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Aves de Rapina mostra uma Arlequina independente e dona de sua narrativa
CINÉFILOS
06 fev 2020 | Por Bianca Muniz (biancamuniz@usp.br)

Os filmes com adaptações de super-heroínas para as telonas, apesar de não serem tão comuns como o de heróis, não são novidade no cinema. Recentemente, a DC fez sucesso com Mulher-Maravilha (Wonder Woman, 2017) e a Marvel vem mostrando seus nomes. Porém, Aves de Rapina – Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa (Birds of Prey, 2020) trazia consigo uma certa apreensão por continuar no universo cinematográfico de um filme que não funcionou bem: o criticado Esquadrão Suicida (Suicide Squad, 2016).

Focada em um dos destaques do filme de 2016, a trama tem como protagonista a personagem Arlequina, interpretada por Margot Robbie (que também está na produção do longa). O término de seu romance com “Sr. C” (o famoso vilão Coringa) coloca Arlequina em uma situação que, até então, não tinha vivenciado: a falta de proteção, que era garantida pelo seu “pudinzinho”. 

O conhecimento do rompimento pelos moradores de Gotham revela o desejo de vingança de várias inimizades que a personagem colecionou enquanto estava impune, entre elas, a do vilão Roman Sionis (também conhecido como Máscara Negra), interpretado por Ewan McGregor. Essa situação impulsiona a emancipação de Arlequina citada no título. A Palhaça do Crime precisa mostrar a sua independência e pensar em maneiras de se livrar dos desafetos que querem a sua cabeça ― como fazer um acordo com o próprio vilão em troca de segurança.

Nessa empreitada, sua história se cruza com a de Cassandra Cain (vivida pela estreante Ella Jay Basco), uma criança com o hábito de furtar objetos discretamente; a da tenente Renee Montoya (Rosie Perez) que investiga a vida de Sionis; a de Caçadora (Mary Elizabeth Winstead), que está executando um plano para vingar a morte de sua família, e a de Canário Negro (Jurnee Smollett-Bell), que trabalha para Roman, mas que não vai deixá-lo colocar seu plano em prática.

O filme é narrado por Arlequina e aí está o maior feito da narrativa. É preciso ficar atento para não se perder em suas digressões e explicações, que são muitas. Em alguns momentos, Arlequina olha para a câmera e faz comentários bem humorados, o que é factível, já que o espectador está diante dos pensamentos criativos e malucos da protagonista. Chama a atenção os efeitos gráficos utilizados nesse vai e volta de pensamentos, como anotações para explicar quem é quem na trama e qual a sua queixa em relação à personagem. Chega a ser didático, mas sem subestimar o entendimento de quem está assistindo.

Arlequina, após uma sequência de ação na delegacia, com muita luta, glitter e gases coloridos. [Imagem: Reprodução]

No entanto, enquanto o longa se preocupa com a emancipação da protagonista, ele peca no desenvolvimento das outras personagens. As Aves de Rapina, formado por mulheres poderosas e com narrativas próprias, acabam tornando-se um grupo raso. Montoya, Canário Negro e Caçadora, possuem histórias que poderiam ser melhor aproveitadas individualmente no filme. O superpoder da Canário Negro, por exemplo, é apresentado apenas uma vez, sem grandes explicações. Até mesmo Máscara Negra é atingido por essa superficialidade: por ser um vilão genérico, não consegue gerar apatia ou qualquer outro sentimento no espectador.

O longa acerta ao mostrar mulheres, mesmo que heroínas na cidade de Gotham, em situações comuns ao público feminino. Seja vivenciando o machismo ao terem seu reconhecimento apagado (no ambiente de trabalho, no caso de Renee, ou pelos seus feitos no mundo do crime, como Arlequina) ou numa situação banal como pedir um elástico para prender o cabelo que atrapalha durante uma luta, Aves de Rapina tenta mostrar mulheres sem a objetificação comuns nos filmes de super-herói.

A trilha sonora também é um destaque. Clássicos cantados por vozes femininas aparecem embalando cenas de tensão e lutas coreografadas, por meio das canções originais (como  “I hate myself for loving you”, na voz de Joan Jett) ou regravações, como uma versão pop mais lenta de “Hit me with your best shot” de Pat Benatar, que na trilha do longa é interpretada por Adona.

O filme entrega uma história sem grandes surpresas no enredo, mas que garante boas risadas, cenas de luta e uma vontade de continuar a acompanhar as Aves de Rapina e Arlequina em novas narrativas.

O longa tem data de estreia prevista para 6 de fevereiro no Brasil. Confira o trailer:

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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