segunda música, chamada Vem Cá, é uma parceria com o cantor Fran, que é neto de Gilberto Gil e prova de que o talento está nas veias da família. A faixa tem um ritmo divertido e características muito acentuadas do MPB, além de contar com uma combinação de vozes muito atrativa aos ouvidos.

Ana sai um pouco do padrão melancólico do seu single com as músicas Acho Que Te Amo, Não Te Largo, Não Te Troco, responsáveis por melodias e letras com profundas declarações de amor em diferentes aspectos. A última dessas, que é a quarta faixa do álbum, tem a participação da famosa banda Melim, também muito conhecida pelas músicas românticas e que reforça esse sentimento amoroso de Ana Gabriela.

Um ponto de muita atenção na carreira da cantora é a representação LGBT nas letras românticas, a partir dos discursos em referência a uma figura feminina. Embora pareça algo trivial, ainda há diversos artistas que escondem a sexualidade nas músicas, por conta da indústria e da possível má aceitação do público. Em Teu Nome Imita o Mar e Mulher, Ana utiliza pronomes femininos e mesmo o título já é autoexplicativo. 

 Em contraponto com as declarações afetivas, o título Cozinha demonstra um triste término de relacionamento, que faz com que a cantora seja arrasada por um sentimento de infelicidade. A canção é acompanhada por outras duas músicas que seguem o sofrimento do fim de um namoro e da necessidade de superação: Casa 180 e Por um Triz. Em apenas um minuto, os poucos versos da primeira são os mais atrativos do álbum, com uma simplicidade que causa uma vontade de repetição diversas vezes. Enquanto isso, a última reforça a melancolia da cantora e a saudade de uma pessoa distante. 

Para completar a linha romântica das 13 canções, Nada Nada, Fique Mais e Quem Sou Eu são direcionadas para aqueles ouvintes sem relacionamento sério, mas com um sentimento apaixonado. Entre as três músicas, Fique Mais é a de maior atenção, uma vez que há grande similaridade com um MPB mais tradicional e traços bem marcantes da harmonia com um simples violão.

“Eu quero amor / Eu quero paz / Quero ser quem sou / Eu quero muito mais”. O refrão da última faixa do disco, nomeada Eu Quero Muito Mais, tem referência à superação de um antigo amor, mas também pode ser interpretado como as perspectivas de carreira da cantora. Com uma voz muito marcante e simultaneamente leve, além de um estilo romântico muito profundo, a artista tem um grande potencial de crescimento no número de fãs. Com versos e melodias que remetem a artistas muito famosos na atualidade, a cantora mostra que apareceu para se destacar e que seu primeiro álbum é apenas o início de um sucesso arrasador.

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