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Clube da Luta – Entenda que é melhor você não falar nada…
Na Estante
14 maio 2014 | Por Jornalismo Júnior

A primeira regra do Clube da Luta é que você não fala sobre o Clube da Luta.

Caro leitor, antes de mais nada, peço que considere as seguintes divagações: Pense em como você enxerga a sua vida hoje, e em como gostaria de viver. Qual o seu maior sonho? A sua maior ambição? Pois bem, agora esqueça todas essas respostas. Você jamais será famoso como um ator de cinema ou um astro internacional do rock. Jamais terá o corpo de um modelo e nem o dinheiro de um grande empresário. Você não é o seu carro, nem o seu emprego, ou as coisas que possui. Você, assim como eu, é feito da mesma matéria orgânica podre que compõe todas as outras pessoas. E é essa questão da existência humana que Chuck Palahniuk joga na nossa cara, como um soco, em seu livro Clube da Luta.

A segunda regra do Clube da Luta é que você não fala sobre o Clube da Luta.

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Através do uso de uma linguagem extremamente irônica e de frases curtas, estrategicamente repetidas várias vezes durante o texto, Chuck Palahniuk publicou em 1996 seu livro de estreia, e ainda de maior prestígio.

O livro é contado por um narrador-personagem, que durante a história recebe vários nomes, entre eles: Cornelius, Rubert e Jack – este último pode ser comparado ao nosso “joão ninguém” em português (ou seja, não importa realmente quem seja o narrador, o que é importa são as situações pelas quais ele passa).

Terceira regra do Clube da Luta: se alguém gritar “Pára!” ou sinalizar, a luta está terminada.

Jack é um jovem rapaz frustrado com a vida, que além de sofrer com longos períodos de insônia não consegue se acalmar apenas com o consumo desenfreado que a mídia lhe oferece. Por isso, como alternativa, passa a frequentar grupos de apoio a pessoas doentes para se acalmar – e é num abraço com um homem com câncer testicular que ele se tranquiliza e finalmente consegue ter sono para dormir. Até que ela aparece: Marla Singer.

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Quarta regra: apenas dois caras numa luta.

Assim como Jack, Marla também frequenta grupos de apoio sem ter nenhuma doença, e isso passa a incomodá-lo de tal modo que não consegue mais dormir. Em uma viagem de negócios, Jack conhece Tyler Durden, homem muito interessante, forte e bonito – tudo o que Jack sempre quis ser – e que possui opiniões extremamente marcantes sobre o modo de vida capitalista e os valores da sociedade de consumo. Juntos, Tyler e Jack começam um Clube da Luta, e é essa nova amizade que mudará para sempre a vida de todos.

Poderia ser o Clube do Golfe

Quinta regra: uma luta de cada vez.

Chuck, que ficou surpreso com toda a repercussão que seu livro recebeu, escreveu numa outra reedição da obra um posfácio no qual explica suas verdadeiras intenções ao escrever o Clube da Luta.

O autor conta que antes de seu livro virar um filme com Brad Pitt e Edward Norton no elenco, antes de sua história virar tema de faculdade e ser discutido em comunidades acadêmica, antes de qualquer outra coisa, tudo o que havia era uma simples tentativa de inovação literária.

Sexta regra: sem camisas, sem sapatos.

Palahniuk queria escrever uma obra a partir de um novo método que prendesse o leitor até o fim do texto. E para fazer isso, decidiu realizar vários cortes. Nada mais de arrastar o personagem de uma cena para outra, ou de mostrar cada aspecto da trama em torno do personagem. Palahniuk decidiu tratar apenas do momento central de cada cena, do clímax. E com o fim de um clímax, passava-se a outro, e depois a outro, e assim por diante. Sem apresentação prévia, nem evolução constante. Isso faz com que o Clube da Luta seja um livro cuja ordem dos acontecimentos podem ser mudadas, como se fossem vários contos dentro de uma mesma obra – salvas as exceções de alguns poucos capítulos chave.

Esse método de criação tornou necessário o uso de um “artifício de transição”, ou seja, de um coro que se repetisse e mostrasse a identidade constante da obra. Para isso, Palahniuk criou as oito regras do Clube da Luta – assim, em primeiro lugar surgiram as regras, e em seguida a ideia do Clube da Luta. Isso porque, como afirma o próprio autor, a ideia do clube não era importante, mas sim arbitrária (poderia até ser o Clube do Golfe). O essencial mesmo era não perder o leitor. E foi através dessa prática nova, com frases de efeito interessantes e bem distribuídas, que Palahniuk consolidou seu modo de escrever.

Sétima regra: as lutas duram o tempo que for necessário.

Mesmo com o filme dirigido por David Fincher, levaram-se anos para que Palahniuk recebesse o reconhecimento que merece. E sobre os temas que escreve, o autor diz que um escritor deve sempre se concentrar nos assuntos que mais o desagradam, pois seriam as únicas coisas sobre as quais valeria a pena escrever.

Durante a edição de 2013, em San Diego, de um dos maiores eventos da cultura pop mundial, a Comic-Con, Palahniuk anunciu que o Clube da Luta ganhará uma sequência na forma de uma graphic novel (uma espécie de romance feita em quadrinhos). De acordo com o autor, a história se passará 10 anos após o primeiro livro, e será contada pelo ponto de vista de Tyler Durden. Tyler reaparecerá com a ajuda de Marla, que está entediada com sua nova vida, e o filho de Jack será sequestrado. Segundo o próprio autor, o lançamento deve acontecer até 2015.

E a oitava e última regra: se esta for a sua primeira noite no Clube da Luta, você tem de lutar.

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por Valdir Ribeiro v.s.ribeiro93@gmail.com

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