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Campus Party e a realidade
Eu Fui
01 fev 2018 | Por Jornalismo Júnior

Até o dia 4 de fevereiro acontece no Anhembi a Campus Party. E o que não faltam são atrações. Palestras ocorrem quase que ininterruptamente em vários palcos do pavilhão sobre os mais diversos assuntos, desde blockchain até redes sociais e fake news. Dentre os palestrantes, alguns chamam a atenção por serem os maiores especialistas do mundo em assuntos relacionados à tecnologia.

Um dos destaques do segundo dia de feira (01/02) foi o escritor, especialista em software 3D, empreendedor e comunicador de ficção científica Salvador Bayarri. O espanhol palestrou sobre o renomado escritor Philip K. Dick, autor dos livros O Homem do Castelo Alto, Ubik e Androides Sonham Com Ovelhas Elétricas?. Seus livros deram origem a diversos filmes de sucesso, inclusive Blade Runner 2049, indicado ao Oscar 2018.

Bayarri explorou a influência dos pensamentos de Dick na realidade atual da humanidade. Quando o autor escrevia seus livros, na década de 1950, o contexto histórico era recheado pela caça aos comunistas, criando uma paranoia coletiva na sociedade. Baseado nisso e em suas próprias alucinações, Philip K. Dick imaginou realidades alternativas, seres artificiais e até antecipou a ideia de realidade virtual. Muitos ainda acreditam que Dick era um profeta que previu o futuro que vivemos hoje, muito diferente dos mundos de George Orwell e Aldous Huxley, como muitos costumam acreditar. De acordo com Dick, nossa visão da realidade é manipulada e confusa.

Além disso, Salvador Bayarri analisou ainda perguntas comuns na obra de Dick: “o que é real?” e “o que é humano?”. Em relação à primeira pergunta, ele explica que a nossa própria cultura pode ser considerada como uma realidade virtual, já que é uma forma de passar informações desassociada no corpo humano, com a criação de lendas, mitos e histórias. Ele também ressaltou que, com as ferramentas de filtragem de informações na internet, nós não temos acesso à realidade como um todo, mas a apenas uma fenda estreita dela. Isso cria um mundo em que só entramos em contato com opiniões que concordam com as nossas. Sobre a segunda pergunta, Bayarri mostrou que a evolução da inteligência artificial nos faz questionar o que significa humanidade, algo muito explorado na obra de Dick. A conclusão a que chegamos é que “somos humanos porque temos empatia, ou seja, a humanidade depende do comportamento, não da natureza”.

Outro ponto alto do dia foi a palestra “Fake News – Como Viver Num Mundo de Mentiras”, em que Gregório Fonseca explorou o tema das notícias falsas. Ele define o termo como “notícias intencionalmente falsas, fabricadas para parecerem verdadeiras”, excluindo erros jornalísticos de apuração, lendas urbanas e boatos. Fonseca deu um pequeno workshop de como identificar as possíveis fake news:

  •   Está escrito “repasse” ou “compartilhe”;
  •   É uma notícia de comédia;
  •   Há excesso de propaganda no site;
  •   Não há fontes e o texto é muito genérico;
  •   Apela para o sensacionalismo, para a emoção ou para o bizarro;
  •   O nome do site é parecido com o de outro veículo mais renomado;
  •   O texto parece ter sido copiado e colado;
  •   Aparece o termo “estudos dizem” sem citar mais informações;
  •   Adjetivos na manchete;
  •   Matérias pedindo doações;
  •   Algo muito importante, mas desconhecido;

De acordo com Fonseca, desconstruir uma notícia falsa é quase impossível, pois “o desmentido nunca chega tão longe quanto as histórias falsas”. Em sua opinião, o único jeito de impedir a disseminação de fake news é pela educação e pela informação, algo muito prezado pela Campus Party 2018.

Por Maria Carolina Soares
mcarolinasoares@usp.br

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