Home Controle Remoto Em Stranger Things 2, o mundo normal é tão caótico quanto o Invertido
Em Stranger Things 2, o mundo normal é tão caótico quanto o Invertido
Controle Remoto
30 out 2017 | Por Jornalismo Júnior

Imagem de capa: divulgação | Netflix

O novo ano da série mais esperada de 2017 entrega exatamente o que o público, que tanto amou o show em 2016, esperava. A produção de Stranger Things está maior e isso fica evidente na sensação de estarmos vendo um filme muito longo ao invés de um programa de televisão comum. Não apenas isso, como as relações entre os personagens e o enredo da série são mais complexos no novo ano.

O universo da série é melhor explorado em seu ano dois, com muito mais referências aos anos 1980, não apenas na forma de contar história mas nos pequenos elementos que a compõem, tornando-a mais nostálgica que a primeira. Mike, Dustin, Lucas e Will continuam com a mesma essência já apresentada, mas agora estão mais velhos (inclusive com voz de puberdade em alguns episódios) e muito mais maduros por conta das adversidades do ano anterior.

Os meninos agora enfrentam problemas muito maiores que no ano de 1983, enquanto lidam com dilemas da adolescência dos anos 1980 como primeiros relacionamentos, situações sociais inconvenientes, Demo-dogs e falta de moedas para o fliperama, mas as consequências da primeira temporada ainda cercam os moradores da pequena cidade de Hawkins. Will Byers está de volta do Mundo Invertido e tem que lidar não apenas com o que o final da última temporada nos mostra, mas com os problemas que um garoto comum, considerado um “nerd”, tem que passar. Tudo isso com um monstro enorme invadindo seu corpo, mas nada demais, não é?. A segunda temporada introduz novos personagens ao universo de Stranger Things. A pequena cidade recebe dois novos moradores que vieram da Califórnia: Max e Billy. Ambos incrementam muito a narrativa e possuem histórias cativantes para o público. A relação de Billy, típico antagonista que é mau por ser mau com uma história complexa por trás, com Steve de competição, se torna muito interessante ao longo dos episódios, assim como o relacionamento de Max com o resto do grupo e o seu triângulo amoroso com Dustin e Lucas, que é o gatilho para situações bem cômicas que lidam com a timidez dos garotos para lidar com a nova residente da cidade.

Nessa temporada compreendemos melhor o passado de Eleven, e a investigação que a própria personagem faz de sua história permitiu que os roteiristas explorassem diversos lados dela e construíssem uma identidade ainda mais forte que no primeiro ano. Eleven tem uma jornada própria ao longo da temporada que mostra o seu renascimento diante das suas responsabilidades e seus poderes. Sua relação com Hopper é um dos pontos mais altos da série, e explora muito bem a dinâmica familiar personagens: ela age como qualquer adolescente, mas com o diferencial de ser capaz de mover as coisas com sua mente. A combinação é rica e muito bem explorada ao longo dos episódios, mostrando como a personagem lida com a puberdade e a descoberta de sua própria personalidade, além de uma busca pelo seu lugar.

Outros personagens novos também roubam a cena, como é o caso de Bob Newby (Sean Austin), que é o típico homem inocente e bobo, mas que é tratado na série muito bem e sempre de maneira muito honesta com o espectador. Murray Bauman (Brett Gelman) é mais uma figura nova na trama, que representa a paranóia política do período da Guerra Fria e de seu pós (além de contribuir e muito para um dos maiores anseios dos fãs de Stranger Things, o que já garante alguns pontos para o personagem).

Talvez uma das melhores surpresas  da segunda temporada da série seja Dustin e Lucas. Os personagens, apesar de já existirem antes, são muito mais elaborados dessa vez. Seus dilemas entre si agora importam tanto quanto os de Mike, além de ambos os atores terem um tempo de comédia incrível que traz mais gosto a série. Dustin, em específico, rouba a cena mais uma vez, com hábitos que marcam o carisma do personagem e sua personalidade muito bem definida na primeira temporada. As suas famílias também são apresentadas, e  a relação de Lucas com sua irmã, particularmente, é hilária; uma típica relação da irmã mais nova implicante que cativa e provoca identificação no público.

Apesar da produção bem maior, Stranger Things mantém o seu carisma e recompensa o fã que esperou um pouco mais de 1 ano pela sua volta. Em muitos casos, os produtores não sabem o que fazer quando uma série explode em suas mãos. Não é o caso dos irmãos Duffer: eles lidam muito bem com o sucesso e apenas aumentam a trama, tornando-a mais complexa sem perder a simplicidade envolvente da primeira temporada.

Por Pedro Gabriel
peedrog98@usp.br

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