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Bienal do Livro 2018: onze dias de pura cultura
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17 ago 2018 | Por Jornalismo Júnior

Estande de fotos com a hashtag utilizada para promover o evento (Foto: Sala33 / Jornalismo Júnior)

Há quem diga que daqui alguns anos os livros físicos, os que pegamos na mão para ler e sentimos a textura do papel, serão extintos. Se existem pessoas que acreditam nisso, a Bienal do Livro está aí para provar o contrário.

Em sua 25ª edição, a Bienal Internacional do Livro 2018 de São Paulo começou no dia 03 de Agosto e foi encerrada no dia 12 do mesmo mês. Durante 11 dias, estudantes, professores, crianças, adultos, idosos, apaixonados por livros, por séries, filmes e todos que passaram pelo Pavilhão do Anhembi tiveram a oportunidade de desfrutar do festival.

Segundo a Câmara Brasileira do Livro (CBL), o público da Bienal 2018 foi de 663 mil pessoas, menos do que o esperado para o evento, visto que em 2016 o número de pessoas que foram na feira de livros foi maior. Entretanto, a experiência de participar desse evento continuou sendo incrível. E o Sala33 foi conferir um pouco desses 11 dias cheios de histórias, pessoas, cultura e, claro, livros.

 

Estudantes compareceram em peso

Em comparação à anterior (2016), a edição deste ano teve uma redução de público. No entanto, um aspecto que chamou muito a atenção foi a quantidade de escolas que promoveram excursões para o evento. Turmas do ensino fundamental, médio e até educação infantil compareceram à Bienal para levar um pouco do universo literário para seus alunos.

Dois estudantes da Escola Odila Maia compartilharam com o Sala suas experiências na Bienal. Para Izabella, de 15 anos, o melhor do evento foi a oportunidade de conhecer muitos livros, autores e pessoas novas. Já para Antônio, de 14, o melhor da feira foi a oportunidade de comprar muitos livros.

E para a felicidade de Antônio, muitas das editoras estavam com promoções nos preços de seus livros. A Editora Intrínseca, por exemplo, tinha livros de dois, cinco e nove reais. Além dessas promoções, muitas revendedoras promoveram uma espécie de “saldão”: haviam estandes onde todos os livros custavam 15 reais. Seções inteiras à 10 reais estavam presentes em quase todas às editoras, tornando a leitura acessível para diversas classes.

(Foto: Sala33)

 

Transporte e Expositores

Além disso, um aspecto muito importante a se ressaltar é a facilidade de acesso ao Pavilhão do Anhembi. Quem não foi de excursão ou carro, teve acesso a um ônibus gratuito a partir da estação Portuguesa-Tietê que deixava os visitantes na entrada do local. Os ônibus tinham padrão executivo e transportavam os visitantes confortavelmente. Nos horários de pico, entretanto, as filas para o transporte se arrastavam por vários metros, tornando o tempo de espera cansativo.

Quanto aos expositores, ao longo dos 11 dias de feira, mais de 180 empresas e editoras foram participar da Bienal a fim de mostrar seu trabalho. O que chamou a atenção foi a quantidade de empresas relacionadas à plataformas digitais e tecnologia: desde o Kindle da Amazon até o Mercado Livre.

O Sala33 teve a oportunidade de entrevistar Ana, que estava trabalhando no estande da Editora Rocco. Ela contou que era a segunda vez que trabalhava na Bienal ,que a feira estava bem movimentada e muitas pessoas estavam à procura dos livros da saga Harry Potter. Segundo ela, a venda de livros aumentou bastante, principalmente aqueles relacionados à algum conteúdo das produções da Netflix.

Estande da editora Rocco (Foto: Sala33)

 

Tecnologia ganhou destaque

Um tema comum em diversas palestras e estandes foram as questões tecnológicas. A Microsoft, destaque no ramo, fez-se presente e atraiu um público faminto por novidades. Havia espaços experimentais de uma “Sala de Aula de 2030”, contando com jogos de realidade virtual e Minecraft, além de um “escape room”. Ganhando destaque, o Espaço do Saber foi uma das iniciativas mais elogiadas. No local, especialistas em redes sociais, internet, tecnologia como meio de aprendizagem, entre outros, palestraram ao longo do evento para todos que quisessem aprender um pouco mais sobre esse universo. Na foto abaixo, o tema da palestra era redes sociais.

