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BGS 2017: Cosplays, Atari e Sanchez
Eu Fui
15 out 2017 | Por Jornalismo Júnior

O sábado de BGS foi, provavelmente, o dia mais movimentado da feira. Como a única data que teve os ingressos esgotados, não era de se surpreender o grande número de pessoas presentes no evento e o maior número de atrações,  Desde partidas amistosas entre times profissionais de League of Legends no estande da HyperX, até os inúmeros shows de youtubers no palco da Warner Bros Games.

Vários convidados internacionais conversaram com o público hoje, e o Sala 33 esteve lá para averiguar como eles veem a comunidade gamer no Brasil, o mercado atual de jogos e quais as tendências para o futuro.

O pai dos videogames, Nolan Bushnell

O criador do Atari esteve na BGS no sábado para receber diversas honrarias e deixar o seu registro na parede da fama do evento. Assim como Kojima na sexta-feira, Nolan Bushnell marcou suas mãos e foi ovacionado pelo público presente. Apesar de estar no estande da Twitch, que era um palco menor, sua presença ainda foi muito marcante no evento. Bushnell ainda recebeu o Lifetime Achievement Award, devido ao seu trabalho no Atari, e ouviu diversas vezes ao longo da conversa que se não fosse por ele, o evento não existiria.

O engenheiro eletricista de 74 anos ainda convive com a comunidade gamer ao redor do globo, e diz jogar o MOBA League of Legends, além dos clássicos Portal 1 e 2. Nolan também criou uma startup para produzir jogos de realidade virtual, e compara com o processo de criação do Atari, o qual menciona que foi uma revolução, e que a história estava se repetindo agora com sua nova empresa.

Quando perguntado a respeito da potência educadora dos jogos, Bushnell diz que os videogames deveriam estar nas escolas, e que enquanto os políticos não perceberem isso, o modelo de ensino estará preso no século passado. Além disso, citou pesquisas que dizem que o ensino por videogames é 10 vezes melhor do que nas salas de aula.
A conversa terminou com o pai do Atari comentando o papel dos designers, programadores e artistas. Para ele, todos os citados devem contribuir para tornar o mundo um lugar melhor, buscando produzir o que querem usar ou jogar. Nolan diz que quer viver no futuro e para isso ele precisa fazê-lo.

Um show a parte

Como o evento estava muito mais cheio do que nos outros dias, algumas atrações fora dos estandes se destacaram para esse público: os cosplays. Apesar de estarem em todos os dias do evento, no sábado de BGS eles chamaram mais atenção. As fantasias estavam espetaculares e o nível da feira estava muito alto. Com destaque para os jogos do momento e para os animes que marcaram uma geração de gamers, o Expo Center Norte estava lotado de personagens que fizeram a felicidade de muitos.

“As pessoas me param bastante para tirar foto, é bem legal”, é o que diz Bruna Bertolotto, que estava vestida de Lulu Inverno Mágico, personagem do jogo League of Legends. Bruna conta que sua fantasia levou 3 meses para ficar pronta e ela recebeu ajuda de sua Cosmaker, o que teria tornado o processo mais rápido. A cosplayer visita a BGS há 3 anos, e faz cosplay há 2. No ano anterior, ela se caracterizou de Annie Rainha do Gelo, outro personagem do mesmo jogo.

Alguns cosplayers são mais recentes que outros, como é o caso de Iara Claudia, estreante de cosplay na BGS e que estava de Orochimaru, vilão da saga de animê e mangá Naruto. “É a primeira vez que eu venho na BGS, achei o evento muito bacana, a galera é muito receptiva e muito organizado. Achei que estaria mais apertado e lotado por ser sábado”. Iara faz cosplay há apenas 1 ano e já fez 2 outros personagens, a Mulher-Gato do universo Batman e a Pocahontas, da Disney.

