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“A praia” do Cícero
Escuta Aí
19 maio 2015 | Por Jornalismo Júnior

Cícero Rosa de Lins, de 29 anos, lançou em 2015 o seu terceiro álbum,“A Praia”. Ainda na sua linha MPB e indie, influenciada principalmente por Marcelo Camelo, o cantor se mostra agora mais seguro e consciente de seu próprio estilo. Há quem diga que, nesse novo disco, Cícero mistura o doce íntimo de “Canções de Apartamento” (2011) com a exploração de cenário presente em “Sábado” (2013), resultando em músicas autênticas e ricas.

Cícero 1

Imagem: Divulgação.

Após o lançamento do seu segundo álbum, o cantor deu uma declaração à revista Rolling Stone, em que dizia: “Eu fiz mais para expressar meu estado de espírito do que na intenção de ser um êxito. Queria que as pessoas entendessem qual é a minha e o que se passa na minha cabeça, e não que me vissem como uma tentativa de hitmaker.” Essa intenção evoluiu e se solidificou ainda mais em “A praia”. Assim ficou mais claro o estilo Cícero, que, se tivesse que ter definição, poderia ser talvez a junção de um universo particular com o meio, envernizado por uma melodia mansa e singular. O que chama bastante a atenção no novo disco é a riqueza das letras. A música “De passagem” destaca-se nesse aspecto. Além do belo conteúdo da canção, Cícero faz um interessante jogo de palavras: por já ter mencionado a palavra “trem”, e depois falar que na “estação” encontrou algo, o último verso que se espera é “eu encontrei o meu trem”, mas, numa quebra de expectativa, ele nos lança “eu encontrei o meu bem”, aprimorando o tom poético.

“Na onda leve da brisa do dia

na onda longa do trem

na brisa leve da vida do dia

eu encontrei o meu bem

(…)

A calma dela mudando meu rumo

as curvas dela também

na estação do acaso

eu encontrei o meu bem”

Outra música muito relevante é Soneto de Santa Cruz. Ela possui versos fortes como “O ar virando veneno” e o “o sol virando carrasco”, além de o descompasso no tempo” estar presente tanto na letra quanto no som.

soneto de santa cruz

Infográfico: Giovanna Wolf Tadini


Na faixa “A praia, que dá nome ao álbum, ele canta a transformação de uma rotina, em que sai da “euforia rasa” (a sua casa) para ir a “tudo que é” (a praia com Ela). Define-se aqui uma das consequentes funções das músicas do cantor: a de inventar o amor.

“As canções de amor

Inventam o amor

Ela me tirou de casa

Ela me levou na praia”

Desta forma, além das canções mencionadas, outras como “Camomila”, “Isabel (carta de um pai aflito)” e “Albatroz” vieram para marcar a carreira do cantor. O álbum está disponível para download online gratuito, juntamente com toda a discografia do Cícero, no site: http://www.cicero.net.br/. Os próximos shows marcados acontecerão no Rio de Janeiro (Circo Voador, dia 6 de junho), em São Paulo (Sesc Pinheiros, 19 de junho), em Recife (Teatro Luiz Mendonça, 2 de julho) e em Aracaju ( Teatro Tobias Barreto, 14 de agosto) É, parece que a praia do Cícero está cada vez mais própria (e gostosa de ouvir).

 

 Por Giovanna Tadini

giwolftadini@gmail.com

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