Espaço de palestras da Microsoft (Foto: Sala33)

 

Diversidade de atividades

Um ponto alto do evento foi a diversidade de temas. A Bienal contou com apresentações de dança, a presença de youtubers, contação de histórias e estandes interativos. Haviam estandes destinados a assuntos religiosos, como à cultura Árabe e aos testemunhas de Jeová, como o espaço da editora JW, e também a culturas do Brasil, como o Cordel e Repente, típicos da tradição nordestina.

A literatura de cordel e repente esteve presente no evento (Foto: Sala33)

O Sesc, em seu estande, levou ao público coisas totalmente diferentes durante os dias da exposição: shows de mágica, fantoches e até peças de teatro.

 

O SESC trouxe uma série de novidades para a sua área na Bienal (Foto: Sala33)

 

Para todos os públicos: crianças e adolescentes

Um aspecto que conquistou os fãs da cultura pop foi a quantidade de estandes dedicados à esse universo. Harry Potter, Senhor dos Anéis, Star Wars e até séries renomadas como How I Met Your Mother não ficaram de fora do evento. Novos “clássicos” também marcaram presença, como o filme A Barraca do Beijo e Animais Fantásticos e Onde Habitam. Concursos de cosplay aconteceram e filas de jovens se formavam atrás de uma foto com os artistas.

E falando sobre estandes interativos, o Gibi mais querido do Brasil estava em peso: A Turma da Mônica tinha seu espaço separado da Panini e contava com diversas atividades para as crianças (e adultos também). A Fantástica Fábrica de Sonhos dava a oportunidade de criar seu próprio personagem da Turma da Mônica, o que encantou grande parte do público da Bienal.

Espaço especial dedicado à Turma da Mônica (Foto: Sala33)

 

E ao falar de Maurício de Sousa, não há como não lembrar de Ziraldo. A editora Melhoramentos fez uma homenagem para o grande autor em seu espaço:

Estande de homenagem ao escritor e ilustrador Ziraldo (Foto: Sala33)

Os dois ícones da literatura infanto-juvenil Brasileira estiveram juntos na Bienal do Livro 2018. No dia 04 de Agosto, os dois autores criaram o que muitos intitulam o “Crossover do Século”. Em “A Montanha Mágica”, Mônica e o Menino Maluquinho levam suas turmas para uma grande aventura, enfrentando perigos, fazendo muitas descobertas e celebrando o que há de melhor nessa história: a amizade.

Maurício de Souza e Ziraldo compartilharam palestra na Bienal (Foto: Divulgação)

O espaço infantil contava com uma série de atividades. Teatros e musicais eram encenados sob o olhar atento de crianças de diversas idades. Na tenda da leitura, os pequenos podiam ler histórias, quadrinhos e interagir uns com os outros em um ambiente confortável pensado especialmente para eles. Em excursão ou com os pais, as contações de histórias, estandes de literatura infantil, brincadeiras e atividades mantinham as crianças entretidas durante todos os dias de evento.

 

Os onze dias de Bienal do Livro sem dúvida renderam muitas histórias, novos conhecimentos e experiências e, para alguns, mais livros na estante. Em um país em que 50% da população não lê e a média de livros lidos não chega a três,  segundo dados da última pesquisa do Instituto Pró-Livro, o evento não tem apenas importância cultural, mas também a função social de levar o universo literário para o máximo de pessoas possível, democratizando o acesso e incentivando o gosto pela leitura.

Por Amanda Capuano Mariana Arrudas
amandacapuano@hotmail.com | maarrudas@usp.br

Sala 33
O Sala33 é o site de cultura da Jornalismo Júnior, que trata de diversos aspectos da percepção cultural e engloba música, séries, arte, mídia e tecnologia. Incentivamos abordagens plurais e diferentes maneiras de sentir e compartilhar cultura.
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