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CONTÉM SPOILER: segunda temporada de Narcos abre espaço para continuidade da série
Controle Remoto
03 set 2016 | Por Jornalismo Júnior

Diferente do que todos esperavam, série deve continuar sem a presença de Pablo Escobar

Duas noites são mais do que suficientes para assistir a segunda temporada de Narcos, série da Netflix que se propôs a contar a trajetória de um dos maiores narcotraficantes do mundo: Pablo Escobar. Estrelada por Wagner Moura e especialmente assistida pelos brasileiros, o sucesso da primeira temporada fez com que os diretores da produtora investissem na continuidade da trama, que teve sua segunda temporada gravada entre o final de 2015 e o início deste ano.

A série surgiu com a proposta de contar a história do Cartel de Medellín, que liderado por Pablo, foi o grande responsável pelo narcotráfico nos anos 70 e 80, quando chegou a faturar cerca de 28 bilhões de dólares. Porém, um personagem pouco falado no começo da história, o Cartel de Cali – comandado pelos irmãos Rodríguez, entra em cena, e deixa porta aberta para a continuação da trama, mesmo com o fim de Pablo Escobar.

Ao término da primeira temporada, logo o que vem a cabeça é como poderão continuar com a série por pelo menos mais duas ou três temporadas. Conhecendo a trajetória de Pablo, é possível perceber que se os criadores não colocassem muitos elementos fictícios no decorrer da história, ela por si só não seguraria sozinha as sete ou oito temporadas que estamos acostumados a assistir nas séries da Netflix. Mas não fizeram isso. Embora o início de cada episódio nos alerte que cada semelhança com a realidade não passa de mera coincidência, os fatos decisivos para a construção da história se alinham com o que aconteceu na realidade, e esgotam a trajetória de Pablo Escobar e o Cartel de Medellín em apenas duas temporadas.

Por mais que saibamos das atrocidades cometidas pelo personagem e pelos seus sicários, seu carisma nas relações familiares, lealdade nos negócios e o cuidado do ator Wagner Moura em mostrar o lado humano de Pablo, faz com que a torcida seja pra que no final nada de mal lhe aconteça. Mas, a verdade é que a ideia vendida no início da série diz que a morte do personagem inviabiliza a continuidade da trama e por isso, a torcida fica pra que a história continue.

A escolha da produção foi então pelo aprofundamento das relações e dos personagens da trama. A complexidade da associação entre o governo colombiano e o governo estadunidense foi posta em cheque, de forma que a cooperação e as divergências entre eles mostram que seu vínculo está longe de terminar mesmo depois da morte do narcotraficante. Além disso, a formação de um grupo paramilitar chamado Los Pepes, tinha como objetivo único a morte de Pablo, e para isso, contava com o financiamento de narcotraficantes rivais, e o envolvimento ilegal do agente Penã, que por pertencer à organização americana DEA, os munia de informações privilegiadas.

O que existia a partir de então era uma caçada em que Escobar era o alvo da polícia colombiana, do governo americano e de seus inimigos, os Castaños. Mesmo cada vez mais enfraquecido, ele se sentia imortal. Ao ser questionado em uma entrevista sobre como achava que seria sua morte, ele responde que gostaria de morrer de pé, no ano de 3047. Sua mania de se achar intocável permitiu que ele cometesse erros que não tinha feito durante todo o seu reinado, como voltar para a casa em que vivia com sua mãe em Medellín. Com apenas a companhia de um sicário, poucas armas e quase nenhum dinheiro, sua mania de grandeza fez com que o menos experiente tenente do grupo de buscas localizasse seu paradeiro, e assim, numa operação não planejada, foi morto a tiros, e terminou estirado no telhado ao lado de sua casa.

Para quem está assistindo, isso é o fim da linha, a decepção que não podia acontecer. A morte de Pablo acontece nos últimos vinte minutos da segunda temporada, quando parece que não dá tempo de acontecer algo para salvar a continuidade da trama. Então, entre as lágrimas de seus familiares e a satisfação do governo colombiano, os irmãos Rodríguez e Los Pepes aparecerem brindando sua entrada em Miami e sua nova denominação. Num flash para uma sala do DEA nos Estados Unidos, o agente Peña, que havia sido afastado por sua ligação com Los Pepes, recebe uma nova missão: combater o Cartel de Cali.

Por Victória Damasceno
damascenovictoria@gmail.com

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