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Coisas estranhas aconteceram em 1983
Controle Remoto
11 out 2016 | Por Jornalismo Júnior

Em 15 de julho de 2016, a gigante americana de streaming de vídeos Netflix lançou sua nova série original, que rapidamente se juntou a Orange is the New Black, House of Cards e Narcos como um dos grandes sucessos da plataforma. Stranger Things, o hit do Summer ‘16, não só nos Estados Unidos, mas no mundo todo, se passa em 1983 na cidade fictícia de Hawkins, Indiana; Stranger Things é sobre coisas estranhas. Sua trama começa com o desaparecimento de Will Byers e se desdobra nos esforços que são feitos para encontrá-lo, durante uma semana.

A primeira cena da websérie no episódio piloto, “The Vanishing of Will Byers”, apresenta o núcleo principal da série: os amigos Mike, Dustin, Lucas e Will, que jogam Dungeons and Dragons, jogo clássico dos anos 80. O desaparecimento a que se refere o nome do capítulo ocorre logo nos primeiros dez minutos, na mesma noite em que começa a história. Na manhã seguinte, conhecemos a família de Will, sua mãe Joyce e seu irmão Jonathan, que percebem que o menino não havia voltado para casa. Começam então duas investigações, uma oficial, comandada pelo Chefe de Polícia Jim Hopper; e outra extraoficial, realizada pelos amigos de Will, que nesse episódio encontram Eleven, uma garota peculiar, com vocabulário limitado e habilidade telecinética. Além desses personagens, conhecemos a irmã de Mike, Nancy, sua melhor amiga, Barbara e seu “quase-talvez-namorado” secreto, Steve.

Lucas, Dustin, Mike e Eleven. Imagem: Divulgação

Inspirados por filmes dos anos 80, os irmãos Duffer produziram e dirigiram uma série que, apesar de ter crianças e adolescentes como personagens de destaque, é voltada para adultos. Em nenhum momento a série se torna infantil, mantendo sempre o clima de suspense e terror, misturado com ficção científica, típico das obras de Stephen King, Steven Spielberg e John Carpenter. As referências, inclusive, a filmes e livros da época estão em toda a parte, desde easter eggs até a referências explícitas. Os meninos falam várias vezes de Senhor dos Anéis, o Hobbit e X-Men, e ainda comparam Eleven ao Mestre Yoda; ela também carrega traços de inspiração clara no personagem clássico E.T. O nome do segundo episódio (“The Weirdo on Maple Street”) é uma homenagem ao filme The Monster are Due on Maple Street, e o quarto episódio leva o mesmo nome que o romance que inspirou o filme Stand by Me, “The Body” e os acontecimentos nele retratados podem ser considerados uma adaptação do livro para a série , principalmente a cena em que as crianças andam pelos trilhos de um trem. As referências a filmes como ET, Firestarter, Alien, Poltergeist, Close Encounter of the Third Kind, Goonies e muitos outros estão presentes na série, desde os próprios personagens, os figurinos, trilha sonora, até os cenários e efeitos especiais. Vale comentar a fonte usada no título da série e a maneira como foi montado o pôster oficial: clássico Stephen King, clássico anos 80.

O sucesso do sitiamento da série em 1983 atribui um sentimento nostálgico para aqueles que, assim como os Duffer Brothers, viveram aquela época; essa habilidade de captar a infância e esse passado não tão distante contribui para que a série não se tornasse infanto-juvenil. Ela é uma série sobre crianças de 12 anos, não para crianças de 12 anos. A interpretação dos atores mirins também foi essencial para que a produção não se perdesse. O destaque vai para Millie Bobby Brown (12 anos), que interpreta Eleven; apesar de suas falas serem constituídas por palavras soltas como (“eleven”, “bad”, “pretty”) ou pequenas frases (“Mike, friends don’t lie”), a menina foi capaz de expressar todas as sensações e sentimentos que sua personagem estaria sentido, de extremamente tocante e envolvente, difícil de se ver até mesmo em atores adultos.Outra interpretação que merece comentário é a de Winona Ryder, a atriz queridinha dos anos 80 quando começou sua carreira, como Joyce Byers, a mãe que perde seu filho caçula. Seu desespero para encontrar a criança emociona e a autenticidade que a atriz passa para a personagem em seus momentos de histeria e aparente loucura emocionam, e dão a base para que se instale nos espectadores a tensão contida nesses oito episódios.

Atores mirins da série. Imagem: Divulgação

Ainda falando sobre o muito bem escalado elenco, as crianças de Stranger Things não passam um dia sem conquistar a afeição do mundo todo. O carisma, a humildade e a alegria desses pequenos profissionais são um chamariz a parte para a série. Os principais talk shows americanos já receberam no mínimo um dos atores mirins e eles trazem de volta a Hollywood uma ingenuidade, um frescor que o mercado não via a muito tempo.

A segunda temporada da série já foi anunciada pela Netflix, e deve começar a ser gravada já agora em outubro, em Atlanta, Georgia, e será lançada perto do verão americano de 2017. Não seria diferente após o alcance que a série teve mundialmente; ela terá novamente oito episódios, acontecerá no outono de 1984, quase um ano depois dos acontecimentos da primeira temporada, que se passam um mês antes do Natal de 83, e será uma sequência da season desse ano. O nomes de todos os episódios já são disponíveis ao público  (“Madmax,” “The Boy Who Came Back To Life,” “The Pumpkin Patch,” “The Palace,” “The Storm,” “The Pollywog,” “The Secret Cabin,” “The Brain,” and “The Lost Brother”), aumentando a ansiedade do público para saber como irão se desdobrar as novas coisas estranhas.

Por Isabel Marchenta
isa.marchenta@gmail.com

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