Luís Felipe, que estava de Luke Skywalker, personagem da franquia Star Wars, em particular a versão mais recente, afirma que a BGS desse ano está maior que a do ano passado, que ocorreu no São Paulo Expo. O jedi não faz a sua performance apenas por um hobby, ele foi contratado por uma marca para ficar no estande e ajudar na exposição no evento. Isso ocorreu após o reconhecimento de seu trabalho em outros eventos ao longo de sua vida como cosplayer.

Os cosplayers muitas vezes fazem seus personagens combinando, como foi o caso de Bruna e Luciano, que foram de Ashe Rainha e Tryndamere Rei, personagens do mesmo MOBA de Bruna, que possuem skins (alterações em seus visuais padrões) com a mesma temática. Ambos fazem cosplay há 3 anos, e contam que tem muitas fantasias a serem terminadas ainda.

“A armadura é EVA, a espada é MDF, com cabo de madeira mesmo e a máscara é fibra de vidro. A armadura, sem contar a roupa por baixo, ficou por volta dos 800 reais. Como era um amigo, ele fez um preço camarada, mas normalmente sairia por volta de 1000 reais”, diz Ricardo Castelo, que estava de Exterminador, personagem da DC Comics, na versão do jogo Batman Arkham Origins. Ricardo conta que faz cosplay há 2 anos e é o seu terceiro personagem, antes de fazer o vilão dos quadrinhos, esteve presente em outros eventos como Noob Saibot do jogo Mortal Kombat IX e Hitman da série de games de mesmo nome.

O cosplayer já visitou diversos eventos e elogia a organização da BGS em relação à edição do ano passado. “Estão dando cada vez mais atenção para o cosplayer, estão vendo que nós fazemos parte das atrações do evento,, as pessoas gostam e a tendência é melhorar”.    

O rosto por trás da nova geração de jogos de luta

Hector Sanchez é um dos destaques internacionais da Brasil Game Show de 2017. O produtor de Mortal Kombat IX e Injustice conversou no estande da Twitch sobre a sua carreira e o mercado de jogos atual. A conversa iniciou-se com o produtor dizendo que queria trabalhar com algo que causasse emoções diferentes do que era Mortal Kombat.

O produtor também falou sobre o mercado brasileiro de games e a sua importância, que para ele é só uma questão de tempo até o resto do mundo perceber o potencial brasileiro para a criação de jogos. Sanchez ainda falou a respeito de um “sabor típico brasileiro” que está presente, não apenas nos games aqui produzidos, como em toda forma de criação, seja artística ou não.

Sanchez, na direita, pareceu entusiasmado ao incentivar todos a criarem seus próprios jogos

Hector também fala sobre a carreira de desenvolvedor de jogos, e as dificuldades que cercam essa profissão. Para ele, o risco de seguir por esse caminho e não por empregos mais tradicionais é um luxo que nem todos podem ter, especialmente minorias como os latinos nos Estados Unidos, por exemplo. Entretanto, também menciona que esse cenário está mudando por conta da internet, e pela disponibilidade de informações e diferentes programas para fazer jogos que estão disponíveis na rede.

A respeito do que está jogando atualmente, o homem por trás de Injustice diz que está jogando Zelda: Breath of the Wild para Nintendo Switch, Destiny 2 no Playstation entre outros. Para Sanchez, jogar muito outros trabalhos pode influenciar na criação de algo novo, tornando seus projetos parecidos com outras produções, entretanto é necessário entender o que o público está consumindo atualmente e, por isso, é importante continuar jogando.

Ao final da conversa, aconteceu uma aula de roteiro para os videogames. De acordo com Hector, um jogo antes de ser produzido deve ter noção exata do que os jogadores estão sentindo em cada momento da gameplay. Dessa forma, a jogabilidade deve complementar e dar suporte a história produzida. O game não pode nascer de uma mecânica específica, para não se tornar algo desinteressante.

Não se esqueça de conferir os textos do primeiro, segundo e terceiro dia da décima edição da Brasil Game Show, que irá até o dia 15 de outubro.

Por Giovana Christ e Pedro Gabriel
giovanachrist@usp.br | peedrog98@usp.br

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