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A Origem do Mundo: vulva la revolución!
Na Estante
15 nov 2018 | Por Jornalismo Júnior

Imagem: Letícia Vieira / Jornalismo Júnior

Uma pesquisa histórica da melhor qualidade, uma narração leve e divertida, e um humor deliciosamente ácido: essa é a receita de “A Origem do Mundo Uma História Cultural da Vulva Vs. o Patriarcado”. Nesta atrevida graphic novel, a sueca Liv Strömquist aborda uma temática que ao longo de toda a história da humanidade foi vítima das mais absurdas ignorâncias e dos menos empíricos palpites: a vulva.

Cansada de ver o assunto sendo estudado e tratado apenas por homens ao longo de séculos, a quadrinista formada em ciências políticas faz críticas, como por exemplo, uma lista de “homens que se interessaram demais por aquilo que se costuma chamar de genitália feminina”. Dessa forma, resgata estudos absurdos realizados por homens no passado (alguns, num passado não tão distante assim!) e destrincha o assunto, passeando sobre diversos temas considerados tabus — inclusive, sobre essa própria palavra, que traz significados históricos curiosos —, como o orgasmo, o clitóris, a menstruação e a TPM.

Com linguagem descomplicada e muito humor, Liv ajuda a quebrar algumas barreiras construídas ao longo de séculos de negligências e injustiças atreladas ao corpo feminino e explica que nossos corpos não são estranhos, nojentos, ou feitos para o prazer alheio. Mais que isso, nos desperta para a importância de conhecer bem nossa eterna morada e incentiva que todas as mulheres se joguem nessa jornada de autoconhecimento. O ponto de partida pode ser o espelho, o toque, ou um material como esse, que traz informações preciosas frutos de uma pesquisa extensa da autora, que transmite toda essa bagagem de forma simples e divertida.

De fato, um dos aspectos que mais chama atenção na graphic novel é a escrita de Liv. O texto flui com o palavreado descomplicado, que permite comentários informais e certeiros que temperam a narração, e o traço divertido usado pela autora faz com que o leitor sempre avance na leitura, guloso por mais um deleite de conhecimento e entretenimento. Todos esses fatores, em conjunto, constituem uma obra completa: didática, divertida, contemporânea e feminista. Trazendo um apanhado histórico e cultural muitíssimo bem embasado, Liv assina um livro carregado de pesquisa teórica, mas temperado com colheradas generosas de um delicioso humor ácido.

Se o pessoal é político, Liv enfatiza que nossos corpos, estudados, abordados e controlados por homens ao longo de toda a história, importam a nós, e não a eles. Se o pessoal é político, oficinas de masturbação feminina — oferecidas por algumas faculdades de medicina, e alvos de duras críticas dos conservadores —, são ferramentas necessárias à garotas que ao longo de toda a vida foram ensinadas a não se tocarem, a não se conhecerem. Se o pessoal é político, “A Origem do Mundo – Uma História Cultural da Vulva Vs. o Patriarcado” é leitura obrigatória para toda mulher que, carregando nos ombros e na consciência o peso das diversas opressões históricas apresentadas no livro, sente sede de mais liberdade. Para toda mulher que deseja saber mais — através de informações de fontes amigas! — sobre seu próprio corpo, sexualidade e prazer.

Vulva la revolución!

Por Giovanna Stael
giovannastael@usp.br

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