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A (profunda) Nona Vida de Louis Drax
CINÉFILOS
20 out 2016 | Por Jornalismo Júnior

Uma das maiores questões que pairam sobre a existência humana é a morte. O momento, o modo e o fim a que leva ― este é um assunto repleto de incertezas. Essas interrogações são intensificadas quando o coma é colocado em pauta. Tal condição seria um limiar entre a vida e a morte? É possível estabelecer uma comunicação com o paciente? O filme A Nona Vida de Louis Drax (The 9th Life of Louis Drax, 2015) gira em torno desse mistério, aplicado à (nona?) vida do pequeno Louis Drax (Aiden Longworth) ― o Incrível Menino Propenso a Acidentes.

Desde o seu nascimento, Louis foi vítima dos mais diversos tipos de acidentes. De inúmeros episódios de intoxicação alimentar a um intenso choque na tomada de sua casa, o menino sabia que um dia chegaria o acidente que acabaria com todos os outros. Por ter sobrevivido a inúmeras adversidades, ele é tido como um anjo pela mãe Natalie, interpretada por Sarah Gadon. Os dois nutrem um fortíssimo vínculo. Aos oito anos de Louis, ela compara a situação do filho ao mito de que gatos possuem nove vidas (e não sete, já que a lenda é diferente em países de origem inglesa): a esse ponto da vida, ele não teria mais nenhuma restante. Por mais que pareça apenas uma brincadeira, Natalie parece preocupada, pedindo ao filho que cuide de sua nona vida.

No entanto, é justamente no aniversário de nove anos de Louis que o grande acidente se consuma. Natalie e o pai do garoto Peter (Aaron Paul) tentam deixar de lado sua conflituosa relação e levam Louis para fazer um piquenique em um canyon. Nesse contexto, Louis cai de um penhasco próximo de onde estavam e flashes das cenas seguintes ao acidente são exibidas. Não se sabe exatamente como a queda aconteceu, mas não demora até que seja dada a notícia de que havia sido fatal.
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O espectador já sabe, porém, que o menino é um sobrevivente das mais impressionantes desventuras. Essa não seria diferente: descobre-se que Louis sobreviveu à queda e está em coma. Ele então passa a ser tratado pelo ilustre Dr. Pascal (Jamie Dornan), especializado em coma e autor de um livro sobre o assunto. Logo de início, fica claro que o médico acredita que só sai dessa condição aquele que se sentir preparado para fazê-lo. Ele possui um ambiente de trabalho que em nada lembra um consultório: trata-se de um cenário arborizado e repleto de paredes de vidro. O clima é agradável, longe do peso que ronda a condição dos pacientes.

Desde o primeiro contato que Pascal tem com Natalie, fica previsível que os dois iniciariam um caso amoroso. Talvez por ambos serem representações perfeitas de padrões estéticos, uma tensão sexual logo se instaura entre os dois. Natalie, para além do fato de ter recentemente terminado um relacionamento e de seu filho estar em coma, é representada como uma mulher extremamente frágil. Por mais que a sua presença no filme se configure em uma quebra de expectativa em determinado momento, a personagem reafirma papéis de gênero e estereótipos frutos de uma perspectiva machista.
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No entanto, o filme é eficiente em deixar o espectador preso à narrativa e ao desenrolar dos fatos. Conforme a história de Louis Drax vai sendo desvendada, uma aproximação entre público e personagem se constrói, instigando uma curiosidade acerca da essência de Louis. O menino é inteligente e tem percepções de mundo extremamente peculiares para a sua idade ― o que fica claro em suas sessões de terapia com o amigável Dr. Perez.

A Nona Vida de Louis Drax traz uma temática pesada, mas numa abordagem que poderia atrair um público infantil. A excelente atuação de Longworth, somada ao fato de o filme ser narrado por uma criança pode gerar esse efeito. Entretanto, refletir o espectro de “menino-problema” que ronda o garoto, o modo como lida com isso, suas relações familiares e o fato de sua “nona vida” se constituir numa condição de coma é de fazer qualquer adulto revirar o estômago.

O filme estreia dia 20 de outurbo. Confira o trailer:


por Laila Mouallem
lailaelmouallem@gmail.com

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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